segunda-feira, 4 de maio de 2015

Eu queria ter uma bomba

Por E.

Eu Queria Ter Uma Bomba

Cazuza

Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder me livrar
Do prático efeito
Das tuas frases feitas
Das tuas noites perfeitas

Solidão a dois de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto eu penso em homicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralisante qualquer
Pra poder te negar
Bem no último instante
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê


Essa música traduz exatamente o que estou passando no momento. Eu e o homi nos tornamos pessoas muito diferentes. Eu ando mais espiritualizada, voltei a ser a E. com visão crítica de mundo que eu era antes e agora buscando mais conhecimentos. Acordei da matrix, cansei de me enganar, larguei velhos hábitos, adquiri gosto por outros assuntos. Adquiri amor próprio. E ele continua a mesma pessoa. Acha que a única coisa que precisa mudar é seu temperamento (causar brigas) mas não vê que enquanto não se conhecer não vai conseguir mudar nada em si. Não tem como consertar uma coisa específica sem mexer em tudo. E é isso que ele não quer: mexer em tudo.Por isso não tomou mais ayahuasca, (que ele dizia ser a "cura" da dependência química) pois ela mexeu com sua espiritualidade, ele começou a despertar. Mas aí veio o medo, o preconceito... mais fácil acreditar que é tudo alucinação e pronto... De volta a vida "normal" onde tomar uma cervejinha é a única forma de se divertir...
Com isso nos distanciamos ("solidão a dois de dia/ faz calor depois faz frio"). Eu na minha e ele se fazendo de vítima. Aí, com saudades da coda e como forma de protesto ele termina, some por uns dias. E eu continuo na minha ("você diz já foi e eu concordo contigo"). Antigamente eu não aceitava isso de jeito nenhum, ficava desesperada quando ele falava em terminar ("você sai de perto, eu penso em suicídio"), mas agora aprendi a respeitar o livre arbítrio dele e a não cair nas suas manipulações ("mas no fundo eu nem ligo").
Como ele vê que eu não caí na manipulação e não corri atrás, ele reaparece ("você sempre volta com as mesmas notícias") querendo voltar... É nessa hora que dá uma balançada porque eu não tô muito acostumada com isso, antes era sempre eu que fazia isso. Mas pela primeira vez fui firme e disse NÃO. Não vou confiar nas suas promessas. Quer me ter de volta? Prove com atitudes, não com palavras...  Dói um pouco... Embora saiba que estou fazendo a coisa certa, dói um pouquinho, pois quando a gente gosta tem a tendência de querer acreditar. Mas agora nem se eu quisesse conseguiria acreditar... Mas dá uma certa raiva também porque você gosta da pessoa, quer que ela realmente mude, mas vê que ela só quer te iludir de novo ("eu queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer, pra poder me livrar do prático efeito das tuas frases feitas, das tuas noites perfeitas"). Eles também não deixam de ser codependentes. Eles se apegam a gente porque acabam perdendo todos os amigos devido ao uso. Assim eles se veem perdidos quando dizemos NÃO para eles, e querem voltar de qualquer jeito, tentando nos convencer com as mesmas promessas furadas de sempre...
Li alguns textos de outros blogs nesse fim de semana que mexeram comigo...

http://amandoumdependentequimico.blogspot.com.br/2015/04/o-que-estamos-fazendo-com-as-nossas.html
No blog da Poly um texto bem esclarecedor para quem ainda está no auge da codependência sair logo dessa... Me vi em várias situações descritas. Ainda bem que isso ficou no passado!

http://entaoeprimavera.blogspot.com.br/2015/04/orgulho-de-mim.html
http://entaoeprimavera.blogspot.com.br/2015/05/epilogo.html
http://entaoeprimavera.blogspot.com.br/2015/03/no-espelho.html
No blog da Flor esses três últimos textos que mostram como ela está bem melhor depois da separação (que foi por escolha do "homi"). Ela conta que ainda o ama mas aprendeu a soltar a corda e o quanto é grata por ter passado por tudo isso e saído mais fortalecida do que nunca. Nesse terceiro, "No espelho", ela conta como foi o término, os motivos alegados pelo "homi"... Os mesmos do meu... Mas no caso do meu ele quer voltar e quer que eu aceite tudo isso... Mas tô firme no NÃO rs...

http://cartasaoadicto.blogspot.com.br/2015/04/cheguei-finalmente-cheguei-la.html
No blog da Dona Barriga esse texto me tocou... Também sinto que cheguei lá. Vou colocar alguns trechos aqui mas recomendo que quem não leu leia todos os textos citados são realmente muito bons...

"...se for mais uma fase ou não, se ele for entrar em recuperação ou não, se ele resolver colocar a vida dele no lugar ou não... eu cheguei lá! Sabe aquele "lá"?!!!! É um "lá" que quase cheguei outras vezes mas nunca alcancei, quando eu estava chegando quase lá algo me segurava, me impedia, de simplesmente chegar "lá". Porque eu permitia, ou eu não me permitia.... Engraçado como a vida é quando deixamos ela seguir seu curso! Almejar, sonhar, correr atrás e de repente, chegar "lá". "

"Simplesmente cheguei "lá" e descobri que tudo bem, era o momento de deixá-lo ir, eu me permitir ir, por mais inseguro que fosse esse caminho."

