sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Meus erros....



Bom dia a todos....

De uns tempos pra cá ando refletindo muito sobre muitas atitudes que já tive, não somente em relação ao adicto, mas em relação a vida e hoje consigo enxergar meus erros, sem culpa, apenas consigo reconhece-los e hoje me esforço pra não cometer os mesmos erros de antes.

Muitas vezes eu me revoltei com atitudes de pessoas que não tinham nada haver comigo

Muitas vezes xinguei, agredi as pessoas que agiam de uma maneira a qual não concordo, não interessa se por trás tinha um motivo nobre, sinceramente nunca de fato adiantou.

Culpei o mundo e os outros pelos meus sofrimentos, falei demais, alimentei magoas e causei brigas.

Pensei que eu tinha o direito de dizer a alguém como ela deveria ser.

Hoje ao enxergar esses erros, consigo evita-los e ao mesmo tempo aprendi a me preservar e a agir não permitindo que pessoas abusem de mim fisicamente, emocionalmente ou financeiramente.

As vezes tenho a impressão de que as pessoas imaginam que nos tornamos insensíveis ao mundo aos problemas do próximo, não é isso...apenas aprendi a me colocar no meu lugar e mudar o que de fato posso mudar.

Aceitar algumas coisas as quais não cabe a mim mudar, não significa que eu concorde com elas, significa que eu aprendi ser quem de fato quem sou.

Apenas um ser humano

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Laranja mecânica

Bom dia....pessoas?

Alguém já leu esse livro? Estou lendo, um pouco chato de ler, porquê o autor usa uma linguagem própria em grande parte da história, mais uma baita critica ao mundo...é de se parar pra pensar.

Vou deixar a quem tiver curiosidade pesquisar sobre o livro.

A impressão que tive, alias estou tendo com essa leitura, algo que me chamou pra realidade e me fez colocar os pés no chão...no mundo, segue abaixo:

Nós fomos criados não importa por quem, pode-se considerar Deus, que surgimos no nada, que somos filhos de ets...tanto faz, não importa a origem, importa o que somos e quem somos.

Somos seres humanos que nascem, crescem e morrem, temos caracteristicas infinitas, nosso comportamento e sentimentos são estimulados o tempo todo no meio em que vivemos, porém trazemos em nossa genética traços de personalidade, nossos instintos que é natural, nascemos com eles.

Durante a vida vamos aprendendo a fazer escolhas de acordo com as consequências que sofremos, e as regras que hoje são utilizadas como a punição por determinado comportamento pode funcionar pra alguns, mas não pra todos, existem pessoas que mesmo sofrendo consequências terríveis ainda assim continuam a agir de forma diferente do que a sociedade diz como civilizado.

Somos adestrados e não transformados

Sim as leis devem existir, senão viveríamos uma espécie de barbárie, mas será que se punirmos ações que consideramos erradas com violência, será que realmente estaremos ensinando a pessoa que transgrediu as regras a se transformarem em pessoas boas? Ou apenas estamos induzindo seus comportamentos mecanicamente?

As pessoas tem o livre arbítrio e se ela não quiser se enquadrar na sociedade ela não é obrigada, é uma decisão dela, claro que ela arcará com as consequências e não poderá viver nessa sociedade, mas será que ela merece ser tratada com violência por não aceitar essas regras?

Talvez se essas pessoas fossem sim afastadas da sociedade, mas recebessem um tratamento humano, ou como muitos gostam de citar, fossem tratadas como Cristo nos ensinou, sem julgamentos, com amor, com compaixão, será que assim essas pessoas de fato não aprenderiam, claro não em sua totalidade, mas não existira mais chances de recuperação?

Quando digo com amor, digo respeito e não com mordomias, mais sim respeito, dignidade, como humanos que são e tem sim o direito de escolher o que querem mesmo nos parecendo absurdo.

Nós como "humanos civilizados" teriamos o papel de ensinar com o exemplo e não de punir ou oprimir com discriminação e violência.

Será que nós "humanos civilizados" estamos preparados para agir civilizadamente frente a barbárie cometida por outro humano como nós?

Para existir uma convivência respeitosa, leis precisam ser seguidas e cumpridas, mas não necessáriamente de forma violenta.

Frases do tipo "violência só gera violência", "não julgue pra não seres julgados", "amar ao próximo como a ti mesmo", "o exemplo é o melhor professor"...são lindas ao serem pronunciadas, mas e na prática?

Como reclamar de um mundo injusto se nós mesmos fazemos a guerra?

Como reclamar do "mau" se somos o próprio mau e nem sequer somos capazes de reconhecer isso, acusamos o diabo, os espíritos e sei lá mais o que.

Se quer mudanças...seja a mudança.

Termino aqui com uma frase de Mandela




quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Bla...bla e blá....

Bom dia!! Galera...

Ontem não apareci por aqui, não vim trabalhar, minha pequena com virose, mas está melhor...enfim..

To meio sem assunto hoje...rs...pensando o que escrever, bom vou falar de decisões...aquelas velhas decisões de quem convive com adicção...se fica no barco ou se pula fora....

Ainda vejo muitas pessoas condicionando o permanecer no barco se o sujeito estiver em recuperação, o que acaba tornando a vida um sobe e desce danado, porque afinal na adicção nem todos afundam de vez ou ficam firmes de vez.

A grande maioria, vive tropeçando, hora buscando sua nova maneira de viver e hora fugindo, se você custe o que custar ainda quer manter um relacionamento dessa forma, vou listar abaixo algumas coisas que acredito que ajudam e muito, lembrando que sempre teremos a liberdade de escolher pular fora, mas caso queira ficar ai vão umas dicas:

- É fato que se você basear o relacionamento de vocês nas escolhas do outro, tem grandes chances de se ferrar, pra isso aprenda sobre os seus limites o que você aceita ou não aceita, tenha isso bem claro, senão vai afundar junto.
- Ser casada com um dependente químico não deve ser motivo de medalha de honra, é apenas uma escolha, isso não nos faz guerreiras, coloque isso na sua cabeça, é apenas uma escolha simples assim, quem escolhe cair fora também não merece diploma de inteligente ou fraca, é apenas outra escolha....pronto...o que se deve ser valorizado é não abrir mão de si mesmo.
-Se escolher ficar é bom ser realista e se precaver pra evitar naufrágios porque o capitão não sabe navegar seu barco, dica..."cada um no seu barco" ai quem define o significado da palavra barco são vocês..
- Não dependa financeiramente dele
- Se tiver filhos não crie fantasias do tipo pai herói, isso pode acontecer como pode não acontecer é um fato, e no caso de quem convive com a dependência quimica infelizmente as estatisticas estão mais pro pai "não herói"...pés nos chão.

