quarta-feira, 20 de maio de 2015

TPM: o despertar do Sofrimento Coletivo Feminino

Por E.

Trechos retirados do livro O poder do Agora, de Eckhart Tolle.


O sofrimento tem um aspecto coletivo e um individual. O aspecto individual é o resíduo acumulado de problemas e sofrimentos emocionais que a própria pessoa vivenciou no passado. O aspecto coletivo é o sofrimento acumulado na psique da humanidade por milhares de anos, através de doenças, torturas, guerras, assassinatos, crueldades, etc. O sofrimento de cada um de nós também participa desse sofrimento coletivo. Certos países, onde ocorreram formas extremas de violência, possuem um sofrimento coletivo mais intenso do que outros. Qualquer pessoa com um forte sofrimento e sem consciência bastante para se desligar dele não só será forçada, de modo contínuo ou periódico, a reviver o sofrimento emocional, mas também pode facilmente se tornar autor ou vítima da violência. Por outro lado essas pessoas podem estar mais próximas da iluminação. Claro que esse potencial nem sempre se realiza, mas, se você tiver um pesadelo, provavelmente terá mais motivos para despertar do que alguém que acabou de ter um sonho.
Além do sofrimento pessoal, cada mulher tem participação naquilo que pode ser descrito como o sofrimento coletivo feminino, a menos que ela esteja plenamente consciente. Consiste no sofrimento acumulado vivido por cada mulher, em parte pela dominação dos homens sobre as mulheres, pela escravidão, exploração, estupro, etc., durante milhares de anos. 
O sofrimento físico e emocional, que para muitas precede e coincide com o fluxo menstrual, é o sofrimento em seu aspecto coletivo despertando da sua dormência naquele momento. Ele restringe o livre fluxo de energia vital através do corpo, da qual a menstruação é uma manifestação fisica.
Com frequência a mulher é "dominada" pelo sofrimento físico e emocional nesse período. Ele tem uma carga energética poderosa, que pode facilmente empurrá-la para uma para uma identificação inconsciente com ele. Você é, então, possuída por um campo de energia que ocupa o seu espaço interior e finge ser você _ mas não é você de jeito nenhum. Ele fala través de você, age através de você, pensa através de você. Vai criar situações negativas em sua vida de tal modo que ele possa se alimentar da energia. Esse processo pode ser vicioso e destrutivo. É o sofrimento puro, o sofrimento do passado, e não é você.
O número de mulheres que estão se aproximando do estado de consciência plena já ultrapassa o dos homens e vai crescer ainda mais rápido nos próximos anos. As mulheres estão recuperando a função que é um direito natural delas: ser uma ponte entre o mundo manifesto e o Não manifesto, materialidade e o espiritual. A sua tarefa principal agora, como mulher, é transformar o sofrimento e forma que ele não mais se interponha entre você e o seu verdadeiro eu interior.
A primeira coisa para lembrar é que, enquanto você construir a sua identidade em função do sofrimento, não conseguirá se livrar dele. Enquanto investir uma parte do seu sentido de eu interior no seu sofrimento emocional, você vai resistir ou sabotar, inconscientemente, cada tentativa para curar o sofrimento. Por quê? Porque você quer se manter inteiro e o sofrimento se tornou uma parte de você. Esse é um processo inconsciente e o único caminho para superá-lo é torná-lo consciente.
No momento em que percebe que você tem estado presa ao sofrimento você rompe com a ligação. O sofrimento é um campo de energia, quase como uma entidade que se alojou no seu espaço interior. É a energia da vida que foi aprisionada, uma energia que não está mais fluindo. Claro que o sofrimento está ali por causa de certas coisas que aconteceram no passado. Ele é o passado vivo em você. E se você se identifica com ele, se identifica com o passado. Uma identidade-vítima acredita que o passado é mais poderoso do que o presente, o que não é verdade. É a crença de que outras pessoas e o que fizeram a você são responsáveis pelo que você é hoje, pelo seu sofrimento emocional. A verdade é que o único poder está bem aqui neste momento: o poder da sua presença. Uma vez que saiba disso, perceberá também que só você é responsável pelo seu espaço interior e que o passado não consegue prevalecer contra o poder do Agora.
