terça-feira, 29 de dezembro de 2015

E que venha 2016!!!!


Por Kel.

Há dois dias do final do ano muitas vezes nos pegamos fazendo uma retrospectiva do ano que passou....e o que realmente importa?


Pra mim hoje importa cada aprendizado...cada dia de paz...cada vitória...cada descoberta que faço sobre mim.

Parece loucura mas se pararmos para refletir não nos conhecemos de verdade...pouco sabemos do porque reagimos...em várias situações de nossas vidas...o porque sentimos o que sentimos..o porque somos quem somos....

É uma incrivel viagem descobrir a si mesmo...e quando mais mergulho nesse mundo mais me fascino...menos olho pro passado e mais estou no presente...vivendo minhas emoções e aprendendo com elas...sejam elas boas ou ruins...faz parte...a vida é assim mesmo...o segredo talvez esteja em aprender a aprender com essas emoções e não mais ser dominado por elas...pra não irmos tão alto e nem tão fundo...não..não é entediande uma vida sem tantos altos e baixos...é uma vida madura...que lhe da segurança para planejar...agir e conquistar.

Desejo a todos leitores do blog que o ano de 2016 seja repleto de descobertas sobre si...

Um feliz ano novo a todos vcs.

Kel ❤💙💚💛💜💓💖💗💟

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A dependência química tem cura?



Por Kel.

Olá pessoas!! Espero que esteja tudo bem com vocês, por aqui tudo em paz graças a Deus...só por hoje...

Hoje resolvi escrever porque esses dias assisti uma reportagem na Record, falando sobre ibogaína, cura da dependência, espiritualidade, etc etc....

Na reportagem eles ligavam para várias clinicas que fazem o tratamento com a ibogaína, explicavam a origem da iboga que era usada em rituais em tribos africanas, questionavam aos atendentes da clinica se a ibogaína curava a dependência química e os atendentes respondiam que a dependência química não tem cura e depois dessa afirmação a câmera se voltava ao reporter da Igreja Universal que afirmava que a dependência química tem cura sim e que eles já teriam curado mais de 70 mil dependentes......

Antes gostaria de esclarecer algo, o que significa CURAR?

curar (http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/definicao/curar%20_937902.html)
cu.rar 
(lat curarevtd 1 Restabelecer a saúde de: Esse médico os curou. Curou-os com a hidroterapiavpr 2 Debelar a doença, aplicando remédios; recuperar a saúde: A vítima curou-se, e o agressor foi condenado. Curou-se com a mudança de clima. Procurou o tal médico e com ele se curou de antiga moléstia de pele. vtd 3 Debelar (doenças, feridas etc.). vtd 4 Fazer perder algum defeito moral ou hábito prejudicial: Essa reprovação curou-o para sempre, e hoje ele encontra no estudo a melhor distração. Quem o curará dessa melancolia? vpr 5 Emendar-se de algum defeito moral ou hábito prejudicial. vtd 6 Remediar: Só o arrependimento pode curar as dores do pecado. Você não o curará com palavrasvint 7 Fazer a cura: Essas ervas curam, realmente. vint 8 Exercer a medicina: Este médico não vive só de curarvti 9 Cuidar, tratar: Não curo de saber o que pensam a meu respeitovtd 10 Secar ao fumeiro, ao sol ou simplesmente ao ar: Curar carne, peixe, queijo etc. vtd 11 Branquear, expondo ao sol: Curar o linho.vtd 12 Tecn Aperfeiçoar por transformação química (p ex, borracha, por vulcanização; plásticos, pelo tratamento com calor ou substâncias químicas, para torná-los infusíveis e insolúveis; concreto fresco, pela manutenção das condições próprias de umidade e temperatura).



Sabemos que a química, é uma doença incurável, progressiva e fatal, quando não tratada adequadamente, isso significa que se o dependente não parar de usar droga, sua doença irá progredir.

E lembrando porque uma pessoa usa drogas?