Lembre-se não existe o certo, por favor busque sua felicidade e não um título...

Quando descrevo essas coisas não significa que eu não acredite em relacionamentos com adictos, acredito sim, porém não me baseio em histórias de outras pessoas, me baseio na minha realidade e no mundo em que observo.

Sempre existirão exceções, só não viva sua vida sonhando em viver a "exceção" de outra vida.

Seja feliz..busque sua paz

Fiquem com Deus


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Prioridades

Por E.

Bom dia pessoas!

Eu estava meio sumida. E provavelmente vou continuar assim, aparecendo só de vez em quando.
É que eu ando revendo minhas prioridades.
Escrever é algo que sempre me fez bem, sempre gostei. Botar pra fora o que estou sentindo na forma escrita sempre foi mais fácil pra mim até do que da forma falada.
Ler também, sempre foi um prazer.
Mas ultimamente eu me vejo focada em apenas um aspecto praticamente: dependência química e codependência.
Sei que informação é importantíssimo se precisamos lidar com a doença do outro e com a nossa. É um assunto vasto, sempre tem um texto diferente, um vídeo, um debate no grupo do face, etc...
São coisas que realmente chamam muito minha atenção, e as vezes gasto horas do meu dia com isso.
Comecei a me interessar pelo espiritual também, aí vai mais umas horas nisso...
Estou tentando cuidar mais de mim, da vaidade. Nada exagerado, só o básico para não ficar sempre peluda, com unha e sobrancelha sem fazer, cabelo ressecado...
Tem a casa, que é pequena mas de vez em quando tem que limpar, tem a comida que todo dia tem que fazer e tem a cachorra, nossa "filha" que está atualmente operada (foi castrada) e requer alguns cuidados (quando não está operada requer os cuidados normais: passear, dar comida, banho).
Sei que alguns desses itens podem ser "terceirizados" por assim dizer, como comida (restaurante ou marmitex), banho da cachorra (pet shop), unha (manicure), cabelo (salão), etc... Mas o custo de vida onde moramos é alto, o "homi" ganha pouco, eu ganho mais ou menos mas não sobra muito então o jeito é economizar fazendo nós mesmos essas tarefas...
E aí eu me pergunto: que horas vou cuidar do meu lado profissional?
Eu estava sempre deixando isso de lado, procrastinando. Por um lado, porque tinha e tenho outras coisas para fazer, por outro era preguiça e desânimo mesmo...
Sou recém formada (quer dizer, na verdade já tem 1 ano) e ainda não fiz nenhum curso depois, não me especializei, não estudei em casa... E o curso que escolhi me dá um bônus de poder ter um emprego fixo e fazer trabalhos por fora, assim ganhar mais dinheiro (que é o que eu tanto tô precisando no momento!). Mas só com o conhecimento que adquiri na faculdade, não consigo fazer nada disso. Preciso aprender mais, me aprofundar, rever algumas coisas e aprender outras de fato.
O fato de eu estar assim tão perdida se deve a dois fatores: 1) Comodismo: estou atualmente trabalhando em um lugar que não me exige muito. 2) Codependência: conheci o "homi" faltando 2 anos para me formar, ou seja, na parte mais importante do curso, quando ia começar a ver as matérias mais específicas. Desde então comecei a largar os estudos meio de lado e focar na nossa relação perturbada e conflituosa. Eu estava doida pra arrumar um namorado, não aguentava mais ficar com caras que não queriam nada sério, aí encontrei ele e me joguei. Só que teve tanta confusão que acabei negligenciando todas as outras áreas da minha vida para tentar não deixar essa desabar... Tiveram outros fatores também. Por exemplo, a época que conheci ele coincide com a época que comecei a ter mais independência, viajar sozinha, saí de casa, fui morar em república, comecei a beber... Teve o fato também de minha turma ter sido a primeira do curso na faculdade, pegamos muito professor ruim, algumas matérias foram bem avacalhadas. Tudo isso me desanimou, mas com certeza o fator mais decisivo foi a codependência mesmo.
E agora, eu me vejo formada, empregada, com o "homi" começando a andar com as próprias pernas, trabalhando, voltando a estudar... E eu? Quando é que vou preencher as lacunas que estão no meu currículo? E como vou fazer isso?
Eu só ficava adiando, a desculpa era que tenho que fazer cursos mas não tenho dinheiro. Ok, isso é verdade, mas será que eu estou fazendo tudo que posso, que está ao meu alcance? Não, eu não estava fazendo nada, só me lamentando e deixando o desânimo/preguiça me levar. 
Mas eu quero mudar isso, e vou mudar!
Pretendo voltar pro inglês mês que vem, então já comecei a ver seriado em inglês, procurar dicas na internet, etc...
Se não dá pra fazer uma pós ou cursos para me especializar agora, pois são caros, vou começar a pesquisar e ler o que der, nem que tenha que baixar normas técnicas e ficar lendo. É um saco, eu detesto, mas paciência, melhor do que ficar parada.
E é isso. Voltar a estudar não é fácil... Eu havia perdido esse comprometimento a tanto tempo, e sozinha tava parecendo impossível achar. Mas sabe o que tava faltando? Vergonha na cara! Quem quer consegue tudo nesse mundo, até sozinho! Isso não serve só pros dq's, serve pra gente também.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Se me perguntar se te amo não sei responder...

Se me perguntar se te amo, 
não sei responder
pois quando eu soletro ¨A¨ você entende ¨Z¨
Assim não dá, não dá,
Eu não consigo lhe entender
Pois tudo que posso lhe dá,
não é aquilo que pode querer,
Não dá, eu não consigo lhe entender
Pois tudo que posso lhe dá,
não é aquilo que pode querer.
Se me perguntar... 

