terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Livre (Wild)

Por E.

Bom dia!

Hoje quero dar uma dica de filme muito bom, assisti ontem, se chama "Wild", ou "Livre", em português.

É a história de Cheryl Strayed, uma mulher que teve um pai violento e alcoólatra, perdeu a mãe muito cedo por câncer e sempre passou por dificuldades financeiras. Ela transformou seu luto em autodestruição, se tornando uma viciada em heroína e fazendo sexo com qualquer um que aparecesse. Enquanto se drogava ou transava com um desconhecido, ela se esquecia um pouco da dor. Mas depois viu que estava destruindo sua vida (como já havia feito com seu casamento) e resolveu mudar. 

Cheryl aceitou o desafio de fazer uma trilha de 1.700 km passando por deserto e neve, completamente sozinha. 


O que acontece depois? Tem que assistir... rsrs... Mas adianto que a falta de contato com outro ser humano (na maior parte do tempo) fez com que ela encontrasse a si mesma e a luta diária contra a dor física a fez aprender a lidar com a dor emocional.

É uma história de superação, onde uma pessoa que chegou ao fundo do poço resolveu subir novamente e tomar as rédeas de sua própria vida. Não é só de superação do vício das drogas, mas de superação de si mesmo. Afinal, não dizem que a droga é apenas a ponta o iceberg, que o problema na verdade é muito maior? Então, nesse filme vemos isso muito bem. Todos nós passamos por adversidades na vida, mas cada um reage de um jeito. Enquanto sua mãe lidava com as dificuldades sempre com bom humor e olhando o lado positivo, Cheryl sempre foi mais pessimista. Ao perder a mãe, e depois o marido, se entregou de vez.

Isso me faz pensar que o ser humano é muito complexo. Na mesma proporção que pode se destruir pode também se reerguer e sair do fundo do poço, mesmo que seja um poço realmente muito fundo. Mas para isso ele tem que parar de se enganar, de se fazer de vítima e começar a lutar. Tem que arrumar uma força descomunal para isso, força que só pode ser tirada de dentro de si mesmo. E para isso existem várias maneiras. A maneira que ela encontrou foi se isolar da sociedade por um tempo, conviver apenas consigo mesma e com a natureza, se lançar em um desafio muito duro fisicamente, para assim descobrir forças de onde nem sabia que tinha.

E depois de ver o filme fui pesquisar e descobri que depois da trilha, Cheryl se tornou escritora e o filme é uma adaptação do livre de mesmo nome. Já quero ler! rs

Eu assisti o filme nesse site aqui, se quiserem ver é só clicar no link (não precisa baixar, dá pra assistir online): http://megafilmeshd.net/livre/

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 Lá em casa esse fim de semana foi um fuzuê danado. Já faz 2 meses e meio que o "homi" tomou a ibogaína. E tenho reparado que quanto mais o tempo passa, pior fica seu comportamento. Não são mudanças de humor, como o "homi" da Kel. É que a cada dia que passa vejo que fica mais empenhado em me tirar do sério. Implicâncias, brincadeiras bobas, sem graça, bobeirinhas atoa ou indiretas maldosas, críticas, chacotas... Pequenas doses diárias, horárias, "minutárias" de tortura psicológica. Confesso que sou estourada... Daí imaginem o inferno que tem sido pra mim tentar não perder a serenidade (e quase nunca conseguir). Parece que eu estava de volta ao pré escolar e tinha que lidar com meu coleguinha fazendo bullying. Por mais idiota e infantil que seja, é muito irritante. Durante a semana ok, a gente se via pouco mesmo, mas chegava o fim de semana, era uma brigaiada sem fim. As vezes em pleno sábado eu só desejava que chegasse logo a segunda-feira para eu poder ficar "no meu odinoque" (rsrs... gíria do livro laranja mecânica, quer dizer ficar sozinha) porque não tava aguentando ele mais. Aí nesse fim de semana, eu já tava de saco cheio, ele veio falar que um dia vai voltar a beber. Aí eu disse que se isso acontecer eu termino com ele. Aí ele disse que se eu ia fazer isso devíamos terminar agora de uma vez. E foi aquela brigaiada... Ele não falava coisa com coisa, até que depois de muito custo ele colocou a cabeça no lugar e conversamos igual gente civilizada. Ele disse que apesar de não ter vontade de usar droga, sempre que brigamos ele pensa em ir na biqueira ou então ao menos de encher a cara. Que é um vício de comportamento, mas que agora ele consegue se controlar e não ir, mas que ainda assim pensa em ir. E que ele sabe que ele mesmo causa as brigas, que ele implica comigo até me tirar do sério. E que ele faz isso pois está habituado a fazê-lo, pois era a maneira que ele tinha de arquitetar as recaídas, que a cabeça dele prega peças nele mesmo, que tem que se vigiar para mudar isso, pois continua fazendo no automático, mas que sabe que não vai mudar de uma hora para a outra. Mas que o negócio de beber... não é pra agora, mas que um dia quando ele estiver se sentindo bem, que que voltar a beber uma cervejinha na sexta-feira depois do trabalho e blá blá blá...