Ela estabeleceu comportamentos em sua vida, dos mais variáveis possíveis onde a droga lhe serve de muleta. seja pra não se sentir triste, pra se divertir, pra ficar ligado, pra fazer parte da turma, são infinitos motivos que levam alguém a usar drogas...por isso a complexidade do seu tratamento.

No meu modo de enxergar o mundo, não existe separação entre o espiritual e o material, tudo está interligado, um influência no outro, explico: Quando as pessoas já não encontram mais a felicidade o bem estar no mundo material, elas tendem a buscar esse conforto no mundo espiritual em suas infinitas formas de manifestação (diversas religiões) e quando ela encontra esse conforto, o bem estar a felicidade age diretamente no mundo material, ela se sente mais motivada, mais disposta, feliz e isso contribui para que a vida dela melhore em todos os aspectos, saúde, profissional, relacionamento, etc.

A cura da dependência química é diária, não a toa o maior grupo de apoio do mundo NA usa essa frase "Só Por Hoje Funciona".

Digo isso porque um dos piores sintomas dessa doença é o autoengano, eu convivi de perto, alias convivo com um dependente químico que entrava na igreja e acreditava ter saído curado....se Deus o curou pra que vigiar seus comportamentos?? Pra que se transformar...se ele já havia sido transformado? E nisso as recaídas aconteciam de tempos em tempos.

Hoje após a ibogaína que auxilia na abstinência e a busca pela transformação que ele tem lutado dentro da igreja, ele tem conseguido encontrar a sua cura diária...a sua rendição...a sua renovação.

Hoje ele observa seus comportamentos e identifica quais comportamentos que o levam a recaída e luta contra esses comportamentos buscando auxilio em sua fé, em Deus..para vencer Só Por Hoje essa batalha.

Peço a todos muito cuidado em deixar toda a responsabilidade pela "cura" em algo externo....não se esqueça de fazer a sua parte..."orai e vigiai" e o que vc não puder ai vc busca forças na sua fé, seja ela qual for.

Um grande abraço a todos...e aproveitando já desejo um feliz natal e feliz ano novo...

Que possamos renovar nossa energia e fortalecer nosso amor a cada dia de nossa vida




segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O que aprendi com alguns usuários na cracolândia



Entre os dias 06 e 13 de dezembro aconteceu o 3º Festival de Direitos Humanos em São Paulo, como eu já havia comentado no post anterior. Algumas das atrações aconteceram na Luz, mais precisamente na região conhecida como "cracolândia". Tive a oportunidade de estar presente em duas delas e presenciar algumas coisas que certamente me enriqueceram muito como ser humano.

Já falei aqui sobre a grande diferença que notei logo na saída da estação Júlio Prestes. A antiga "favelinha" não existe mais e o fluxo agora está concentrado apenas na Alameda Dino Bueno, praticamente entre a Rua Helvétia e a Alameda Glete, ou seja, um lado de um quarteirão. Isso não foi ninguém que me contou, eu mesma vi, tanto as 18h, quando cheguei para a sessão de cinema, quanto as 22:30h, ao ir embora. Só aí já dá para perceber que algo mudou.

Mas hoje gostaria de compartilhar o que aprendi com alguns moradores da região (como não irei lembrar os nomes, vou citar pela ordem em que os ouvi): 

  • O 1º participou da roda de debate na segunda-feira, dia 07/12. Ao ser questionado sobre redução de danos disse que só queria sair daquele "inferno". Que entrou para o programa "De Braços Abertos", estava indo bem, já tinham conseguido um trabalho para ele fora do programa, mas seus colegas de trabalho descobriram sua origem e passaram a descriminá-lo. Depois de muita humilhação não aguentou a pressão, acabou recaindo, largando o programa e voltando para a rua.


O programa tem ajudado muita gente. Ele dá dignidade, moradia, alimentação e trabalho. Trata os participantes não como drogados, mas como seres humanos que são e como tal, tem direito à tudo isso. Infelizmente o preconceito é imenso e isso acaba dificultando a reinserção dessas pessoas na sociedade.