Se me perguntar se te amo, 
não sei responder
pois quando eu soletro ¨A¨ você entende ¨Z¨
Assim não dá, não dá,
Eu não consigo lhe entender
Pois tudo que posso lhe dá,
não é aquilo que pode querer,
Não dá, eu não consigo lhe entender
Pois tudo que posso lhe dá,
não é aquilo que pode querer.

E o querer,
Querer... 
é uma coisa sensata,
Um carinho, uma graça poderá nos refazer,
O amor... 
brota de uma semente que tende a crescer,
até florescer,

Mas se vem a tempestade 
cuidado com ela, ela pode morrer... (2x)


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Bom diaaaaaaaa!!!

Quem ai lembra da "Toca do Coelho"...rs...olha eu curtia heim...kkk e esses dias andei ouvindo essa música...que traduz exatamente o momento que estou vivendo...muito bom...delicia de emoção ao ouvir...uma mistura de nostalgia com graça e um recado pro "homi" que quando coloquei o fone no ouvido dele...começou a rir....rs

As coisas estão caminhando...ainda existem momentos de birra...e eu fico só observando...contando até dez...e vivendo só por hoje...rs...

As vezes estamos assim, eu só observando


E outras vezes assim




É estamos vivendo....agora ao menos sem a droga no meio...

Agradeço a Deus todos os dias pela oportunidade de vivenciar as dificuldades, da maneira mais "normal" possível...

E quando ele me pergunta o que sinto por ele, respondo: Vamos reconstruir nossa vida pois atitudes valem mais do que mil palavras...

Eu acredito que o amor é isso, uma vida construída juntos....o que vem antes podemos dar vários nomes: paixão, sentimento de posse, carência...mais o amor...ao meu ver a gente constrói ele não nasce pronto...

Um ótimo  dia a todos vocês

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O RELÓGIO DO APOCALIPSE




O fim do mundo está próximo! A depender do alerta emitido nesta quinta-feira pelo Boletim de Cientistas Atômicos (BAS, na sigla em inglês) ao adiantar em dois minutos o “Relógio do Apocalipse”, que agora marca três para meia-noite, vivemos uma situação tão perigosa quanto a da Guerra Fria. A última vez em que a situação esteve tão crítica foi em 1984, num momento em que o recrudescimento das hostilidades entre os EUA e a então União Soviética ameaçavam a humanidade com uma guerra nuclear. Desta vez, a principal ameaça vem do clima.
— Isto é sobre o fim da civilização como nós a conhecemos — disse Kennette Benedict, diretora-executiva do BAS. — A probabilidade de uma catástrofe global é muito alta, e as ações necessárias para reduzir os riscos são urgentes. As condições são tão ameaçadoras que estamos adiantando o relógio em dois minutos. Agora faltam três para a meia-noite.
A emissão de dióxido de carbono e outros gases está transformando o clima do planeta de forma perigosa, alertou Kennette, o que deixa milhões de pessoas vulneráveis ao aumento do nível do mar e a tragédias climáticas. Em comunicado, o BAS faz duras críticas aos líderes globais, que “falharam em agir na velocidade ou escala requerida para proteger os cidadãos de uma potencial catástrofe”.
O consultor e ambientalista Fabio Feldmann considera o alerta “bastante razoável” e destaca a falta de mobilização de governos e sociedades como o principal entrave.
— Se há um ano eu falasse sobre os riscos da crise hídrica em São Paulo, seria tachado de apocalíptico, mas veja a situação agora — disse Feldmann. — A realidade está superando as previsões científicas, mas não está colocando o tema na agenda. Esse é o drama.
ARMAS NUCLEARES AINDA ASSUSTAM
Além da questão climática, o BAS alerta sobre a modernização dos arsenais nucleares, principalmente nos EUA e na Rússia, quando o movimento ideal seria o de redução no número de ogivas. Estimativas mostram a existência de 16.300 armas atômicas no mundo, sendo que apenas cem seriam suficientes para causar danos de longo prazo na atmosfera do planeta.
“O processo de desarmamento chegou a um impasse, com os EUA e a Rússia aplicando programas de modernização das ogivas — minando os tratados de armas nucleares — e outros detentores se unindo nesta loucura cara e perigosa”, informou o BAS.
A organização pede que lideranças globais assumam o compromisso de limitar o aquecimento global a dois graus Celsius acima dos níveis pré-industriais e de reduzir os gastos com armamentos nucleares.
— Não estamos dizendo que é muito tarde, mas a janela para ações está se fechando rapidamente — alertou Kennette. — O mundo precisa acordar da atual letargia. acreditamos que adiantar o relógio pode inspirar mudanças que ajudem nesse processo.
O BAS foi fundado em 1945 por cientistas da Universidade de Chicago (EUA) que participaram no desenvolvimento da primeira arma atômica, dentro do Projeto Manhattan. Dois anos depois, eles decidiram criar a iniciativa do relógio, para “prever” quão perto a humanidade estaria da aniquilação. Na época, a principal preocupação era com o holocausto nuclear, mas, a partir de 2007, a questão climática passou a ser considerada pelo grupo. As decisões de ajustar ou não o relógio são tomadas com base em consultas a especialistas, incluindo 18 vencedores do Prêmio Nobel.
Desde a criação, o “Relógio do Apocalipse” foi ajustado apenas 22 vezes. O momento mais crítico aconteceu em 1953, com o horário marcando 23h58m, por causa dos testes soviéticos e americanos com a bomba de hidrogênio. A assinatura do Tratado de Redução de Armas Estratégicas, em 1991, fez o relógio marcar 17 minutos para a meia-noite, a situação mais confortável até hoje.

O último ajuste do relógio aconteceu em 2012, para 23h55m, com o BAS alertando sobre os riscos do uso de armas nucleares nos conflitos do Oriente Médio e o aumento na incidência de tragédias naturais.

VOCÊ JÁ SE QUESTIONOU PORQUE AS GRANDES AUTORIDADES NÃO SE POSICIONAM, NÃO MUDAM?
TALVEZ PORQUE VOCÊ AINDA NÃO ENTENDEU QUE CONTRIBUI PARA QUE ASSIM ELAS PERMANEÇAM....PARE E PENSE SOBRE O QUE REALMENTE É NECESSÁRIO A SUA VIDA!!

Liberdade e a lei...

