segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Tirando as drogas, o que sobrou?

Bom dia!

Continuando o post anterior:

Eu estava apreensiva pois não sabia quem iria encontrar depois que meu marido tomasse a ibogaína. O homem amoroso que por vezes aparecia (quando a droga deixava, dava uma trégua) ou alguém que só estava comigo pois precisava de mim e que no fundo não me amava. Na verdade não encontrei nem um nem outro. Encontrei sim um homem que me amava, mas não deixou de ter os defeitos que tinha. O vício nas drogas parece não existir mais, mas os vícios de comportamento, esses não somem de uma hora pra outra, nem com ibogaína. Por um tempo ele ficou meio encantado com tudo, com a vida em sí, com a natureza... Vivia repetindo que viver sem drogas é muito mais louco que viver com drogas. Ficou meio abobalhado mesmo rs. Mas passou. Ele voltou a ser quem era.

Saímos da clínicas já brigados. Apesar da maioria relatar ter visões durante as sessões, ele diz que não viu nada. Também tomou ayhuasca um dia depois do reset, mas disse que apagou, dormiu profundamente. Pelo fato de que estava a mais de 24h acordado (depois do reset eles geralmente não conseguem dormir), não duvido. Eu fiquei chateada com isso, queria que ele tivesse um despertar espiritual, uma viagem de auto conhecimento como eu tive, ou pelo menos algo parecido... O terapeuta me aconselhou a frequentarmos lugares que fazem uso da ayhuasca de vez em quando. Mas o R. adquiriu um preconceito muito grande em relação a isso. Após ouvir relatos de outras pessoas que tomaram e disseram ter visto um monte de coisa (pássaro gigante, origami gigante, etc...) ele se convenceu que o chá não passa de uma droga alucinógena e disse que não quer tomar nada que mexa com seu psicológico. Eu só queria que ele tomasse ao menos mais uma vez, para que visse alguma coisa, sentisse os efeitos e depois então decidisse. Até concordo em partes, viver sem nenhuma substância é o ideal, sempre que possível, mas ele ainda é tão imaturo, por vezes tão egoísta... A ayhuasca faria muito bem pra ele dar uma acordada, mas fazer o que, botou na cabeça que é contra...

O motivo da briga foi esse e o fato de, segundo ele, eu ter exagerado na onda do chá. Eu confesso que empolguei um pouquinho rs... Queria mudar de profissão, trabalhar ajudando pessoas, como fazem naquela clínica, que isso me faria mais feliz. Sempre gostei mais de humanas, mas escolhi trabalhar com exatas para poder conseguir trabalho mais fácil, ganhar bem e poder sair de casa (cidadezinha do interior, sem nada), ter independência financeira... Consegui isso, mas não estou realizada. Então, precipitadamente concluí que deveria sair de lá e já começar a dar um jeito de mudar de vida, fazer o que eu gosto, foda-se o lado financeiro. E ele ficou puto, achou que eu tava viajando. Como ele nunca chega pra conversar de forma clara e objetiva, expondo os reais motivos para ele estar bravo, ele simplesmente disse que ia dar um tempo na casa da mãe dele, que não queria ir pra casa comigo, pegou uma carona e foi embora. Eu peguei um ônibus e fui pra casa, convencida de que esse era o fim, que realmente ele nunca gostou de mim, que agora que não tinha mais o vício não precisava mais da besta aqui e esse foi o jeito de se livrar. E que eu tive que passar por tudo isso pois enquanto o vício não saísse eu nunca saberia com certeza quem era ele, e se eu terminasse antes acharia que tudo que ele fazia de ruim era por causa da droga, e que aquilo era um sinal de que não era só a droga, é ele que não gostava de mim mesmo.

Imaginem como fiquei, voltei sozinha, péssima, destruída por dentro... A mãe dele me ligou, disse que ele ligou pra ela chorando arrependido. Mas pra mim ele não deu o braço a torcer. Chegou em casa no mesmo dia que eu, só que a tarde, segundo ele só ia buscar suas coisas. Ele estava sem graça, mas sem coragem de admitir o erro preferiu se esconder atrás de uma máscara e fingir que estava ótimo. Aquilo me deu um ódio, não aguentei, explodi! Xinguei ele de tudo quanto é nome, disse que ele só me usou esse tempo todo, que agora que estava bem não precisava mais de mim e por isso fez essa cena toda, chamei de covarde, ingrato, monstro, aproveitador, bati nele, chorei, gritei, pirei... Ele começou a chorar desesperadamente, como eu nunca tinha visto antes... Disse que não era nada disso, que me amava, mas que ficou com raiva e não sabia como agir, agiu como de costume, mas que acabou estragando tudo, não queria estragar tudo, só queria que eu acordasse... que isso devia ser uma sequela deixada pela droga, que ele se sentia um idiota, que não sabe direito porque fez tudo isso... Falou que ficou assustado, que eu tava pirando pensando em largar tudo assim. Pensou que eu ia até ficar lá na clínica de vez. Que o povo lá só pensa em dinheiro, não tá nem aí pra ajudar ninguém, que eu fui muito facilmente enganada e ele ficou com raiva disso.