Amigas, como eu estava muito cansada de brigar e não me sinto preparada pra dar um ponto final nessa relação, fiz as pazes com ele. E depois disso nosso dia foi agradável. Se ele fosse comigo sempre que nem quando fazemos as pazes minha vida seria maravilhosa. Mas eu sei que não é. Ele é muito infantil. Além disso não vejo nele vontade verdadeira de mudança. Ao invés dele estar preocupado em mudar seu comportamento doentio, de auto sabotagem da nossa relação e de si mesmo, ele está é pensando em tomar cerveja. Sei que talvez eu devesse dar uma lição, terminar com ele e tal. Mas se depois de um tempo ele se arrepender e eu aceitar voltar depois, não vai dar em nada. Ele vai continuar com o pensamento que me tem na hora que quiser, e é justamente por isso que não valoriza e a qualquer briguinha põe nossa relação em jogo. Não dá, se for pra terminar tem que ser definitivo. Mas eu não me sinto preparada para isso. Eu o amo e tenho muito medo da nossa relação acabar. Embora toda essa encheção de saco tenha até esfriado um pouco o que sinto, como disse, muitas vezes desejo ficar sozinha, torço para que ele não me ligue e muitas vezes não tenho vontade que ele toque em mim. Mas também, quando está tudo em paz eu me sinto muito bem ao lado dele e desejo ficar com ele pra sempre. São sensações tão contraditórias... Mas enquanto eu não tiver clareza não quero tomar nenhuma atitude precipitada, para não me arrepender depois. 

Quanto a bebida, isso me broxa muito... Fico triste e pessimista. Vejo que ele não amadureceu nada e só pensa em fugir de novo. Ele não aceita o clichê de que DQ não pode beber, ele acha que ele é diferente. Assim como todos acham que são diferentes. Assim como todos os outros ele acha que pode ter controle e beber socialmente. Não adianta tentar meter na cabeça dele que ele nunca bebeu socialmente, que sempre bebeu sem controle. Ele acha que pode aprender a ter controle. E que se não aprender, ele para... Não adianta falar que ele se acha diferente mas age como todos os outros... Ele realmente quer se enganar e achar que é diferente.

O que eu vou fazer quando esse dia chegar, realmente não sei. Só quero agora viver um dia de cada vez e me preparar pro pior, pois tenho quase certeza que ele há de vir. Quem sabe até lá ele mude de ideia? Mas não vou me prender a essa esperança, sei que provavelmente não é isso que vai acontecer. A bebida é pra ele um caso de amor, influência que ele teve desde pequeno, dentro de casa. A família dele toda bebe e muito. Ao mesmo tempo, são bem sucedidos. Então ele quer ser bem sucedido e poder beber também. Na cabeça dele não poder beber é ser inferior, algo praticamente anormal. Ele não sabe ser plenamente feliz sem isso. Ele não teve um despertar espiritual, não é nem um pouco realista quanto a seu problema. Assim como a sociedade faz, ele põe a culpa de tudo apenas no crack, como se ele fosse o único responsável por sua vida ter saído do eixo. Ele encontra apoio a esse pensamento na própria família, na sociedade, nos comerciais de televisão, etc.... Enquanto quiser continuar cego, vai continuar... E talvez tenha que quebrar a cara mais uma vez pra poder aprender, ou talvez nunca aprenda...