  • A 2ª foi uma mulher. Estava limpa e bem vestida, nada bagunçada. É bem sociável, conversava normalmente, não parecia usuária nem moradora de rua, mas é. Mantém contato com a mãe e de vez em quando vai vê-la. 


Aquela história de que os usuários viram zumbis e só vivem em função da droga não é verdade. Existem vários tipos de usuários e níveis de dependência. Alguns conseguem manter certo controle sobre a droga e não se deixam dominar totalmente pelo vício. 

  • O 3º me chamou atenção pois falou que fuma crack, mas não bebe pois cresceu vendo o pai alcoólatra bater na mãe.


"O governo quer acabar com o crack mas não tem moral pra vetar comercial de cerveja"*. A droga que causa mais gastos para o governo com saúde pública, que tem mais usuários, que mais causa violência doméstica, mortes por acidentes de trânsito, etc... não é o crack, é o álcool. Fica a reflexão...

  • O 4º é alcoólatra. Passou por internação de dois meses do Programa Recomeço, do governo estadual. Apesar da maioria reclamar de violência e maus tratos nesse tipo de internação, esse homem disse que para ele funcionou. Mas assim que saiu reencontrou "amigos" que o chamaram para ir pro boteco, e aí não parou mais de beber. Ele fez questão de contar a todos sua história, que chegou a cursar faculdade de teologia. Ao me ver sentada puxou assunto, mas não sem antes se mostrar constrangido pelo fato de estar alcoolizado. Ele disse: "eu bebo cachaça, desculpa, eu sei que o cheiro é horrível (tampando a boca)". Me mostrou seu papel de alta da clínica, onde estava escrito que ele deveria continuar o tratamento no CAPSAD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas). Me disse que gosta de cantar e me mostrou a música que estavam ensaiando para o natal. Ah, também fez questão de falar que tem facebook.


Sabemos que dois meses de internação não vai tirar ninguém definitivamente das drogas. Mas pode sim ser uma ajuda para quem deseja parar. Ou ao menos uma pausa para a pessoa pensar um pouco e se recuperar fisicamente. Mas a continuidade deveria incluir moradia, alimentação e trabalho. Por que não encaminhar quem sai do Recomeço direto para o De Braços Abertos? Questões políticas (um é do governo estadual, o outro da prefeitura). Tratamento apenas no CAPS é pouco, pois sem ter para onde ir a pessoa acaba sendo obrigada a voltar para a rua e aí acaba voltando ao uso, até para aguentar a difícil realidade de morar na rua. 
Outra coisa que me chamou atenção (não apenas no caso dele mas também de outros que chegavam no meio da roda, falavam e iam embora) é a vontade de ser ouvido. Ao contar suas histórias é como se dissessem: "Ei, eu existo! Nem sempre fui um 'noiado'. Não vou te roubar. Só quero ser tratado como gente. Quero um pouco de atenção." Enquanto nós estamos conectados quase que 24h por dia, postando cada passo que damos e esperando quase que ansiosamente para ver quantas curtidas iremos receber... eles estão ali, esquecidos pela sociedade, invisíveis. Mas continuam sendo gente e tendo as mesmas necessidades que nós. Nem preciso dizer como é emblemático o fato dele fazer questão de falar que tem facebook.

  • O 5º é um senhor chileno. Estava na roda depois da apresentação do filme "O Invasor" na quarta-feira, 09/12. Não quis falar muito. Quando perguntando há quanto tempo vive na cracolândia ele respondeu 20 anos!


Outro mito derrubado: de que quem usa crack com frequência morre em poucos anos. O cara está alí desde o início da formação da cracolândia, quando o crack começou a ser vendido no Brasil. Essas pessoas não podem ser vistas como algo que enfeia a cidade, que deve ser varrido de lá, mas como parte fixa da cidade. Devemos pensar que para eles aquelas ruas são a sua casa, espaço que ocupam a muito tempo. Alguns não querem sair, e acho que devemos respeitar isso. Mas também dar opções. Saindo ou ficando, mais dignidade, para todos.