Ontem eu estava pensando sobre isso....sobre até aonde a lei realmente pode nos tirar a liberdade, não estou dizendo que estou certa ou errada, apenas tentando pensar por mim mesma.

Até aonde uma lei tem o direito de dizer o que devo ou não fazer?

No mundo existem leis que punem adultérios, homossexualidade, que obrigam mulheres a viverem como escravas....é um assunto muito complexo.

Ao ditar uma lei eu tiro a liberdade de alguém, ok as leis são necessárias óbvio senão viveríamos em meio a selvageria, é nesse ponto que quero chegar.

Talvez as leis só deveriam interferir no que se diz respeito há afetar o outro, aos outros...

Minha liberdade termina quando começa a do outro certo? É parece que sim

Sou livre pra escolher o que devo fazer com meu corpo? É parece que também deveria ser assim

Sou livre pra fazer o que quiser desde que essa atitude não prejudique o outro.

Porque proíbem as drogas e liberam tantas outras coisas que também fazem mal as pessoas?

Porque alguém que escolhe cheirar é discriminado e alguém que come excessivamente não?

Porque existe propaganda de bebida alcoólica?

Porque estimulam a busca pelo corpo perfeito e permitem que mulheres se submetam a vários procedimentos cirúrgicos desnecessários correndo risco de morte?

Porque fabricam alimentos com produtos nocivos a saúde, fazem propaganda e incentivam o consumo?

Porque eu simplesmente não posso escolher o que fazer com meu corpo?

Porque proibir somente parte de substâncias que causam mau a saúde?

Não sei...está na hora de rever alguns conceitos!!!


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O traficante, será esse o verdadeiro inimigo?


Afinal, qual o papel do traficante no mundo das drogas? Vender e cobrar

Claro que ele não usa de meios legais pra isso e digamos que na grande maioria das vezes na hora de vender ele é simpático mas na hora de cobrar cruel, quem paga direitinho vira cliente VIP, quem fica devendo pra eles a escória da humanidade.

O personagem mais semelhante que encontrei para comparar ao traficante seria o Agiota (clique aqui)

Afinal quem é o grande responsável pelo aumento de consumo de drogas? O traficante?

Afinal porque as pessoas usam drogas?

Quando eu era criança me lembro que minha mãe me dizia: não aceita bala de estranho na escola, os traficantes se fingem de amigos oferecem uma bala com droga dentro pra você viciar, e se você chupar essa bala, você vai virar um viciado e começar a roubar e matar pra poder comprar mais balas.

Eu cresci e nunca ninguém em ofereceu a tal bala "ufa", mas ao me tornar adolescente existia um mundo a ser descoberto, emoções a serem vividas, tinha a turminha que gostava de praticar esportes, as "paquitas" do colégio, as namoradeiras, os nerds, os que adoravam uma nova aventura..passei por quase todas essas turmas, experimentei o que era ser um pouco de cada grupo e quando descobri os amigos que curtiam beber pra ficar alegre e fumar um baseado pra tirar uma onda quis experimentar também, no meu caso fiquei somente na bebida, meu irmão também passou por essas fases e experimentou a bebida e algumas drogas a mais chegando na cocaína, creio eu que ele foi usuário por uns 5 anos, não chegou a fase crônica da doença, se assustou quando viu que estava perdendo o controle, largou até um curso na faculdade, ele estudava de manhã e contou que se continuasse ia se matar, porque logo cedo no ônibus fretado os alunos iam cheirando, bebendo e fazendo a festa dentro do ônibus, por isso ele parou e hoje está bem, comprou sua casa, casou, trabalha e bebe sua cerveja de vez em quando.

Meus pais não são separados, não tenho casos de dependência quimica dentro de casa nem de alcool, não cresci em meio a brigas e discussões, enfim uma familia aparentemente "normal"

Até agora não apareceu nenhum traficante nessas histórias obrigando alguém a usar drogas.

Vamos dar uma olhada em mais respostas do porque pessoas usam drogas?

"Quem usa drogas pela primeira vez não vê os amigos se acabando nas sarjetas e não acredita que vai ser um viciado

É claro que quem experimenta pela primeira vez não deseja virar viciado. Um estudo do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo (Grea) diz que a curiosidade é a motivação que leva nove em cada dez jovens a consumir drogas pela primeira vez. Em seguida vem o desejo de se integrar a algum grupo de amigos. No momento da iniciação das drogas, o adolescente não vê os amigos morrendo, sendo pressionados por traficantes nem se acabando nas sarjetas. Também é difícil perceber a importância que a droga pode assumir em sua vida no futuro. A maioria das drogas só provoca dependência depois de algum tempo de uso. Ou seja, quem entra nessa só percebe tarde demais que está num caminho sem volta. Apenas uma parcela dos usuários se torna dependente grave, do tipo que aparece nas novelas de TV. Apostar nesse argumento para usar drogas é uma loteria perigosíssima, porque ninguém sabe ao certo se vai virar viciado ou não."

Clique abaixo e veja a pesquisa na integra

Pesquisa publicada pela revista Veja

Torno a perguntar, o principal culpado pelo uso de drogas é o traficante?

Se matarmos todos os traficantes existentes ninguém mais usará drogas no mundo?

Deem uma lida nessa matéria que mostra como era quando o Álcool era proibido nos Estados Unidos

A lei seca nos Estados Unidos

Resolvi escrever esse post pois vi na condenação do traficante Marcos Ascher, uma grande comoção dos familiares de dependentes químicos vibrando e torcendo a favor de sua morte, ele merecia sim pagar pelos seus crimes (eu não sou a favor de pena de morte), na verdade não quero entrar nessa questão se é certo ou não executar alguém, quero apenas pedir que reflitam e que entendam aonde está o inimigo que devemos concentrar forças para combater.

É uma luta complexa porque esse  "inimigo" não se traduz em apenas uma figura "o traficante", esse inimigo no meu modo de pensar está na forma em que vivemos a vida, na forma que buscamos para encontrar a felicidade.

O mundo nos ensina isso, nos ensina a buscar fora, a querer mais e mais pra sermos alguém de sucesso e feliz.

O mundo meche com a nossa vaidade, quer nos mostrar que se seguirmos determinado caminho seremos admirados e felizes.

Se pergunte, qual a imagem de uma pessoa feliz pra você? Sem refletir muito apenas observe como essa pessoa aparece?

