quarta-feira, 29 de abril de 2015

Dependência Química na Mídia Atualmente

Por E.

Oi gente...
Nesse domingo eu estava assistindo o programa da Eliana e para minha surpresa passou a história de uma mulher que perdeu o irmão para as drogas e decidiu então abrir as portas da sua casa (chácara) para ajudar voluntariamente outros dependentes químicos. O nome dela é Rosemeire. Eu fiquei emocionada porque a Rose é dessas pessoas raras que se preocupam com o próximo. Ouviu um chamado e o atendeu sem questionar... Ela estava com uma camiseta com a frase: "Ama o próximo como a si mesmo". É, felizmente algumas pessoas vivem essa frase... entenderam o que Jesus quis dizer. Para quem não viu, vale a pena ver. Pelo menos o início, que é quando mostra a clínica. Depois a Eliana enrola muito... Enfim, televisão é isso mesmo... 



Vi também uma reportagem que o Rodrigo Faro fez com uma ex modelo que se tornou usuária de crack e moradora da cracolândia. Ela apareceu na capa da Veja no final do ano passado pedindo ajuda (você devem conhecer o caso... eu nessa época tava tão atribulada que nem fiquei sabendo do ocorrido). O programa a ajudou e hoje ela está internada... O último vídeo é de fevereiro, quando ela tinha 3 meses de internação e ele a visitou. Não achei nenhuma notícia dela mais recente na net, mas acredito que ela continue se tratando. Tomara, né?


Uma coisa que ela falou achei bem interessante. Ela disse que usou droga por muito tempo mas só depois que foi parar na rua é que viu realmente que a droga tava destruindo a vida dela. Ou seja, se alguém antes oferecesse ajuda pra ela parar, provavelmente não iria aceitar. Como a mãe já foi buscá-la e a internou mas ela sempre fugia... Mesmo ela tendo pedido ajuda agora, eu penso, será que vai dar certo? Ela está numa das melhores clínicas do país, está recebendo todo apoio... Mas nunca se sabe né. Vejo nela vontade de parar, de refazer sua vida, ela fala bem... Mas claro, a gente conhece essa doença e sabe como é traiçoeira. A atitude dela quando perguntada sobre a mãe e a irmã, de falar que elas não se importam com ela e tal, é típico deles né. Eles não entendem como a família sofre, acham que só eles sofrem. 

Na entrevista com a Rose na Eliana ela fala que no trabalho dela ela vê um índice maior que os 3% que se falam. Aí eu pensei faz todo sentido. O trabalho que ela faz é de formiguinha, totalmente social, sem luxos, não tem uma estrutura ideal (não tem médicos nem medicamentos), mas ela faz de todo o coração, se dedica. E as pessoas que ela ajuda são aqueles que chegam e pedem ajuda. Nisso está toda a diferença. Não é a família que trás, a maioria já perdeu a família e já foi parar na rua. A pessoa que vai lá é com as próprias pernas mesmo. Essa vontade inicial é que faz toda a diferença. Para completar se deparam com uma mulher muito humana, disposta a ajudar...

Como eu vejo essa exposição na mídia? É claro que eles só querem uma coisa: ibope. Com cada vez mais pessoas envolvidas com drogas no Brasil é crescente também a quantidade de famílias devastadas por esse mal. Sendo assim, histórias como essas são comoventes, emocionam e dão audiência. É claro que é preconceituoso escolher ajudar só a mais bonita, a que era modelo... Os desdentados, feios, mutilados também precisam de ajuda. Mas mesmo assim eu tô torcendo por ela. Pois não importa se é bonita ou feia, é uma vida. Ela pediu ajuda e está sendo ajudada, recebeu a oportunidade. Tomara que valorize, que se conscientize, que queira realmente sair dessa vida e saia. E não volte. Ela está recebendo todo o apoio necessário para isso, agora só depende dela mesma...

