terça-feira, 5 de maio de 2015

Quem nunca...

Por Kel.

Quem nunca sentiu ódio, raiva, amor, desespero e esperança, leiam esse trecho:


Hoje enfrento...a cobrança sobre mim mesma....eu sinto ódio..e pena dele...queria muito que ele fosse embora..mais não vai...não adianta..e se eu sair terei que ir pra casa dos meus pais...e eles vão sofrer..por me verem sofrer....e por aguentar meu marido fazendo escandá-los...na porta deles...eu não quero ser responsável pelo sofrimento deles...meus filhos terão que deixar o quarto, a casa deles..pra dormir amontoados na sala..junto comigo...só por isso eu não fui embora ainda...não quero mais viver com ele..já desejei até a morte dele..quando ele sai pra usar, fico pensando será que é hoje que ele morre...tomara...me sinto horrível depois...to cansada só isso...desejo demais que ele seja feliz..muito feliz...mais eu não consigo mais viver com uma pessoa...que me enxerga e me trata como objeto o tempo todo...esquece que eu tenho sentimentos...cansei é isso (25/11/2011)


Conseguem sentir todos os sentimentos que relatei acima ao ler esse pedido de ajuda, desesperado?


É...é normal, não digo normal...mas é assim que se sente uma pessoa que convive com a dependência química tentando salvar seu familiar, uma pessoa que ainda não buscou ajuda, que não tem ideia que está adoecida e afundada na codependência.


Não se culpe, nunca se culpe....você apenas não sabia lidar com o turbilhão de sentimentos que acontecia dentro de você, gostaria de lembra-los de uma coisa, não há nada que possamos fazer para que eles parem,como eles próprios afirmam:


“Um adicto pode ser analisado, aconselhado, persuadido, pode se rezar por ele, pode ser amarrado, surrado ou trancado, mas não irá parar até que queira parar “.
Texto Básico, p. 70, livro Só Por Hoje


Talvez uma das verdades mais difíceis de encarar em nossa recuperação seja: somos tão impotentes perante a adicção do outro, quanto somo em relação à nossa. Podemos pensar que por termos tido um despertar espiritual em nossas vidas, deveríamos ser capazes de persuadir o outro adicto a encontrar recuperação. Mas há limites Mas há limites no que podemos fazer para ajudar outro adicto.
Não podemos forçá-lo a parar de usar. Não podemos dar-lhe o resultado dos passos ou crescer por ele. Não podemos tirar-lhe sua solidão nem sua dor. Não há nada que possamos dizer para convencer um adito amedontrado a trocar a miséria conhecida da adicção pela assustadora incerteza da recuperação. Não podemos entrar na pele de outra pessoa, mudar seus objetivos ou decidir o que é melhor para ela.
Entretanto, se nos recusamos a exercer este poder sobre a adicção dos outros, podemos ajudá-los. Eles podem crescer se permitirmos que encarem a realidade, não importa quanto ela possa ser dolorosa. Eles podem se tornar mais produtivos, à sua própria maneira, desde que não tentemos fazer por eles. Eles podem se tornar autoridades em suas próprias vidas, já que somos autoridades apenas em nossas próprias. Se aceitarmos tudo isso, poderemos fazer o que se deve – levar a mensagem, não o adicto. (Texto extraído do Facebook  Comunidade Terapêutica Vitória)
.


Acredito que é nesse momento que iniciamos o desligamento, quando entendemos que somos impotentes e não podemos fazer nada, mais nada por eles, a não ser por nós mesmos.


Lutar contra a impotência é uma guerra perdida, simplesmente não adianta e isso não acontece somente com a doença da adicção, essa é a nossa realidade, não podemos curar nem a adicção, nem o câncer, a AIDS, ou qualquer outra doença incurável que coloque em risco a vida de quem amamos.

Isso é um fato, não é ser pessimista....

Aceitar a nossa impotência não significa não ligar, ou se conformar, significa entender nosso papel, entender do que realmente somos capazes e investir nisso, na nossa capacidade.

Esse é apenas o primeiro passo....que é preciso dar...se não damos esse passo o milagre da transformação não acontece, teremos nossa vida, nossa felicidade eternamente ligada a atitudes de outras pessoas.