Então eu entendi que: 1) Ele de fato me ama e se importa comigo sim; 2) Ele é uma pessoa imatura, por vezes egoísta e até cruel. Por não saber lidar com o que sente acaba descontando no outro que no caso sou eu. Não sabe lidar com problemas, acha que devemos concordar em tudo e se não concordamos é motivo de brigar e até separar; 3) É impulsivo, não pensa antes de agir, só vai ver a burrada depois que já fez, é orgulhoso, desconfiado, incrédulo, cabeça dura; 4) Nada disso ia mudar milagrosamente após a ibogaína, isso é a personalidade dele, ou o que sobrou dela depois de 10 anos de drogas. 

Provavelmente essa personalidade conflituosa pode ter o levado a se perder nas drogas e também o uso pode ter ajudado a piorar as coisas. Mas o que eu mais acredito é que ele chegou à fase adulta pulando etapas. Enquanto se entupia de drogas não foi só seus estudos e sua vida profissional que ficaram estagnas, sua personalidade também. Enquanto ele deveria estar amadurecendo, evoluindo, aprendendo a lidar com problemas e frustrações, ele tava estagnado se drogando, sem aprender a lidar com nada. Se estava feliz usava pra comemorar, se tava triste usava pra esquecer, se algum problema aparecia invés de correr atrás de resolver o problema, jogava tudo pro alto e corria atrás de algo para se anestesiar, e por aí vai... Durante todo nosso relacionamento qualquer coisinha era motivo pra querer terminar. Era uma maneira de chamar atenção, de me manipular, me desestabilizar. Se as coisas não iam exatamente como ele queria, ele podia pular fora a qualquer momento. Se mantinha no controle da situação dessa maneira. Uma hora dizia que me amava, na outra dizia que não. Eu sempre corria atrás dele, mas por não aguentar mais comecei a desistir de fazer isso. Isso fez com que terminássemos algumas vezes, ele chegou até a ir embora de casa. Mas quando via a merda que fez voltava atrás, se arrependia e começava a correr atrás de mim. Quanto mais eu evitava mais ele procurava. Sabia que eu o amava e não ia conseguir ser firme por muito tempo, então a gente voltava.

Essa era a maneira dele lidar com tudo na vida: fazendo pirraça, agindo por impulso, fazendo merda e se arrependendo. Percebi que ele não fazia isso só por crueldade, mas por não sabe agir de outro jeito. Gosta de mim mas não sabe como lidar com a situação se ela sai do seu controle. O medo de perder é tão grande que as vezes ele mesmo põe tudo a perder. Além disso acredito muito no lado espiritual. Acho que deve haver uma luta espiritual muito grande pela vida dele. De um lado as forças do bem lutando pra salvá-lo (não sei como ele tá vivo até hoje e praticamente sem sequelas, pela quantidade que usava), do outro as forças do mal não querendo perdê-lo. É incrível como tudo colaborava pra ele usar droga, até quando tava sem dinheiro aparecia gente pra bancar (como eu disse no primeiro texto). Quando fomos fazer o tratamento com ibogaína também tudo contribuía para dar errado (texto anterior). 

Depois, daquela briga toda tive um estalo e percebi tudo isso. Comecei a conversar com calma. Falei que ele não precisava ir embora, iríamos resolver isso. Depois ele me disse que ainda bem que não deixei ele ir embora, pois ele ia acabar parando na biqueira de novo. Mais uma vez o mal quase o levou de volta...

E o que fazer então? Bom, penso que se cheguei até aqui não vou desistir logo agora. Depois desse furacão estamos começando a nos entender. Sei que ele precisa melhorar muito ainda e que eu terei que ter paciência. Mais que isso, precisarei ser firme e não alimentar mais os seus comportamentos ruins. Se antes a minha posição era de aguentar qualquer coisa para evitar briga (agindo assim eu achava que podia evitar que ele fosse usar), agora tenho que mostrar pra ele que não vou aceitar desrespeito. Não é fácil. Muitas vezes eu só queria paz, mas ele se ofende com qualquer coisa. As vezes dá vontade de abaixar a cabeça só pra acabar com uma discussão, mas não posso. Ele tem que entender que eu tenho o direito de discordar dele, de corrigi-lo de vez em quando (porque ele adora fazer isso comigo mas odeia quando eu faço com ele), de me chatear, etc... E se ele for dar piti por causa disso paciência. Não vou deixar de ser eu mesma ou de falar o que quero só pra agradar. Tenho que me melhorar também, mas não por ele, e sim por mim.