Talvez essas imagens abaixo lhe transmitam que essas pessoas são felizes






O mundo nos transmite que para sermos felizes precisamos ter uma familia, viajar, curtir festas e poder usufruir de bens materiais.

Tudo isso faz parte da vida, hipocrisia dizer o contrário, mas será que deve ser colocado como motivo de felicidade e realização pessoal?

Leiam essa reportagem e tirem suas próprias conclusões, depois descubram onde está o verdadeiro inimigo a ser combatido

O mistério da felicidade

Veja o vídeo


Obs: Se os últimos links não estiverem funcionando pois minha internet hoje está ruim, peço que façam uma busca pelo google com essa frase : Globo Reporter investiga o mistério da felicidade ai é só assistir

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Tá bom, ou quer mais açúcar?

Por E.
Bom dia...

Hoje gostaria de compartilhar com vocês uma música simplesmente GE-NI-AL que provavelmente não seja o tipo de que a maioria aqui costuma ouvir. Eu mesma nunca fui de ouvir rap, mas quando parei pra ouvir o Criolo pela primeira vez, vi que tinha algo ali muito diferente. É um rap culto! rs. Ele faz uma crítica social muito inteligente, mostrando a realidade nua e crua das comunidades e da sociedade como um todo, em especial em relação as drogas. Tenho certeza que se parassem para analisar as letras dele, muita senhora que frequenta Amor Exigente e Naranon virariam suas fãs rs...

Acima o clipe, abaixo a letra da música e sua interpretação de termos e gírias, para ficar mais fácil o entendimento.

Duas de Cinco

Criolo

[Refrão]
Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco Califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou...


[Verso 1]
É o cão, é o cânhamo
É o desamor, é o canhão
Na boca de quem tanto se humilhou
Inveja é um desgraça, alastra ódio e rancor
E cocaína é uma igreja gringa de le chereau
Pra cada rap escrito é uma alma que se salva
O rosto do carvoeiro é o Brasil que mostra a cara
Muito blá se fala, a língua é uma piranha
Aqui é só trabalho, sorte é pras crianças

Que vê o professor em desespero na miséria
Que no meio do caminho da educação havia uma pedra
E havia uma pedra no meio do caminho
Ele não é preto véi mas no bolso leva um cachimbo
É o sleazestack, dos zóio branco, repara o brilho
Chewbacca na penha é maizena com pó de vidro
Comerciais de TV, glamour pra alcoolismo
É o Kinect do XBox por duas buchas de cinco
HA-HA-HA-HA-HA-HA
HA-HA-HA-HA-HA-HA
Chega a rir de nervoso, comédia vai chorar


[Refrão]

[Verso 2]
E eu fico aqui pregando a paz
E a cada maço de cigarro fumado a morte faz um jaz
Entre nós
, cá pra nós, e se um de nós morrer
Pra vocês é uma beleza

Desigualdade faz tristeza
Na montanha dos sete abutres alguém enfeita sua mesa
Um governo que quer acabar com o crack
Mas não tem moral para vetar comercial de cerveja

Alô, Foucault, cê quer saber o que é loucura?
É ver Hobsbawm na mão dos boy, Maquiavel nessa leitura
Falar pra um favelado que a vida não é dura
E achar que teu doze de condomínio não carrega a mesma culpa
É salto alto, MD, Absolut, suco de fruta
Mas nem todo mundo é feliz nessa fé absoluta

Calma, filha, que esse doce não é sal de fruta
Azedar é a meta, tá bom ou quer mais açúcar?
HA-HA-HA-HA-HA-HA
HA-HA-HA-HA-HA-HA
Chega a rir de nervoso, comédia vai chorar

“Vapor” são os mensageiros do tráfico. Geralmente são crianças ou adolescentes que ficam encarregados de levar e trazer drogas, armas ou recados para os traficantes.

“Califórnia Azul” é uma jaqueta da marca California Racing de cor azul que era sonho de consumo de 10 em cada 10 garotos que viviam nas periferias.

"Faço uma mandinga pro terror" Nesse trecho, Criolo quer transmitir que ele faz uma oração pro terror, já que com uma pistola na mão, coisa boa não pode acontecer…

“É o cão”, pode ser o cão do revólver, em referência ao start que leva a fuga da realidade e busca de drogas. O termo também pode ser interpretado como referência ao Diabo.

"Cânhamo", em inglês hemp, é a variedade industrial da Cannabis, sem THC, produzida em larga escala para obtenção de matéria prima (a fibra vegetal mais forte da natureza) que pode se tornar roupas, compostos rígidos semelhantes a plástico e até biocombustíveis.

"Canhão" Giria periférica para a arma.

"Na boca de quem tanto se humilhou" Esse verso se junta com a última parte da linha anterior, o canhão (arma) na boca de alguém, representa uma pessoa que se humilhou a vida toda, vivendo miseravelmente, acabando com sua vida de uma forma “mais fácil”, o suicídio.

"E cocaína é uma igreja gringa de le chereau" Essa rima é um jogo de palavras, primeiramente o “Le chereau” é um “afrancesado” do verbo “cheirar”. Mas também passa que a cocaína muitas vezes é como as obras de Patrice Chéreau, falecido em 2013, pois faz referência a obra “A Noite de São Bartolomeu” do escritor francês, onde a hegemonia da igreja católica é abalada pelo surgimento do protestantismo.

"Pra cada rap escrito uma alma que se salva" Os vários indivíduos que são resgatados pelo rap, como o próprio Criolo foi.

"O rosto do carvoeiro é o Brasil que mostra a cara"

Esse trecho fala do Brasil mostrando sua cara, com os “escravos do carvão”. Referência ao caso recente de Minas Gerais. Há inclusive um documentário dedicado a atividade. Confira aqui.

"Muito blá se fala e a língua é uma piranha, aqui é só trabalho, sorte..."
Aqui Criolo deixa bem claro pra todos os “faladores” de plantão que amam dizer que ele só chegou onde chegou por sorte. Na mente de Criolo, a sorte não existe, o que existe é trabalho e dedicação. Ao expressão “A língua é uma piranha” significa que se paga pelo que se diz. É bom segurar a língua e não sair falando qualquer coisa dos outros.