"Não guardo nada, nem mágoa, nem raiva, nem ressentimento... acho que chegar "lá" é bem isso, você simplesmente não carrega mais nada, e quando todos esses sentimentos somem, você procura o que ficou e, que surpresa, não sobrou nada porque o amor já se foi faz tempo, mas ficou mascarado por todos esses outros. Meu amor (como homem e mulher) pelo Caiçara foi morrendo ao longo dos anos, a cada quebra de confiança, a cada noite sozinha, a cada aniversário do I., a cada Natal, a cada dia que ele simplesmente não estava... e assim tudo morre, se não é alimentado, cultivado, cuidado. 

Estou cavando aqui, bem no fundo, e não acho mais o amor que tinha por ele; posso ter carinho, compaixão, amizade, e tesão MAS amor, não estou achando. Aquele amor cheio de cumplicidade, de apóio, de compreensão, de comprometimento... cadê? Não estou achando. O amor que constrói, o amor que conforta, o amor que une, o amor que não se explica... cadê?

Na verdade faz um bom tempo que venho me questionando sobre o que realmente eu sinto por ele, depois de anos alguns a gente se acomoda, mistura tudo, e o liqüidificador só complica decodificar o que é, e o que não é. O fato dele ser um dependente químico pode ter acelerado o processo, talvez, ou simplesmente eu não o ame mais, independente da sua doença (meu primeiro marido não era um DQ e um dia, simplesmente o amor acabou). Ou seja, o amor pode acabar independente!

É tão mais fácil dizer eu te amo, do que "eu não te amo mais"...."

Acabei copiando quase o texto todo né, mas tudo bem... rsrs... Me identifico muito com essa parte de "mistura tudo", sinto que tô assim, misturada, já não sei diferenciar o que ainda sinto do que já senti... Se me perguntar se o amo, esse amor de homem e mulher não sei mais dizer... Pois realmente não há confiança, não há companheirismo (pois nunca pude contar com ele, só ele comigo), não há cumplicidade (mentiras e promessas vazias), não há apoio mútuo, não há comprometimento (da parte dele nunca teve)... Então o que é isso afinal? Não sei... mas sei que o tempo me fará identificar aos poucos... Sei que aquele amor incondicional, esse sim tem aumentado. Eu o amo independente de qualquer coisa, como um ser humano, quero o bem dele independente de ser comigo ou não... Prefiro vê-lo bem com outra pessoa do que infeliz... Sim, antes eu nunca imaginava falar isso, o sentimento de apego e posse eram tão grandes que eu não podia nem sonhar com a possibilidade de vê-lo longe de mim, muito menos feliz rsrs... Mas agora não... Quero o bem dele assim como quero de todo mundo e de mim também, claro... Mas sei que a única coisa que posso fazer é cuidar da minha felicidade. E é isso que eu tô fazendo!

Beijos!

4 comentários:

  1. E. passei por isso e sei que é exatamente assim!
    Mudam os cenários mas as histórias se coincidem não é mesmo?!
    Apesar do meu dq estar em crise, porque é como vc fala eu sou code e ele tbm! Eu me abalo momentaneamente, mas logo mudo as vibrações o foco e sigo.
    Minha meta hoje é bloquear isso! Não posso mais deixar me abalar.
    Volta e meia vem a minha cabeça ele, as lembranças das merdas que ele me fala, coisas infundadas, a insanidade, falta de educação e respeito com quem só o ajudou!
    Mas mudo a estação!
    Dói ainda a separação, mas não tenho mais raiva, ódio, rancor... Tenho compaixão pelo problema e sinto demais que não tenha despertado!
    Mas aceito a situação, ele e eu, como somos, nas nossas situações.
    Não me vejo mais naquela loucura, sem cabeça pra pensar, sem pensar em mim, sem vida própria! Eu estava aprisionada sem usar drogas!!
    Agora estou me redescobrindo... estou há alguns passos a frente de vc, mas vc vai chegar a essa fase!! Com ou sem ele. Porque os primeiros passos da mudança já foram dados ao nos libertarmos do sentimento de que poderíamos mudá-los e começamos a aceitação!
    Recaídas a antiga code, terão, mas devemos minimizá-las sempre!
    E nos amarmos e olharmos para nós mesmas e seguir aprendendo, crescendo e nos respeitando como ser humano, como criações do pai e como seres imperfeitos mas capazes que somos!
    TMJ
    bjksss

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  2. Rompimentos sempre são tristes com ou sem droga...vcs estão no caminho certo meninas...não por estarem dando fora da loucura apenas, mas por estarem olhando pra vcs mesmas e se redescobrindo, deixo aqui mais uma história de mais uma menina que amou demais: http://maisumamariaco-dependente.blogspot.com.br/

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  3. O legal é que não tá sendo triste pra mim... posso ficar triste por alguns instantes (por exemplo quando o homi aparece e pede pra voltar), mas passa rápido e na maior parte do tempo, principalmente quando fico sem contato com ele fico super bem... Acho que já cansei tanto que deu sabe, cheguei lá... Se eu disser que estou separada dele contra minha vontade é mentira, pois longe dele estou me sentindo muito melhor e quero continuar assim... Sinto falta as vezes (nem fico pensando muito nisso) de coisas boas, mas os momentos bons eram tão poucos comparados com os chatos... Por exemplo, pra eu passar um fim de semana com ele tinha que tolerar suas pirraças e infantilidades a semana toda, me pisando, falando pra eu não ir, terminando, etc... para no último momento ele se arrepender, pedir desculpas e pedir para eu ir vê-lo...
    Então, digamos que liguei o foda-se...

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  4. Ligar o foda-se é otemooooo!!!!
    E é assim mesmo... são homens feitos com atitudes infantis de adolescentes! Isso me irritava muito!!
    Por agora estamos bem e ficaremos melhor ainda!! bjksss

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