17 comentários:

  1. KKKKKKKKKKKKKKK... devem ter feito uma cópia do meu marido!!!
    Então eu entendi que: 1) Ele de fato me ama e se importa comigo sim; 2) Ele é uma pessoa imatura, por vezes egoísta e até cruel. Por não saber lidar com o que sente acaba descontando no outro que no caso sou eu. Não sabe lidar com problemas, acha que devemos concordar em tudo e se não concordamos é motivo de brigar e até separar; 3) É impulsivo, não pensa antes de agir, só vai ver a burrada depois que já fez, é orgulhoso, desconfiado, incrédulo, cabeça dura; 4) Nada disso ia mudar milagrosamente após a ibogaína, isso é a personalidade dele, ou o que sobrou dela depois de 10 anos de drogas. IGUAL
    e IDEM... Não é fácil. Muitas vezes eu só queria paz, mas ele se ofende com qualquer coisa. As vezes dá vontade de abaixar a cabeça só pra acabar com uma discussão, mas não posso. Ele tem que entender que eu tenho o direito de discordar dele, de corrigi-lo de vez em quando (porque ele adora fazer isso comigo mas odeia quando eu faço com ele), de me chatear, etc... E se ele for dar piti por causa disso paciência. Não vou deixar de ser eu mesma ou de falar o que quero só pra agradar. Tenho que me melhorar também, mas não por ele, e sim por mim.
    O meu se irrita até se eu estou quieta, pensativa ou cansada, p ele é estar de mal humor, ou não ama-lo e dai p criar um motivo p vazar p rua é dois toques!!
    Dai-me paciência!!!!
    Hoje começamos o ratamento com os remédios que psiquiatra deu - TORCENDO PRA QUE DE CERTO!
    Bjsss
    TMJ

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    1. O meu também se irrita quando estou quieta, quando estou triste, quando não quero conversar... aff! Ele sempre acha que tem a ver com ele, que tem algo de errado... Eles também acham que a gente não tem direito de ficar triste ou desanimada, que só eles são os coitadinhos cheios de problema... aff... Queria não me importar com isso (opinião dele) mas infelizmente isso ainda me afeta... Alguma coisa melhorou, mas muita coisa continua igual...

      Estou torcendo por vocês também!
      Beijo! TMJ

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  2. é...sempre nos afeta de um jeito ou de outro...mas aos poucos aprendemos a ligar o foda-se...até que um dia talvez nada mais importe e sim somente a nossa felicidade....sei lá..to nesse caminho..rs

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    1. É esse caminho que quero trilhar também! Um dia eu chego lá rs...

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  3. Meninas, meninas, meninas...
    São todos iguais... Vocês não sabiam disso ainda não????
    Affff...
    Mas tais semelhanças não se devem ao fato de serem adictos e sim ao fato de serem homens!
    São características típicas do tal do cromossomo Y!
    Simples assim....

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  4. eu não sei como suportam... meu marido me respeita, me trata com carinho e educação, até nas brigas e discussões ele tem um amor ao falar que me constrange quando sou eu a errada.
    Fico pensando... por que existem mulheres que suportam isso? Será que não somos nós que deixamos ser tratadas assim? Não!!!!!! Não venha com essa de que homem é assim. Não, não é assim.

    Vale a pena se valorizar e buscar o amor próprio para sermos tratadas como merecemos.

    Para quem está casada com um homem não muito legal... que Deus lhes dê força!
    Para você que não se casou ainda: pula fora amiga!!!

    Bjs...
    Karina
    São Paulo

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    1. Tem razão nem todos homens são iguais, graças a Deus você não se apaixonou por um assim, graças a Deus não se envolveu com um marido que use drogas, é algo tão complexo de se explicar que só quem vive pra entender.....e sim meninas...nós permitimos isso...antes era porque achávamos que agiam assim devido as drogas... e quando eles parassem seria diferente...muito cuidado com quem criam vínculos eternos...

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    2. Sim, nega...
      Claro que somos nós que permitimos...
      Eu nunca achei que a culpa era do adicto ou de qualquer outro ser, nem dos traficantes!

      Inclusive, na minha última postagem falei sobre isso respondendo a um comentário da Sharon.