"sorte é pras crianças Que vê o professor em desespero na miséria" Todo mundo sabe que o professor no Brasil não é bem remunerado e mesmo assim, muitos dão aula porque gostam ou querem ajudar a população

 "Que no meio do caminho da educação havia uma pedra E havia um pedra no meio do caminho"
Aqui ocorre um intertextualidade, que segue nos versos seguintes, com o famoso poema de Carlos Drummond de Andrade. Nesta passagem, Criolo se refere a pedra, que é a forma na qual o crack é comercializado. A droga representa um obstáculo para a educação porque jovens e crianças se perdem por causa dela.Somado a isso, está a falta de interesse do governo e das empresas, que pouco fazem pela educação no país.

 "Ele não é preto véi Mas no bolso leva um cachimbo" Provavelmente uma comparação do usuário de Crack com o “Preto Velho” —entidade de Ubanda que possui a imagem de um velho negro de cachimbo.O cachimbo em questão também faz referência à forma de consumo do crack, mencionado nas linhas anteriores.

"É o Sleazestack, Zóio branco, repare o brilho" Aqui Criolo utiliza uma metáfora para comparar o usuário de cocaína/crack a um “Sleestak”, personagem da série americana chamada Land of the Lost. Ele possui grandes olhos arregalados, semelhantes aos olhos do indivíduo após usar cocaína.

"Chewbacca na penha" Aqui Criolo usa uma metáfora pra descrever o que acontece com o usuário de cocaína/crack: Provavelmente ele virará um Chewbacca (personagem peludo e descuidado do filme Star Wars) ou seja, um mendigo na rua da Penha, bairro de São Paulo, localizado na Zona Leste da cidade.
Penha também pode ser interpretado como um sinônimo de pedra, o que mais uma vez iria se referir ao crack.


"Maizena com pó de vidro" Mistura que os traficantes usam com a cocaína para aumentar o volume do pó e assim gerar mais lucros.

"Comerciais de TV, glamour pra alcoolismo" O trecho faz referência ao fortalecimento, por parte da mídia, da compra e consumo de álcool através de propagandas na TV, que vinculam a ideia de sucesso e felicidade à bebida.

 "E é o kinect do XBOX, por duas buchas de cinco"“Bucha” é uma expressão utilizada para se referir ao modo em que a cocaína ou a maconha é comercializada. É geralmente um saquinho de 1-2 gramas ou mais. No trecho, um viciado em drogas troca um Kinect, sensor de movimentos desenvolvido para o Xbox 360, que custa em torno de R$ 400,00 por duas buchas de R$ 5,00. Aqui Criolo demonstra o desespero do indivíduo pela droga.

"HA-HA-HA-HA-HA-HA HA-HA-HA-HA-HA-HA Chega a rir de nervoso, comédia vai chorar" Precedido de uma série de risadas maléficas, os versos são um jogo de palavras com duas antíteses, ou seja, aproximação de dois termos opostos (“rir de nervoso” e “comédia vai chorar”). Diante das reflexões e críticas que Criolo expõe, sem reação, a pessoa irá “rir de nervoso”; ou ainda, um “comédia” (alguém que não se leva a sério) irá chorar. Outra interpretação possível é em relação aos possíveis efeitos que as diversas drogas citadas pela música podem causar no usuário.

"E eu fico aqui pregando a paz, E a cada maço de cigarro fumado a morte faz um jaz Entre nós"
Não há dúvidas que o cigarro faz mal à saúde. E a cada maço de cigarro fumado, a morte se faz mais presente entre nosso meio.

"cá pra nós, e se um de nós morrer, Pra vocês é uma beleza"Cá entre nós, um rico não dá a mínima pra quando um favelado morre. Tal crença é confirmada por frases como “direitos humanos para humanos direitos” ou “bandido bom é bandido morto” tentando aprovar as violências cometidas contra aqueles que se envolvem no tráfico.

"Desigualdade faz tristeza" A desigualdade social é uma das maiores responsáveis pelo sofrimento do povo pobre.


"Na montanha dos sete abutres alguém enfeita sua mesa" Referência ao filme de Billy Wilder “A Montanha dos Sete Abutres”, de 1951, que é uma critica a mídia atual.

"Um governo que quer acabar com o crack Mas não tem moral para vetar comercial de cerveja" Diante do grande índice de dependentes de crack, chegando a 370 mil usuários apenas nas capitais do país houve uma maior atenção para este problema.
Contudo, não é há preocupação com o uso de drogas lícitas, como bebidas alcoólicas, como Criolo já critica no verso anterior, desta vez comparando com uma droga mal vista pela sociedade.
Curiosidade: Esta comparação entre drogas lícitas e ilícitas também foi feita de uma maneira inteligente pelo comediante norte-americano Chris Rock, em Never Scared (2004).

"Alô, Foucault, cê quer saber o que é loucura?" Aqui há uma referência à Foucault, referência acadêmica acerca da loucura, filósofo e autor do livro “História da Loucura”.

"É ver Hobsbawm na mão dos boy, Maquiavel nessa leitura" Pro Criolo, ver Hobsbawm na mão de leitores de classe alta é loucura. Eric Hobsbawm era um escritor e historiador marxista. Quando o playboy, teoricamente pessoa que usufrui dos benefícios da propriedade privada, lê suas idéias e é influenciado por elas, cria-se uma situação contraditória.
Isso seria, nos ideais de Nicolau Maquiavel, que é citado por Criolo, uma manobra de populismo por parte da classe alta, referente a obra “O príncipe”. Se apoderar dos ideais da classe média e baixa para assim, com a adesão desses, permanecer no poder, tapando o sol com a peneira.

"Falar pra um favelado que a vida não é dura" Muitos dizem que só entra para o crime quem quer, e que a vida não é tão sofrida a ponto de virar traficante. Porem, estes que falam, não vivem e não sabem da realidade periférica.
Também caberia uma referência às sentenças anteriores, onde, dentro de uma conjuntura da filosofia moderna, se coloca um ideal de liberdade e potência relativa, sendo as dores da vida do favelado postas sob o julgo de uma visão em que a superação e as microrrelações se tornam mais importantes do que as relações opressores do macropoder.