Mas de qualquer forma é bom esse assunto estar na mídia. Quanto mais se falar de dependência química melhor. Quando eu me deparei pela primeira vez com a doença a quase 4 anos atrás eu não tinha nem noção do buraco onde tava me metendo. Pois era muito raro se falar disso por aí, só quem passa por isso, as famílias, é que aprendem um pouco mais da doença pois acabam buscando, pesquisando por conta própria. A maioria das pessoas não tem nem ideia  de como é de verdade até alguém próximo se envolver e passar a ter problemas por causa de droga.

Talvez o homi aqui não tenha despertado até hoje por isso... A gente pensa: "o cara passou de tudo, chegou a ficar dias direto na rua, chegou até a dormir na rua, não é possível, como não acorda?... Só porque tá a 2 mesinhos limpo já se ilude de novo, acha que já tá bão e que pode voltar a beber. Mas talvez ele ainda não sofreu o suficiente para querer mudar de verdade. A gente pensa: "mas perdeu tudo, como pode?". Perdeu nada! Bens materiais acho que eles já são desprendidos mesmos... E a mãe não tá lá do lado, aconteça o que acontecer? Eu também não tô aqui bem ou mal, mas tô? Então...Graças a Deus eu venho entendendo isso aos poucos e vendo que soltar a corda é bom não só pra mim (que não aguentava mais, tava no limite) mas principalmente pra ele. Ficar uns dias na rua sabendo que tem uma casa para voltar é fácil. O duro é encarar que não se tem mais para onde ir. Mas ao encarar essa dura realidade podem acontecer duas coisas: ou a pessoa se toca e procura ajuda ou desiste de si mesmo e usa cada vez mais drogas para se anestesiar. É o que mais acontece nas cracolândias por aí... É um beco sem saída: a família quer proteger o dependente, não quer que chegue a esse ponto, pois se chegar a dependência fica ainda mais complicada de tratar, ele corre muitos outros riscos além da droga em si e a probabilidade da pessoa sumir de vez ou até de morrer é grande.
Hoje vejo o seguinte: cada um tem sua hora. Não importa o que nós façamos, se não for a hora deles não irá surtir efeito. Podemos ficar com a consciência tranquila pois se eles estão nessa não foi por falta de oportunidades que cansamos de dar... Internações, médicos, psicólogos, remédios, NA, igrejas, etc... Oferecemos tudo que podíamos. Eles não aproveitaram porque não quiseram. Não chegou a hora. Talvez morram usando drogas. Sim, é duro admitir isso mas sabemos que é o mais provável. Eu acredito em outras vidas, e acredito que a pessoa sempre terá chance de evoluir, mas claro, não será fácil. Se ela não aproveita as oportunidades que recebe e continua se afundando por escolha dela, nada vai cair do céu. 

Estou lendo o livro "O poder do agora". Nele fala que nós só passamos para um estado de consciência quando deixamos de ser dominados pela mente (ego) e passamos a observá-la. Só assim paramos de deixar o ego controlar nossa vida (agir por impulso, raiva, medo) e passamos a viver de verdade. As pessoas que não aguentam as vozes incessantes do ego em suas mentes optam por se anestesiar, buscando um estado de não pensamento... é como se quisessem regredir na evolução e ser como animais ou plantas. Isso não é possível, regredir, mas pode-se fugir de si mesmo por alguns instantes. Se abusamos de algo como drogas, bebidas, sexo, compras, comida, etc... Nada mais é do que a fuga de si mesmo e dos problemas da complexidade da mente (ego). Bom, sabemos que essa fuga é prazerosa e vicia. Mas nós só conseguimos evoluir, despertar, iluminar, quando estamos conscientes do ego. Fugindo dele só atrasamos nosso despertar, pois como já disse, não há como regredir na evolução. A única forma é evoluindo, passando ao novo patamar que é o de viver no Agora, de observar a mente e não se deixar ser dominado por ela. E qual é a única coisa que nos motiva a dar esse passo? O sofrimento. O Ego é que produz o sofrimento dentro da nossa cabeça. Quando ele está no controle sofremos inevitavelmente. Nós só optamos por sair dessa (zona de conforto) quando não aguentamos mais sofrer. Quando chegamos ao limite. Aí que tá, se a pessoa recorre à droga para camuflar o sofrimento ao invés de tentar arrancá-lo pela raiz como sair desse ciclo? Talvez só um sofrimento muito maior, tão grande que nem o uso contínuo da droga consiga camuflar o tempo todo seja a solução.