      Quanto ao fato de serem "todos iguais" não me refiro a atitudes insanas ou grosserias.
      Eu falo de características tipicamente masculinas e outras tipicamente femininas.

      É fato que isso existe! Inquestionável...

      Assistam a esse vídeo e depois me digam se estou errada:
      "Cérebro masculino e cérebro feminino"
      https://www.youtube.com/watch?v=RLbOuHX8rMA

      Quanto ao colocado pela companheira Karina, ali em cima...
      Assim como a Kel, fico feliz por você, e por tantas outras, nunca ter passado por essa dor.
      Não desejo isso a ninguém.
      Mas, por mais estranho que pareça, eu tenho muita gratidão por tudo que vivi (e ainda vivo) com ele.

      Eu não seria o ser humano que sou hoje se não tivesse lutado com todas as forças do mundo para sair do fundo de poço emocional em que eu me encontrava.

      Sou uma codependente nata.
      E foi graças ao DQ que eu encontrei aquela Sala e aquele Programa, que me ensinaram uma nova maneira de viver.

      Hoje eu erro muito menos comigo mesma e com TODOS que estão ao meu redor.
      Hoje eu raramente julgo alguém por suas escolhas, sejam elas quais forem. E quando uma pontinha de julgamento vem, eu me lembro do Programa e reflito.
      Hoje eu sei o significado exato do amor incondicional.
      Hoje eu respiro fundo antes de reagir.
      Hoje eu dou graças a ABSOLUTAMENTE TUDO que recebo, coisas boas ou ruins. Sempre há aprendizado.
      Hoje sou feliz e sem as máscaras da autopiedade que eu usava antes!

      Como sempre digo, não me arrependo, por nem um segundo da minha vida, por ter aceitado viver com ele.

      Eu o amo por quem ele é, incondicionalmente.
      Ele me faz feliz, me faz sorrir como nenhum outro homem foi capaz de fazer.
      (PS: repare que estou usando o tempo verbal no presente!)

      O abraço dele é o melhor, eu não tenho máscaras com ele, eu o desvendo pelo olhar, suas mãos me envolvem perfeitamente.
      Ele, apesar de seus milhares de defeitos, é o homem da minha vida, a metade da minha laranja (risos).
      Sua doença e suas limitações não são um fardo para mim, aprendi a viver com isso e levo uma vida normal, como qualquer pessoa.

      Mas, é claro que se eu pudesse escolher, a droga não faria parte do contexto, e as coisas teriam sido muito mais fáceis.
      Fico feliz, de verdade, por quem escolheu um caminho mais leve que o meu.

      Mas, eu o aceito como ele é.
      Ele é meu anjo e eu sou o anjo dele.
      Simples assim!

      (Geeente, isso foi quase uma postagem!)

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  5. Tem toda razão, somos nós que permitimos. Foi como eu disse no texto, antes eu aceitava esse tipo de comportamento porque achava que era culpa das drogas. Sonhava que quando ele conseguisse ficar um bom tempo limpo os sintomas de abstinência iriam diminuir e teríamos uma vida normal. Agora não tem droga mas o comportamento permanece. É bem verdade que alguma coisa já melhorou, hoje as vezes ele reconhece o erro, se arrepende, pede desculpas, outras vezes não. Mas é claro que não iria mudar do dia pra noite mesmo. Um bebê não aprende a se virar sozinho do nada. Ele só aprende com o tempo. Se a mãe mimar demais, ficar com ele no colo o tempo todo, não deixar ele sozinho no chão, ele nunca vai aprender a andar. É a mesma coisa, acostumei a tratá-lo como um bebê mimado, que consegue tudo que quer na pirraça, que não precisa preocupar com sua vida pois eu tô aqui pra resolver tudo, que pode falar o que for que eu sempre vou perdoar... Se eu continuar tratando-o assim ele vai continuar agindo da mesma forma. Se eu mudar o meu comportamento 2 coisas podem acontecer: 1) ele perceber que está errado e começar a mudar a si mesmo, ou 2) ele não aceitar crescer, batermos de frente até que um de nós ou os dois desistam da convivência.
    Concordo com a Karina, nem todo homem é igual. Mas também concordo com a Flor, isso não é exclusividade de dependente químico. Meu pai nunca usou drogas (ilícitas) e age da mesma forma com a minha mãe... A questão crucial mesmo é permitirmos ou não. Uma vez que aceitamos esse comportamento se instala e pra reverter é muito difícil. Só depende deles. E da nossa paciência né... haja paciência!