 "E achar que teu doze de condomínio não carrega a mesma culpa" A gíria “doze” se refere ao Artigo 12 da antiga Lei de Drogas (6.368/76), consagrada pelo uso na referência ao crime de tráfico de drogas:
Art. 12. Importar ou exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda ou oferecer, fornecer ainda que gratuitamente, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a consumo substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar;1
Criolo aponta que o traficante de drogas que mora em condomínio possui a mesma culpa que o traficante favelado.
Outros grupos de rap conhecidos também fizeram músicas com essa temática, assim como ConeCrewDiretoria, na música Doce Doce, no seu primeiro CD, Ataque Lírico.

1: Vale lembrar que a lei atual de drogas (11.343/06) tipifica o tráfico no art. 33.


"É salto alto, MD, Absolut, suco de fruta Mas nem todo mundo é feliz nessa fé absoluta"
Salto alto, MD (droga sintética e o princípio ativo puro do Ecstasy), Absolut (vodca) e suco de fruta são presentes nas baladas e raves que jovens de classe alta frequentam.

Ao citar a realidade das raves e festas de classe alta criolo revela uma abdicação do senso crítico daqueles as frequentam ao usar a palavra “fé”. No mesmo verso ele questiona também os valores atribuídos pela população (em suma mais jovem) que ve no uso de drogas e nas festas um ideário de felicidade e prazer.

"Calma, filha, que esse doce não é sal de frutaCriolo faz um jogo de palavras com doce (gíria para LSD) e comprimido de sal de fruta (usado para combater azia).
Ácido também é gíria para a droga LSD, que é uma abreviação para “dietilamida do ácido lisérgico”, e um dos compostos do sal de fruta é o ácido cítrico, por isso Criolo faz a comparação.
 

"Azedar é a meta, tá bom ou quer mais açúcar?" Com as críticas que Criolo faz durante a música, ele apresenta sua meta: Azedar, ou seja, incomodar e questionar o estado atual. Com certo sarcasmo, pergunta se a pessoa ficou incomodada e perturbada demais, oferecendo “mais açúcar”. Outra interpretação abriga a lógica de que o LSD provoca uma sensação de azedo primeiramente. O que Criolo quis dizer com esse verso é que a intenção era azedar. Tá bom ou quer mais açucar? significaria a dosagem da droga. Açúcar seria o doce, LSD.

Fonte: http://genius.com/Criolo-duas-de-cinco-lyrics/

Você expressa ou reproduz uma opinião?

Atualmente com a expansão das redes sociais pelo mundo, as pessoas criaram o hábito de postarem suas vidas, seja através de fotos de vários aspectos, marcando os locais que frequentam, desabafando emocionalmente e expressando suas opiniões sobre assuntos polêmicos.

Recentemente podemos citar casos que viraram febre na rede: o caso da torcedora do Grêmio que xingou o jogador aranha de macaco, as disputas eleitorais pra eleição do presidente, a pena de morte do traficante  Marcos Archer condenado na indonésia, o ataque terrorista ao jornal francês Charlie Hebdo.

Citei apenas alguns que me vieram a mente e que tiveram grande repercussão, as páginas sociais receberam enxurradas de protestos de ódio, amor, revolta enfim...desses casos vou citar apenas um para que juntos possamos avaliar se estamos de fato dando uma opinião quando nos juntamos  a algumas manifestações ou se estamos apenas nos deixando levar pela emoção do momento sem pensar muito sobre o que estamos protestando, reivindicando, etc

O ataque terrorista do jornal Charlie Hebdo.

O mundo se mobilizou, se sensibilizou com o ataque aos jornalistas que faziam caricaturas com temas religiosos, em nome da liberdade de expressão o mundo se uniu e pronunciou em protestos:

Je suis Charlie

Porque você compartilhou essa mensagem?

Porque realmente você luta pela liberdade de expressão e se comoveu com a morte de 12 pessoas em um atentado terrorista que não respeita o direito do outro em se expressar, ou porque você foi tomado pela comoção mundial e decidiu participar em solidariedade, mesmo sem entender direito sobre o que significa a liberdade de expressão e porque existe essa revolta dos grupos extremistas do Islã?

Seja sincero contigo, pro seu próprio bem.

Bem se a sua resposta foi a primeira e você é aquela pessoa que luta pela liberdade, pela igualdade e fraternidade, deixo abaixo mais assuntos os quais você também pode se mobilizar e compartilhar pra mostrar pro mundo que você realmente não concorda com tais situações e você quer mudanças.

Boko Haram já matou 2000 pessoas na Nigéria diz anistia

Fome e crise na Somália

Mapa da violência no Brasil

Brasil o país dos impostos

Olha tem assunto e injustiças pra lutarmos viu...será que no próximo mês as redes sociais estarão bombando de protestos desse tipo?
Será que as pessoas vão começar a se mobilizar e buscar maneiras inteligentes de resolver alguns conflitos?
Ou será que mês que vem tem Carnaval, logo mais o campeonato paulista, depois o brasileirão e esses problemas ficaram esquecidos?

Brasil o país do futebol, carnaval, mulher e cerveja...

Com tantos assuntos importantes como os citados acima, violência, educação, corrupção ficam em segundo plano, ai ao invés de buscarmos soluções pra resolver os problemas somos práticos gritamos pela pena de morte...

Afinal resolver problemas da trabalho é mais fácil eliminar, senão não sobra tempo pra essas coisinhas...

Um bom dia a vocês e vamo que vamo...

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A favor ou contra?

Bom dia pessoas...

Ultimamente vivemos muitos questionamentos: devemos legalizar as drogas? Liberar o aborto? Pena de morte?

Tenho a impressão que o caminho não seria bem esse, sim ok, esses questionamentos precisam de respostas, mas sabe o que vejo nessas discussões, pessoas brigando pela sua opinião pessoal, que envolve normalmente costumes, dogmas e muitos achismos.