3 comentários:

  1. Boa noite!!
    É extremamente importante o assunto dependência química estar nas mídia. Ao meu ver contribui para forçar o governo a ter uma política de prevenção (como vimos no caso da cracolândia), contribui para que se criem mais clínicas (particulares, subsidiadas pelo governo ou das igrejas) e contribui para que a população comece a ver que a DQ como doença (não sei como é em SP, RJ, MG mas aqui que é menor, poder aquisitivo mais alto e não temos uma cracolândia e nem os morros (favelas), na verdade muitos doutores, médicos - advogados - dentistas, são dq e usam drogas mais caras como cocaína e ecxtasy (que são drogas "sociais") e tem condições de manter o vício e não chegam a se largar nas ruas. A parte da gurizada que mora na periferia que cai no crack é tida como marginais, que cometem delitos para manter vício.
    Mas, quero dizer que com essa realidade aqui, as pessoas no geral não sabem da realidade dos tais doutores e marginaliza a parte menos favorecida, não dando chance para conhecer os reais motivos e que é uma doença.
    E esse é o caso da minha família, tá... que meu pai era traficante, mas era o traficante, não o marginal que mata por 10 reais pra usar pedra... ai esses adolescentes são tidos como vagabundos, que não trabalham, preferem o crime pra poder sustentar o uso...
    Minha família não entende que o meu marido por exemplo tenha uma doença, que precise de um despertar para mudar e que é possível mudar... por muito tempo tentei esclarecer, hoje não faço, são cabeças fechadas, nunca passaram pelo problema de ter que ajudar um filho ou um sobrinho pra saber como é na pele...
    Então a mídia vem pra esclarecer, mostrar... por isso apoio, mesmo sendo por vezes apelativo, que queiram aumentar sua audiência.
    Aqui na minha cidade o índice de criminalidade tem aumentado consideravelmente, estamos passando por quase um toque de recolher, porque andar a noite aqui é pedir pra ser assaltado, não te levam nada e te dão um tiro... ai vai ver... menor de idade!
    A ligação: menor, pobres, usuários de drogas...
    A adicção é a doença do se... se não roubou vai roubar, se não matou vai matar... mas aqui especificamente podemos dividir as classes de quem pode sustentar o uso e não precisa se marginalizar e os que se marginalizam por falta de condições, lógico há os que tem condições e se largam na vida...
    Mas ambos precisam de apoio. Familiar, espiritual, clínicas, medicamentos, do governo, independente da classe social...
    E independente do querer, do despertar... porque muitos precisam de uma oportunidade e não tem em casa... ai entra a igreja, governo...
    Sei lá... é muito complicado, porque tratar do meu marido, ao que me aparenta dos maridos de vcs que tem apoio, tratamento... tudo... temos que aguardar o tal despertar!
    E olhando a dicção como um todo, a nivel de cracolândia para um patamar maior, em território nacional... que a grande maioria não tem suporte, apoio, esclarecimento??? o estado deve interferir e internar de forma compulsória, porque dessas milhares de pessoas, centenas devem despertar com certeza!
    Talvez seja utópico oque estou falando, mas é um ponto de vista!
    TMJ bjsss

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  2. Sharon, esse preconceito e desinformação estão em todo lugar, não é só aí... Em todo lugar tem pessoas das profissões mais renomadas que usam drogas e ou as pessoas nem imaginam ou veem como droga recreativa. Até a cocaína já é considerada como recreativa... Tem muito médico que usa até crack, mas que ninguém sabe... Porque não é todo usuário de crack que vira zumbi, vai parar na rua e vira bandido... Existem usuários ocasionais que durante anos conseguem manter certo controle com a droga... Não dá pra generalizar...

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  3. Sim, com ctz... mas toda informação gera conhecimento a quem não tem... e nota-se que o problema é muito maior e muito mais além do que o uso!!
    Existem casos e casos, mas infelizmente quem não tem conhecimento de causa, generaliza e afirma e conceitua de maneira errônea.
    bjkss

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