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  6. é....se quiserem embarcar na viagem se preparem pra se transformar no Buda...hahahahahaha

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  7. Por outro lado, eu acho também que ninguém é perfeito e que não existe relação perfeita entre homem e mulher. Briguinhas, encheções de saco, ciúmes, isso sempre tem. É claro que existem pessoas que se dão melhor umas com as outras, que se expressam melhor, que se entendem melhor, que se colocam mais no lugar do outro... quanto mais aberta a cabeça de ambos, melhor a convivência. Mas uma relação homem-mulher não é pautada só na convivência. Pra mim depois do respeito e amizade, que são fundamentais, tem que ter amor. Se não tiver amor não adianta o cara ser cavalheiro, príncipe encantado, rico, romântico... Por amor a gente releva defeitos, aguenta umas chatices, cria paciência pras inseguranças... Agora, sem amor? Sem amor não tem a menor graça, tudo fica chato, monótono...
    Sou uma pessoa romântica, eu sei... Tento conciliar o meu lado racional com o sentimental, mas confesso que o sentimental pesa mais. Se não fosse assim eu não estaria com um dq. Nenhuma de vocês estaria, pois economicamente falando, praticamente falando, não é viável.
    Não estou falando que devemos amar mais o outro do que a nós mesmas. Isso é codependência, é doença. Mas amar a si mesma em primeiro lugar não exclui a possibilidade de também amar o companheiro e querer, como toda mulher no mundo, constituir uma vida a dois com quem se ama.
    Eu acho que as pessoas estão com tanto medo de sofrer que preferem nem amar. Mas o sofrimento faz parte da vida, faz parte do amor. Quem nunca sofreu por amor não amadureceu, não viveu. Não tô dizendo que devemos sofrer por alguém a vida inteira. Não! Devemos buscar nossa felicidade, seja como for. Se for sozinha, ok. Se for com alguém ok também. Nem todas foram feitas para o casamento e nem todas foram feitas para a solteirice. Cada um que encontre sua maneira de ser feliz. Se quer ter alguém vai ter que aprender a conviver com as diferenças, ter paciência. Não há relação onde ambos não cedam. O que não vale é ser sempre a parte que cede. É preciso equilibrar, do contrário é preciso pensar se vale a pena continuar. Mas também esperar encontrar alguém livre de defeitos, que cabe direitinho nos nossos pré-requisitos é ilusão.
    Pra se ter uma ideia, o ser humano é muito louco. Tem gente que trata a parceira como rainha mas mete chifre. Quando questionado ainda diz que ama a mulher, mas não vê nada de mal em variar de vez em quando...
    Vai saber? Ninguém é perfeito... Cabe a cada um compreender com quais defeitos é capaz de lhe dar sem abrir mão de si mesmo.

    Eu vou de Vinícius de Moraes: "E que ter medo de amar não faz ninguém feliz" e "Quem de dentro de si
    Não sai!
    Vai morrer sem amar
    Ninguém!" e "Se não tivesse o amor (2x)
    Se não tivesse essa dor (2x)
    E se não tivesse o sofrer (2x)
    E se não tivesse o chorar (2x)
    Melhor era tudo se acabar (2x)

    Eu amei, amei demais
    O que eu sofri por causa de amor ninguém sofreu
    Eu chorei, perdi a paz
    Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais...
    Mais do que eu"

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    1. ..rs..só não pula mais sem capacete tá...hehehe

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    2. Relacionamento 100% perfeito???
      Seja entre um casal, entre amigos, famiília etc...
      Hummmmm....

      Acho que nem no País das Maravilhas de Alice!

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  8. Gente perfeição não existe, mas venhamos e convenhamos que um relacionamento dependente químico e codependente apresenta dificuldades a mais, pois infelizmente convivemos com uma realidade dura que significa durante períodos de ativa não conseguir contar com a pessoa adoecida e isso dificulta sim um relacionamento e muito se comparando com os demais...eu defendo sim que uma pessoa que resolva se relacionar e construir a vida ao lado de um dependente químico se proteja e se previna e tenha bem claro pra si que as chances de recaída existem e que muitas vezes você terá que se virar sozinha...isso é uma realidade, não é pessimismo mas uma realidade que poucas pessoas estão disposta a encarar...por isso entendo as pessoas que tentam nos alertar e dizem cai fora...se eu tivesse de fora diria o mesmo...só não aceito julgamentos que ofendam...ou excluam ...que se prive o respeito....mas não da pra enxergar cor de rosa a nossa vida porque não é não...rs...

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  9. Pra complementar...não é cor de rosa...mas sim é possível ser feliz :)

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  10. Resumindo: cada um seja feliz a sua maneira, do jeito que conseguir ser. Mas seja realista, não crie ilusões pois elas só servem para virarem desilusões logo depois...

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