Depois da roda ele estava conversando com um dos caras do Casa Rodante e me chamou. Fui até eles, ele disse: "é bom ver uma mulher bonita de verdade aqui, não essas (se referindo às usuárias)". Do jeito que ele falou não soou ofensivo. Foi um elogio sincero e ao mesmo tempo um tipo de agradecimento, pois apesar de eu ser "normal", estava ali com eles, de igual para igual. É claro que isso deveria ser a regra mas a gente sabe que infelizmente é exceção. Aí se vê que apesar da gente não ser nada, "um simples sorriso, as vezes um olhar"** pode fazer toda a diferença no dia de uma pessoa. São gente com problemas e sonhos, iguais a nós. Ele me falou que sua esposa é viciada em crack e que está fora do programa pois arrumou confusão e foi presa (agora já está solta). Ele tem onde ficar mas muitas vezes deixa a cama no hotel, pega seu cobertor e vai fazer companhia pra ela na rua. Me disse que seu sonho é arrumar um emprego e poder tirá-la da região, pois vivendo lá ela consome muito crack. O que dizer? Me vi ali... Queria ficar mais tempo conversando com ele mas tive que ir embora. Ele pediu para eu voltar mais vezes. E eu quero voltar sim.

* Música "Duas de Cinco" - Criolo
** Música "Ainda Há Tempo" - Criolo

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Nova Fase

Nessa semana está acontecendo o 3º Festival de Direitos Humanos em São Paulo. A programação está cheeeeeia de coisa boa, ocupando diversos espaços públicos com arte, cultura e debates importantes. 



Na segunda, dia 07/12, teve uma roda de conversa sobre Redução de Danos e Cidadania nas Ruas da Luz, promovida pelo pessoal do Casa Rodante, que é um coletivo presente na região da "cracolândia" fazendo intervenções com  usuários e a vizinhança. 


Eu fui. Para mim foi um choque ver esse lugar assim: 


E não assim:


Não que o fluxo tenha deixado de existir, foi mudado de lugar. Mas sem a favelinha, o que já é alguma coisa. Mas irei falar mais disso depois. Só citei isso agora pois foi algo que mexeu comigo realmente. Da última vez que fui lá, buscar o "homi", estava igual a segunda foto, então foi um susto ver essa diferença gritante.

Até aqui nosso blog focou mais na questão da codependência, até porque era a minha realidade e da Kel, estávamos em recuperação. Agora que ambas já estão bem resolvidas, o blog deu uma esfriada, pois ninguém sabia direito o que postar. Mas depois desse contato novamente com o tema drogas, assim cara a cara com as pessoas, no lugar com a maior concentração de usuários de crack do Brasil (dizem até do mundo), percebi que isso não acaba aqui, pelo menos não pra mim.

Sempre achei o tema fascinante, mesmo antes de me envolver com um adicto. Sempre curti filmes, e séries que falassem de drogas, vícios, loucura, etc. Depois então, me interessei ainda mais. Só que primeiro meu foco era em tentar salvar o "homi", depois (que entendi que não podia salvar ninguém) passou a ser a codependência e minha recuperação. Agora acho que chegou a hora de ampliar os horizontes e falar de tudo que envolva drogas. Algo que eu sempre quis fazer.

Percebi que isso é algo que realmente me move. Lembrei de quando tomei ayahuasca e pensei em largar a engenharia rsrs. O chá nos deixa mais sensíveis e assim tive contato com o desejo do meu coração e ele pulsou tão forte que não tive dúvidas: é isso que eu quero. Agora, depois de tanto tempo deixando isso pra lá, fingindo que não tava ali, veio à tona. Minha vontade de trabalhar com isso não morreu.

Sei que não sou nenhuma especialista no assunto, mas tenho um pouco de conhecimento de prática, vontade de aprender e paixão pela causa. É por isso que estou retomando as postagens e também criando uma página no facebook, para divulgar mais o blog: 




Curtam a página, acompanhem o blog! Ele vai voltar a ser atualizado com frequência. Eu prometo :)
Obrigada por estarem com a gente até aqui... #TMJ

Ellen  ^^