10 comentários:

  1. né fácil...não...que Deus lhe de direção e discernimento...se cuide bjus

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  2. É isso que eu peço... Por um lado é até bom ele ficar nessa implicância toda, quem sabe assim meu amor murche até sumir? Ilusão, sei que vou sofrer com a separação se ela vier a acontecer, dá uma sensação de que nadei nadei e vou morrer na praia. Embora eu saiba que fiz e faço tudo que posso, mas que não posso fazer nada por ele, só ele mesmo. E ele não tem feito e pelo visto nem vai fazer...E enquanto eu escrevo isso, dá uma dorzinha lá no fundo do peito pensando: e nosso final feliz? e nosso casamento, nossos filhos...? Talvez nada disso nunca passe de sonho, o mais provável é que eu tenha que pular fora pra não afundar junto... mas dói...

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    1. Bom, dar um abraço qdo recebe uma patada penso que seria ser uma supermulher, eu não conseguiria....pode canonizar. Talvez com algum empenho e depois de decorar bem a lição, uma resposta tipo: a escolha é sua. E sair de perto sem olhar pra trás.

      Janete

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    2. Infelizmente isso não é ser super mulher, é ser codependente ao extremo... Medo de perder o homi... Uma bosta

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  3. E... claro que ele é um DQ, mas a fonte não seria o álcool?
    Meu marido bebia descontroladamente e sempre teve o sonho de ser como antes das drogas, que bebia uma cervejinha no final do expediente na sexta com os amigos, ou depois do futebol...
    E N.A falando, palestras as clínicas dizendo... NÃO ENTRAVA NA CAIXOLA DELE! Teve que o psiquiatra fazer a seguinte pergunta... vc usa drogas e bebe ou bebe e usa drogas? oque faz mais falta a bebida ou a droga?
    E deixar claro que se beber vai recair que vicio é vicio...
    Como dizia um médico de uma das clínicas que passamos... bebida é a mãe de todos os vicios é o chamado diabo engarrafado!
    De repente seja o caso de o maior vicio ser a bebida e não a droga... drogas cruzadas é comum, mas uma é a causa... e acabando a causa a raiz... seja um caminho...
    Fique atenta.
    E não caia nas brigas, se eles tem o hábito de criar meios de brigas p sairem p beber e usar... nós não podemos dar armamentos p que o façam, mantenha sua calma, sua serenidade... vá pro quarto pro banheiro...
    Experimente dar amor, um abraço quando vier uma patada... ajuda!
    Doi, nos tira a calma o prumo, mas é uma exercício de paciência.
    Afinal se não podemos mudar o outro mudamos nós!
    Se não queremos nos desligar definitivamente, tomar outro rumo, temos que mudar nossas atitudes!
    E força querida, fé !
    Ore que a oração tem poder!
    bjsss
    TMJ

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  4. Nega super nany...pra mim foi o que deu certo...ignorar...e pra conseguir se controlar frente as provocações o que não é fácil..se manter conectada com o poder superior...e tb lembre-se que se vc não quiser nada disso tem a opção cair fora...tudo se ajeita apenas ..vá com calma e de o passo que conseguir