Algumas mulheres, conscientes o bastante para abandonar a identidade de vítima no nível pessoal, ainda estão presas a uma identidade coletiva de vítima, que atribuem ao que "os homens fizeram as mulheres". Elas estão certas e também erradas. Certas porque o sofrimento coletivo feminino é, em grande parte, decorrente da violência masculina infligida às mulheres, bem como da repressão dos princípios femininos por todo o planeta, por milênios. Estão erradas se extraírem o sentido do eu interior desse fato. Se uma mulher continua agarrada a raiva, a ressentimentos ou condenações, ela continua agarrada ao sofrimento. Isso pode dar a ela um reconfortante sentido de identidade, de solidariedade com outras mulheres, mas a mantém escravizada ao passado e bloqueia um acesso integral à sua essência e ao poder verdadeiro.
Assim, não use o sofrimento para criar uma identidade, use-o para a iluminação. Transforme-o em consciência. Uma das melhores épocas para fazer isso é durante a menstruação. Normalmente, esse é um tempo de inconsciência para muitas mulheres, porque são dominadas pelo sofrimento coletivo feminino. Entretanto, você pode reverter isso uma vez que tenha alcançado um determinado nível de consciência, e assim, em vez de se tornar inconsciente, você fica mais consciente.
Quando você percebe que o período menstrual está se aproximando, antes mesmo de sentir os primeiros sinais do que é chamado de TPM (o despertar do sofrimento coletivo feminino) mantenha-se muito alerta e ocupe o seu corpo o mais que puder. Quando o primeiro sinal aparecer você vai precisar estar muito alerta para agarrá-lo antes que ele domine você. O primeiro sinal pode ser uma grande e súbita irritação ou um lampejo de raiva, ou simplesmente um sintoma físico. Seja o que for, agarre-o antes que ele domine o seu pensamento e comportamento. Isso significa colocar o foco da sua atenção sobre ele. Saber que se trata do sofrimento e, ao mesmo tempo, ser o conhecedor, o que significa perceber a sua presença consciente e sentir o seu poder. Qualquer emoção cede e se transforma quando colocamos a presença sobre ela. Se for um sintoma físico a atenção que você der a ele vai evitar que se transforme em uma emoção ou pensamento. Continue alerta e espero o próximo sinal de sofrimento. Quando ele aparecer, agarre-o de novo, do mesmo jeito que antes.
Mais tarde, quando o sofrimento tiver despertado totalmente do seu estado de dormência, você poderá vivenciar uma considerável turbulência em seu espaço interior por uns momentos, talvez até por dias. Esteja presente. Dê a ele sua atenção completa. Observe a turbulência dentro de você. Perceba que ela está lá. Sustente o conhecimento e seja o conhecedor. Lembre-se: não permita que o sofrimento use a sua mente e domine o seu pensamento. Observe-o. Atenção completa significa aceitação completa.
Através de uma atenção continuada e, portanto da aceitação, vem a transformação. O sofrimento se transforma em consciência radiante, assim como um pedaço de lenha colocado dentro do fogo se transforma em fogo. A menstruação irá então se tornar, não só uma expressão de alegria e realização da sua feminilidade, mas também um tempo sagrado de transformação, quando você faz nascer uma nova consciência. A sua verdadeira natureza então reluz lá fora, tanto em seu aspecto feminino como a Deusa quanto em seu aspecto transcendental do Ser que ultrapassa a dualidade masculino/feminino.

6 comentários:

  1. Qual a melhor forma de dominar um ser que pode ir de contra aos seus planos? Fazer acreditar que ele é incapaz, culpado, pela violência...coincidência ou não...as mulheres são postas dessa forma desde que o mundo é mundo? Por que somos frágeis? Não porque podemos mudar o mundo pra melhor...excelente texto...simplesmente DEMAISSS

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  2. Com certeza não é coincidência! Nos tratam assim por terem medo de nós. E com razão, somos foda kkk

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  3. Amei o texto!
    Quem pode sangrar por até 5 ou 6 dias e ainda sim, estar ali pronta para o trabalho, para as batalhas da vida com um sorriso no rosto???
    só nós mulheres!!!
    bjss

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  4. E viva a menopausa!!!!! Pensa numa velha feliz!!!! KKKKKK


    Janete

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    1. Kkkkkkk....
      Quando cheguei à adolescência e comecei a menstruar não via a hora de entrar na menopausa kkk.... ô troço chato viu...
      Deve ser um alívio rs

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