terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Continuo me libertando

Por E.

Oi meninas...

Eu gostaria de falar sobre o porque de "me libertando" e não "liberta", e porque na figura acima está escrito "libertá", que significa liberdade em italiano, e não "liberta", como poderia se deduzir se não prestar atenção no acento.

Bom... Falar que eu não quero mais o homi é fácil quando ele tá longe... Quando ele some preciso me fortalecer para não me entregar ao sofrimento. Só isso já é alguma coisa, pois antes eu me entregava... Mas uma coisa que ainda tenho dificuldade é colocar em prática tudo que aprendi e aprendo diariamente com o blog, grupo, vídeos, textos, etc... quando ele aparece.

Mas tenho aprendido que melhor dar um passo pequeno por vez do que querer dar um maior que as pernas e acabar despencando...

Como eu contei em alguns comentários, ele só apareceu pra pedir dinheiro, 2 dias depois. No dia seguinte apareceu de novo, do mesmo jeito. Eu não dei um centavo e ainda fiz com que o pagamento dele não fosse depositado, mas a mãe mandou  $ pra ele. Só que na segunda vez que ela mandou, era sábado a noite, aí o dinheiro não caiu na hora. Ele teve a cara de pau de ligar pra ela e pedir pra ela me ligar de madrugada pedindo para eu buscá-lo. Eu não fui. Em menos de 1h ele apareceu, com as próprias pernas. Depois no dia seguinte ele disse que não tava devendo nada.. E escondeu o cartão com os 100 reais...

Domingo ele estava triste, eu ignorando (tava decidida), ele me procurou pra conversar, mas não dizia nada, aí eu disse tudo que eu sei que é melhor pra ele, na calma. Ele concordou com tudo que eu disse. Mais tarde ficamos em paz, abraçados... Ele disse que ia pra clínica sozinho, ia se tratar, ia voltar pra casa da mãe e quando estivesse bem (1 ano limpo) me procuraria.  Eu chorei, não com desespero mas chorei. Por um lado porque dói desapegar, pensar que ele realmente vai embora (ainda mais quando estamos bem, isso dói mais ainda, pois como são bons esses momentos raros de paz), e por outro por saber que esse momento de lucidez dele não ia durar muito, quem dirá 1 ano inteiro, e assim foi... Ele também ligou pra mãe e disse que ela não precisava mais vir, que ele ia resolver o que ele tinha pra resolver.

Mas, a noite ele queria que eu desse o celular de R$2.500,00 dele que eu guardei  (se não já teria ido pro saco) pra ele levar na viagem. Eu discordei, ele ficou puto, virou bicho, e se fechou. Na segunda dormiu até as tantas, eu fiquei com medo dele sair de novo, fiquei em casa esperando ele acordar. Quando pensei: "ah, vou resolver minha vida, passo a chave na porta e pronto, tá dormindo mesmo", o bendito acordou... aí começou a falar que não tava com vontade de usar droga, nem de fumar, que portanto não precisava voltar na clínica... Eu tinha que ir na rodoviária trocar minha passagem (que comprei pra ir no natal e até hoje não fui ver minha família), aí por milagre de Deus ele concordou em eu levar a chave, aí fui e voltei rapidinho... Quando cheguei ele tava decidido a não ir tomar a ibogaína, eu tentei falar numa boa, ele não quis, aí eu apelei, joguei minha paz e serenidade pela janela, gritei, berrei, quebrei o pau... foi uma briga bem feia mesmo, os vizinhos devem ter escutado tudo. Foi desgastante, os dois choraram, os dois gritaram, foi horrível... E o desespero foi tão grande que no final ele disse que não ia me deixar mais, que não ia embora, que ia ficar comigo e que só ia na clínica se eu fosse com ele. Eu mais uma vez abri mão, adiei minha viagem pra fazer algo por ele...