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  5. E como diz a música pior que é...
    Na primeira vez que tentei dar um abraço ao receber uma patada... abracei e disse, por favor se acalma que eu sozinha não consigo mas juntos... foram 3 minutos de paz e veio uma piadinha ai o pau comeu...kkkkkkkkkkk me lembro como se fosse hoje, um xinga de lá outro daqui, eu não me abaixo e não admito que grite comigo, deu m.!!!
    Ai depois de dois dias brigados sem um falar com o outro, porque brigamos a culpa é dele eu simplesmente ignoro, durmo em quarto separado...
    Se é pra fazer birra, pirraça e agir como criança... eu tiro de letra, faço muito pior...
    ai ele se aproxima reconhece o erro...
    depois desse dia, dou meu pitizinho e me calo, vou arrumar o guarda roupa, vou lavar roupa ou vou deitar...
    meia hora passa ele ta menos chato e tudo fica na boa.
    A gente tena uma coisa, não dá? tenta outra... alguma solução tem... pelo menos p não acontecer as brigas q desgastam tanto.
    bjs

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    1. Abraçar quando leva uma patada acho que é a pior coisa. Como você mesma disse, ele fez piada de você. é isso que acontece, eles pensam: eu piso e mesmo assim ela vem atrás de mim, vou continuar pisando. E é exatamente isso que eu faço, pra terminar logo com a briga, mas sei que é o pior que eu faço, pois alimento a atitude dele. Melhor é se eu deixasse pra lá, deixasse ele ir, mas daí pra deixar ele ir e aceitar ele voltar depois, é pior ainda... Tentar ignorar acho que é o canal. Vou tentar virar o buda, vamo ver o que dá... E a opção de cair fora não está fora de cogitação, pelo contrário, tá cada dia mais na minha cabeça...

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  6. Sharon, quando eu respondi a Janete lá em cima dizendo que dar um abraço depois de levar uma patada, eu não tinha lido seus comentários abaixo ainda... Falei por mim, pois no auge da minha codependência muitas vezes era isso que eu fazia, mas era um jeito desesperado de tentar parar com as brigas, as vezes era humilhante pois ele ficava se desviando de mim e eu indo atrás... Patético, pois geralmente o causador da briga era ele, quem tinha errado era ele, e eu ficava tentando dar abraço e fazer as pazes... Mas estou começando a mudar, quero ignorar, acredito que é o melhor jeito mesmo...

    Sobre o álcool, é claro que ele é a fonte de tudo, ninguém começa a usar droga direto no crack ou cocaína, o álcool é a grande porta de entrada... Nisso acho até que a maconha é injustiçada pois tem essa fama, mas tá errado, todo mundo começa no álcool. E a maconha inclusive não é uma droga que leva as outras, pois o efeito dela é totalmente diferente das demais. A maconha é, digamos assim, um calmante, já as outras, inclusive o álcool, são estimulantes. O homi sempre fala, quando ele tava nervoso e fumava um baseado não pensava em fazer besteira, nem passava pela cabeça fumar pedra, mas quando tomava cerveja, aí geralmente dava mais vontade e coragem pra fumar... Ele sabe disso, tá careca de saber... Que ele nunca soube beber, que sempre foi descontrolado, que a bebida leva às outras drogas... Mas MESMO ASSIM alimenta esse sonho (que eu acho que é o de todos os DQ) de voltar a tomar sua cervejinha de final de semana... Sim, o grande vício dele é o álcool, tá na cara, mas ele não acredita. O psicólogo falou pra ele mas ele disse que o psicólogo é ruim. Eu falo ele acha que tô exagerando. Ele fala que não é alcoólatra, mas tá na cara que é...

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  7. E. é nisso que meu filho difere e mais alguns que eu conheço, ele nunca bebeu e não bebe, nada de alcool. A entrada dele foi pela maconha e todas as recaidas foram por aí. Toda vez ele acha que poderá fumar maconha controladamente sem voltar às outras drogas e assim como o seu, tem o sonho de conseguir fumar como algumas pessoas que se ouve falar, socialmente, sem maiores problemas. Porém, basta uma única vez e já era, é descida ribanceira abaixo sem freio.....

    Janete

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