Se liberte, aceite, entregue e confie...em Deus (da maneira que você concebe) e assista o milagre da transformação.

Aquele texto escrito inicialmente, foi meu pedido de socorro, quando eu já estava com a lama no pescoço e não sabia mais pra onde ir, parei de cavar, olhei pra cima, hoje estou aqui.

GRATA

Deixo uma meditação de 6 minutos, convido a vocês a orarem comigo:





4 comentários:

  1. Perfeito Kel... super me identifico!
    Pq eu tbm passei por esses mau bocados! Sofri e chorei largado... como diz a música do Cristiano Araújo.
    Infelizmente com a corda no pescoço, a lama nos afundando e não saímos por nosso medo, insegurança, vergonha, não dar sofrimento aos nossos pais, no meu caso minha tia...
    Graças a Deus saimos disso, nos readaptamos junto aos que nos amam. Os fizemos sofrer? sim, mas estavam sofrendo muito mais, nos vendo perdidas, sem vida, sem alegrias envoltas de dor e sofrimento.
    Ontem uma amiga q vende roupas de criança, a qual eu comprei muitas coisas pro filho do meu ex (notem que não falo mais marido) e ela me disse que ia até a casa dele, que a minha ex sogra queria comprar uma coisas... pedi pra ela, não quero saber nada dele, nem deles, nada!! Não me conte! Se falarem muda o assunto e não sobre mim, não quero e não quero saber. Ela disse ok.
    Ai as onze da noite me manda uma msg, que gostaria de me ver pessoalmente pra bater um papo... ai eu disse, se é pr me contar de lá eu não quero saber... um pouco depois começou... te defendi pra tua sogra e disse que era pra ela se por em lugar de mulher e não de mãe... entre outras coisa.
    Gente fiquei furiosa, enojada!! Em primeiro lugar se tu diz pra uma AMIGA não falar de vc e não te contar se falar, essa pessoa deve fazer como foi pedido, pois em primeiro lugar é sua amiga! Segundo porque eles acham que fiz errado, deveria estar com ele... mas ninguém ia na minha casa e dizer o fulano essa vida é ilusória, tais acabando com a tua vida, com teu casamento! Ou seja enquanto tiveram eu levando uma casamento nas costas, as preocupações e noites em claro sozinha eu prestava, agora que o problema está na casa deles eu não presto?!!!
    Ai chamei minha tia, contei e ela me disse... é ruim? sim, mas não liga, não pensa, foca em ti, tens de volta uma nova vida em família, longe desse mundo de drogas, de sofrimentos... Voltasse a ter boas amizades, a ter liberdade... pensa nas coisas boas e esquece isso!
    E claro a Flor, linda, querida tbm me tirou da loucura que eu tinha voltado a viver naquele instante...
    Hoje estou melhor!
    A convivência com um adicto é extremamente difícil, pois não há resgate... com um na ativa então piorou! Mas quando começamos a olhar pra nós a nos abrir e ver além as coisas começam a mudar... quando eles resolvem se ajudar como nós é ótimo pois as dificuldades podem ser superadas juntos (mesmo que em casas diferentes, em cidades diferentes), mas quando o code quer o adicto não... os valores mudam e poucos ficam juntos, muitos seguem... eu optei seguir...
    Não quero mais essa loucura, insanidade e tortura pra mim!! Nunca mais... e afirmo isso pra mim todas as manhãs... sph tem dado dado certo!
    Olhem pra si, amem-se!
    bjs meninas

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    1. Aquela coisa que não mudamos o outro...o outro não é só o adicto....mas todos ao nosso redor, nem a familia, nem os amigos..ninguém...frases de Gandhi..rs... Não podemos mudar a maneira como as pessoas nos tratam, ou aquilo que elas falam sobre nós. Tudo o que podemos fazer é mudar a maneira como reagimos a isso....bjus

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  2. Bem isso mesmo, Kel. Tem uma frase que diz "Incomodou, doeu? Leva pra casa que eh teu." Ai ai, não eh mole não... Kkkk bjs

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