Mas me sentia péssima por ter aceitado "as pazes", sentia traindo a mim mesma, me enganando... Estava sem paciência com ele, esmurrei a mão dele só porque ele disse que eu não tinha cabeça pra assistir um filme que tava passando (só porque mudei de canal quando apareceu uma nudez, mas mudei porque o filme tava ruim mesmo e a nudez apareceu do nada, fora de contexto lógico) e encostou o dedo na minha testa... Depois tentei remediar, melhorar as coisas mas já não tinha clima. E ele falou: "que merda de vida estamos vivendo". Tive que concordar, aquilo era uma merda mesmo. Duas pessoas obcecadas uma pela outra, que não conseguem se desapegar e ao mesmo tempo não conseguem ficar juntas. Ninguém disse isso mas senti que ele pensou a mesma coisa... Além da brincadeira sem graça, ele continuou a questionar se precisava mesmo ir na clínica ou não...

Depois pra piorar minha mãe ligou e ficou me cobrando, se ele tava aqui ainda, o que resolveu, que eu vou continuar aceitando isso tudo até quando, que vai ficar tudo na mesma... NOSSA, vou explodir!!!!!!
Desliguei o mais rápido que pude porque depois de tanto desgaste ainda ter que dar satisfação... Foda. Ele perguntou porque desliguei brava, eu disse: nada. Ele insistiu, eu disse: não gostei do que ela disse. Ele insistiu... Eu: ela disse que vai continuar tudo na mesma. Ele riu e disse: não vai. Mas depois amuou... Ai eu disse: tá vendo, por isso eu não queria falar... você dá importância pro que os outros falam... Faz sua parte e foda-se...

Combinamos que quando eu saísse hoje de manhã ele também iria e resolveria sua situação na empresa, pois precisamos desse dinheiro do pagamento dele pra comprar passagem e ir na clínica. Mas ele não quis levantar. Cheguei atrasada por causa disso. Deixei a chave pra ele, pois ele disse que ia mais tarde. Eu já troquei a fechadura uma vez porque ele leva nossa chave pra biqueira e me põe em risco...

Mais tarde conversei com ele por telefone, tava bravo. Mais uma vez o negócio do celular... Desligamos o telefone. Então pensei, vou lá levar esse celular pra ele, que se dane... Aí tentei ligar de novo mas ele não quis mais atender. Quando cheguei em casa, ele já tinha saído pro uso de novo. E levou minha chave, de novo... Ah, e lembram do cartão com os 100 reais? Ele guardou esse tempo todo pra poder usar hoje...

Eu me desesperei, chorei, me culpei... Mas depois, conversando com a Kel, vendo vídeos e lendo textos... fui acalmando de novo. Hoje aprendi que não devo me culpar pelo erro cometido, só aprender com ele e tentar não errar mais. Mas preciso ter paciência comigo mesma... Foram anos me apegando, tendo comportamentos errados, alimentando enganos... me livrar de tudo de uma vez não é simples. Um passo de cada vez... Hoje já tenho uma clareza que antes não chegava nem perto de ter. Estou evoluindo... O fato de eu ter me incomodado em fazer "as pazes" ontem é muito bom! Sinal que não me sinto mais aliviada com a ilusão, mas sim incomodada... Não tem como voltar para a ignorância depois que já abrimos os olhos...
Sei que não vai adiantar ele resetar só porque eu quero. Sei que ele disse que ia só pra me manipular, pra eu deixar ele em paz e depois tentar me fazer mudar de ideia. Ele não quer de verdade, ele não aceita sua doença de verdade, ele quer continuar se enganando... Dói reconhecer isso, mas é a mais pura verdade.

