terça-feira, 11 de agosto de 2015

Ciclos de um dependente quimico

Por Kel.

Não sou especialista formada em dependência quimica, não sou psiquiatra, psicóloga nem terapeuta, o que vou dizer abaixo é baseado nas minhas vivências e na observação de outras histórias de várias companheiras codependentes.

Normalmente imaginamos que um dependente químico é aquela pessoa que não vive sem usar drogas, nunca, que suas crises de abstinência são quase que diárias e eles não fazem outra coisa da vida a não ser pensar em usar drogas.

Acredito que essa visão está um tanto quanto equivocada, pelo que vocês podem observar, nos relatos das blogueiras, constantemente seus companheiros, ficam grandes períodos limpos, que variam de 3 meses há uns 7 meses.

O homi, também enquanto morávamos juntos em média ficava 3 meses limpos, até que recaia, quando se segurava bem chegava há quase 6 meses, porém daquele jeito como dizem "mordendo corrente" (irritadíssimo), não a toa, nós com frequência acreditamos que daquela vez seria diferente.

Se avaliarmos um relacionamento de 5 anos, onde as recaídas aconteciam a cada 3 meses, temos o número de 20 recaídas, ou seja 20 dias usando drogas em um período de 1825 dias.

Entendem como é fácil se manter a esperança e se enganar?

Afinal de contas, nos mostram que os dependentes químicos que estão adoecidos são apenas aqueles que já perderam o controle da própria vida.


O que não é verdade.

Eu já presenciei uma psiquiatra dizendo ao meu marido que ele não era viciado, que o caso dele era considerado apenas um uso de drogas recreativo, porque ele ainda não estava no estado acima.

Imagina um dependente químico ouvindo isso de um "especialista", se ele já acha que não tem problema algum ....pra não dizer outra coisa...ferrou...rs

O que tenho observado é que cada dependente químico tem um ciclo de abstinência, que vária de pessoa pra pessoa.

Existem dependentes químicos que podem passar o resto da vida usando drogas com períodos espaçados, o que da a ele a impressão que tem o controle e que não está doente.

O escritor Içami Itiba em seu livro Anjos Caídos diz que o grande problema do cocainômano, é que fora dos períodos de crise ele funciona perfeitamente, então fica muito dificil dele perceber o problema que ocorre em sua vida.

Entendem agora como é fácil se iludir e permanecer nessa vida?

A vida de um dependente químico em sua maioria passa longe da cena avistada acima, isso repito é apenas a PONTA DO ICEBERG.

Acreditem ou não, existem pessoas famosas, não somente artistas, mas pessoas que tem muito dinheiro, cujo familiares chegam a fechar o andar de um hospital para trata-lo,  para que não vaze pra mídia o problema de uso de drogas.

Falo isso não porque eu ouvi falar, mas porque conheço pessoas que trabalham em hospital e já relataram tal caso.

Portando você que vive junto a um dependente químico, preste atenção nesses períodos pra não entrar no autoengano junto com seu ente querido.

A recuperação acontece quando o dependente químico por si só toma as atitudes necessárias para se manter longe das drogas, ele não se subestima e tem medo de voltar a usar, ele muda seus hábitos sem muitas reclamações, pois sabe que se recair quem vai se ferrar é ele mesmo.

Cabe a nós, não ficarmos pegando pela mão e levando onde ele mesmo tem que ir com as próprias pernas.

Cabe a nós somente ama-lo e permitir que façam suas escolhas e nos preservarmos, deixando bem claro, mas bem claro mesmo...que eu te amo...eu te aceito, mas não concordo e nem aceito o uso de drogas, portanto se quiser escolher essa vida, terá de vive-la longe de mim.

Fiquem com Deus...

Força galera...nada está sobre o nosso controle...quanto mais a vida alheia!


6 comentários:

  1. Falou tudo! Parabéns! Quem nunca ouviu uma besteira desse tipo de um "especialista"? É uma merda... Tem muito psicólogo e psiquiatra por aí que não se especializa no assunto, que não sabe bosta nenhuma de dependência química, aí aceita tratar um dependente só pelo dinheiro da consulta e fala merda... Só piora a situação, porque eles sempre acham que não são doentes, ou que o problema dele não é tão grave quanto é... O meu ouvia isso direto. Apesar do ciclo dele ser curto (de 2 a 3 meses... antes era maior mas com o tempo só foi diminuindo), quando ele saía da ativa voltava ao normal muito rápido, comia muito, ganhava peso de novo, sempre gostou de academia e ganhava músculo com facilidade. Então chegava lá no consultório todo bonitão, ninguém falava que ele usava droga... Muito menos crack... Ninguém dizia que era o mesmo cara que virava 3, 4 dias direto na rua usando pedra sem parar pra comer nem pra dormir... Que chegava em casa "seco" (não literalmente, mas contrastando como ele estava antes a diferença era visível), todo sujo, descalço... Enfim... Também não sou especialista, nunca fiz um curso mas acredito que nosso conhecimento empírico é muitas vezes mais útil que diplomas... Nem digo por mim, mas a Janete por exemplo, que está no AE a muito tempo... Olha quanto conhecimento ela tem... Só de contar pra ela um acontecido ela já sente cheiro de manipulação de longe rs... Fia, papel muitas vezes não quer dizer muita coisa.. Por isso hoje eu vejo que o problema de drogas no Brasil é beeem pior do que parece. Porque são poucos profissionais que realmente sabem lhe dar com o assunto. Hoje vejo que se for pra levar em qualquer psicólogo ou psiquiatra é melhor nem levar... Se não for um cara que já trabalha com dependêcia química nem adianta... Porque infelizmente quem não tem experiência na área comete erros gravíssimos, que só pioram a situação... Mesma coisa digo de clínicas... Tem muitas que só visam dinheiro e é só perda de tempo (e de dinheiro, lógico) colocar o dq lá... É tudo muito caro e as vezes o resultado é o contrário...