E será que vale a pena continuar um relacionamento assim? Eu querendo evoluir, ele querendo se enganar? Se ele fizesse mal só para ele mesmo ainda ia, mas vejo que sempre que estou do lado dele, eu perco a paz... É muita negatividade que ele carrega e transmite. Sei que ele só me afeta pois eu dou abertura, mas como não dar? Estou começando a tirar as vendas da cegueira agora, tentando achar meu equilíbrio... Ainda estou longe de chegar ao ponto em que nada ou ninguém me afete (ou afete menos, pois não atingir nada eu acho impossível). E até lá serão erros e acertos mesmo. Mas vejo que sem ele por perto é bem mais leve... Sei que se eu optar por ficar com ele vou poder viver nessa montanha russa muuuuito tempo ainda, pois não vejo nele nenhum motivo para ter esperança de melhora... Sei que cuidar de mim com ele do lado vai ser bem mais difícil...

É por isso que eu estou me libertando, mas ainda não me considero liberta. Já sei o que tenho que fazer, já sei o que é melhor pra mim. Ainda dói, mas ao mesmo tempo é aliviador... Só estou tomando cuidado para respeitar meus limites e fazer dessa ruptura o menos traumática possível...






8 comentários:

  1. É...a estrada é longa...quando a gente dá 3 passos, volta 2 mas ganhou 1. Aos poucos vamos avançando.

    Janete

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  2. Disse tudo madrinha....o importante é nunca desistir...tmj bjus

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  3. Querida...

    Deus, dai-me a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu possa, e sabedoria para que eu saiba a diferença: vivendo um dia a cada vez, aproveitando um momento de cada vez; aceitando as dificuldades como um caminho para a paz...

    Somente serena e com paz no coração vc poderá tomar a melhor decisão.

    Lá em casa... calmaria!!
    Eu... me tratando, buscando minha serenidade e minhas mudanças...

    TMJ
    bjsss

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Obrigadas meninas é isso mesmo... Nunca esquecer da oração da serenidade e de andar pra frente. Mesmo que a gente dê uns passou pra trás, não deixar isso nos desanimar... Continuar caminhando sempre!

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  6. É bem assim que vivo. ...quando ele está sumido eu consigo manter minha paz. Mas quando ele aparece eu perco a linha! Até quando vamos viver nessa autodestruição, eles não mudam e no final quem acaba mudando somos nós. Agora a pouco estava conversando com a minha mãe a respeito de uma amiga que disse que se o marido dela morrer ela casa de novo e eu disse que horror casamento nunca mais e sabe o que minha mãe disse: minha filha ela deve ter um ótimo marido e não quer ficar sozinha, já você ( nós porque minha mãe passou pelo mesmo problema com meu padrasto até que ele morreu há 10 anos) não teve a mesma sorte kkkkk. É uma verdade....no final além de perdermos tempo, perdemos a fé na vida e em outros relacionamentos. No meu caso só vivi com o meu adicto e não conheci o amor e respeito verdadeiro que existe em um relacionamento, na verdade nem sei se isso existe.

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  7. Desculpem meninas, acabei de ler novamente minha mensagem e além dos erros. Kkkkk ( merda de celular) sei que tenho sido muito pessimista e não tenho ajudado na recuperação de vcs. Mas peço que tenham paciência comigo é só uma fase que estou passando. Logo a alegria voltará. Bjs

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  8. Imagina Carla... Tô respondendo só agora pois só agora estou relendo os textos do blog, para refletir... Porque desde essa última postagem até hoje tem 15 dias, e tem acontecido tanta coisa... Mas o que você falou é verdade... Eu já falei a mesma coisa, se um dia eu separar do homi pra valer não quero mais unir escova de dente com ninguém. E olha que só tenho 23 anos! Essa desilusão bate na gente mesmo. Nós nos envolvemos com "o cara errado", amamos errado (na verdade, apegamos ne), criamos expectativas que são frustradas, e sofremos... Mas isso tem que mudar, independente do homi que estiver ou não do nosso lado, ser dq ou não... A gente tem que mudar! Aprender a ser feliz com a gente mesma! Que nem a Kel fala em um texto mais recente. Onde está minha felicidade? A resposta não é com o homi ou sem o homi, isso é uma opção, uma escolha... Mas a resposta certa é dentro de mim.

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