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  2. Antes de tentar uma internação joguei meu tempo e meu dindin suado passando pelos psicólogos e psiquiatras da cidade pra ouvir todas as besteiras e absurdos imagináveis. Um me disse beeem na frente do menino: deixa ele usar, que mal tem, na faculdade todo mundo usa, é assim mesmo. Saí de lá sem chão e o fofo de peito estufado cheio de razão. Outros me enchiam a mão de receitas dos mais fortes calmantes e antidepressivos pra drogar mais ainda o drogado. Moral da história, perdi minha fé até prova em contrário nesse tipo de ajuda. Nas minhas andanças não encontrei até hoje nenhum com capacidade real de ajudar. Até mesmo os que trabalham em clinicas, fazem lá sua médiazinha, batem um papinho, defendem seu salario mas quando a familia vai perguntar a resposta é bem decoradinha porque é sempre igual pra todos. Os melhores psicólogos que encontrei até hoje foram o Dr Suor do Rosto e a Dra Enxada. Moleque tá uma beleza!!!!!

    Janete

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  3. Parabéns kel. Adorei post sobre o ciclo, o meu marido vive exatamente assim, são meses longe do vício.... pele bonita, corpo sarado, ninguém diz que "era" viciado. O grande problema do codependente é ter "memória fraca", kkkkk até a gente mesmo esquece que ele é um adicto em recuperação, daí vamos criando expectativas vazias até que vem a recaída. ... ficamos sem chão e decepcionada por ter criado tantas expectativas. Estou vivendo exatamente isso, mas já tomei minha decisão e essa será a última vez que passo por isso. Pedi para ele sair de casa e viver a vida dele da forma que ele quiser, não sou responsável pela merda de vida que ele quer levar. Eu sou a única responsável pela minha felicidade e nunca serei feliz ao lado dele!!! São 13 anos nesse mesmo ciclo e já está na hora de mudar meu foco. Orem por mim, bjs e obrigado por tudo.

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  4. Fico feliz por vocês meninas, Janete por seu filho estar se acertando, andando por conta própria... E por você Carla por estar decidida... Isso mesmo, lute pela SUA felicidade, a dele ele vai buscar ou não, mas não depende de você... Se ele quiser continuar se enganando problema é dele, o importante é você não se enganar mais... leia o texto anterior Insights, nele falo dos ciclos também... bjos

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  5. Ola queridos(as)! Kel, muito bem colocado os "ciclos", vou pegar o seu gancho e elaborar melhor depois. Porém, gostaria de deixar aqui um pequeno comentário sobre como somos descrentes da medicina quando o assunto é DQ... De todas as áreas médicas, provavelmente a neurociência é a que ainda engatinha frente as outras, MAS isso não significa que devemos desconsiderá-la. Bons e dedicados profissionais estão por ai... Beijos

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  6. ainda me impressiono com o preconceito que se têm a respeito que se têm em relação á doenças reconhecidas pela OMS , como a depressão e a dependência química.. tenho depressão endógena desde a infância ... tenho crises severas desde os 13 anos e comecei a tomar medicação com 15 .. hoje tenho 38 anos e ao longo da vida percebi o julgamento moral que se faz a respeito de certas deficiências e enfermidades.. por mais que a ciência avance a depressão é considerada frescura ou preguiça , e dependentes químicos são julgados sem piedade por seus parceiros ... nesses casos a dependência química justifica tudo , a falta de respeito pelo cônjuge adicto e mesmo justifica traições .. será que existe tanta diferença assim entre vícios morais e vícios orgânicos ... não defendo o uso de drogas . mas ja acompanhei de perto alguns casos em que no casal , o mais equilibrado e correto era o dependente ... li acima casos de esposas fartas porque o marido enfiava o pé na jaca a cada 3 ou 6 meses... segundo elas antes disso eles são ótimos ... e elas... quantas vezes em 3 ou 6 meses foram seres humanos terríveis , maltrataram ou negligenciaram o parceiro ?? ah é... como vícios morais não são perceptíveis vamos trucidar os dependentes físicos , que expressam suas ulnerabilidades e dificuldades.

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