As opiniões são distorcidas para justificar o lado que a pessoa defende, não se tem um diálogo sincero, aberto livre de opiniões, não se avalia as consequências, se avalia o incomodo de ter que vivenciar o que se é contra, pra não estender muito o post vou falar apenas sobre a legalização das drogas, vejamos:

Algumas drogas são ilícitas, o consumo só aumenta junto com a violência, pessoas morrem, muitas pessoas não apenas o usuário, morre o menino que desde cedo viu no crime a oportunidade de conquistar seus sonhos, morre o pai de familia que trabalha e é assaltado por alguém que quer usar drogas e precisa roubar pra consumir, morre crianças com bala perdida nas guerras de traficantes, morrem policiais em tiroteios com gangues, familias se despedaçam ao perder alguém em qualquer condição que citei acima e quem lucra? Quem de verdade vive uma vida tranquila em cima do sangue dessas pessoas?
Não, não é o traficante do morro, esse morre cedo ou vai preso, enfim...quem lucra é quem tem muito dinheiro pra financiar tudo isso, as grandes quantidades de droga que entram no país e depois são distribuídas nas bocas, quem compra armamento pra que seus soldados continuem a defender seus pontos de venda e assim eles possam continuar a vender o que infelizmente muitos cidadãos de bem buscam para seu lazer, posteriormente seu vício.
Isso é o que acontece quando a droga é proibida.

Agora vou falar de drogas lícitas, vamos citar como exemplo o álcool.

A droga que mais mata no mundo reportagem Isto é (Clique aqui)

A única coisa que difere o álcool das demais drogas é que não existe tráfico, não existe traficante, não existe prisão pra quem vende ou consome, não existe sangue derramado em guerras de gangues,
Mas existe mortes por acidentes, mortes por doenças, mortes por brigas, quem lucra com isso tudo?
O empresário que vende o álcool que por ser legalizado o tal empresário não leva o nome de traficante e nem precisa se armar ou formar exército pra defender seus pontos de venda e continuar a lucrar.
Ele tem ao seu lado a publicidade que incentiva o consumo de tal droga para que eu e você possamos nos sentir livres, felizes...

Alguém já viu um container desses dentro de um posto de gasolina?



É Brasil, será que os diretores dessa empresa, os publicitários que tiveram essa idéia em algum momento se preocuparam com o número de mortes causadas em acidentes por embriaguez?

Pra quem tiver curiosidade em consultar, veja o número de mortes ligados a embriaguez na direção (Clique Aqui)

O que quero dizer com isso?

Não adianta ficarmos nos debatendo, nos ofendendo, colocando a religião no meio e ficarmos brigando...sou contra...sou a favor.

Não é isso que vai reduzir o consumo ou evitar mortes, não sou eu quem digo isso, os dados falam por si, basta uma pesquisa rápida no Google, basta assistir os noticiários na tv.

Precisamos entender o que leva uma pessoa a ter a necessidade de anestesiar a sua consciência, porque quem usa drogas, seja ela lícita ou ilícita na verdade está em busca do amortecimento da consciência...da vida.

Essa pessoa busca algo que lhe de uma sensação a qual ela não encontra em si mesma.

As pessoas carregam vazios dentro de si e não existe uma receita de bolo capaz de preencher, não adianta somente aceitar Jesus, ótimo pra alguns isso funciona, mas pra outros não, alguns se encontram no esporte, outros na luta por alguma causa.

Somos seres humanos complexos, alguém já procurou pesquisar sobre a diversidade cultural do mundo?

Essa diversidade precisa ser respeitada, o que nos faz bem o que é capaz de nos preencher não deve ser imposto deve vir de encontro a nossa alma, talvez seja ai que as drogas ganhem a alma de muitos, pois ela não é imposta ela conquista.

Precisamos nos unir, nos olhar sem preconceitos, buscar compreender de verdade o outro e aceitar as suas diferenças, se realmente quisermos ganhar a luta não contra as drogas, mas a luta pela VIDA.

Um ótimo dia a vocês



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Brasileiro executado na Indonésia e irmão do brasileiro que morreu no México

Não queria perder meu tempo falando sobre isso, mas depois que assisti as reportagens no Fantástico ontem, tive que desabafar...

Primeiramente não sou a favor da pena de morte, não estou comemorando a morte de ninguém. Só acho o seguinte: fez, tem que pagar. Cada país tem suas leis, e ele não escolheu cometer seu crime lá? Então, tem que pagar com as leis de lá. 

A família sofre? É claro que sofre. E eu tenho pena da família. Mas tenho pena também de tantas famílias que perderam seus filhos (as), pais, mães, maridos, esposas para as garras das drogas. Drogas que chegam nas mãos de nossos entes queridos tão facilmente devido aos traficantes, que estão em cada esquina. E se a situação está como está em grande parte é devido a impunidade. Vender droga no Brasil é uma das coisas que mais dá dinheiro, não dá trabalho e "não dá nada"... No máximo cadeia, isso quando é pego... 

Não estou dizendo que deveria ter pena de morte no Brasil, nem tampouco que o usuário é um coitadinho e o traficante o único vilão. Não existem mocinhos nem vilões. Existe livre arbítrio, a pessoa entra nessa porque quer, traficante não obriga ninguém a comprar, quem compra estimula o tráfico e etc. Mas o traficante é um criminoso, ganha dinheiro as custas do sofrimento de muita gente e tem que pagar sim. De algum jeito.

O que eu acho o fim da picada é traficante morrer e virar mártir, herói, só porque morreu! Já estavam até fazendo documentário achando que ele ia se safar. Ou seja, se ele voltasse pro Brasil ia ser considerado herói, ia chegar com mais moral ainda...

Outra coisa que me talhou o sangue foi a frase: "Ele não tirou a vida de ninguém". Não, imagina... Tão honesto, tadinho... Aff! Precisa comentar que o traficante tem as mãos sujas de sangue, e que o traficante playboy tem a mesma culpa que o do morro? Acho que não precisa...

Na boa, por que? Por que a mídia quer passar a imagem de bonzinho para esses criminosos? Por que a família tem influência? Pra não perder o costume de desinformar a sociedade? Por que é uma grande zé ruela? Não sei. Só sei que é uma bosta.

E a entrevista do irmão do tal do Dealberto que ficou doidão e morreu no México, o que foi aquilo gente?  Dois playboyzinhos brasileiros acostumados a encher a cara e se drogar vão pro México (encher a cara e se drogar), aí esquecem que estão no México, as drogas provavelmente são mais puras e consequentemente bem mais potentes, fazem merda, um morre, o outro fica cagando de medo de ser responsabilizado pela morte do irmão foge, fica 2 dias sumido, e agora quer que cole essa versão esfarrapada de que são dois rapazes de família, que "nunca foram dessas pessoas de estarem envolvidas com drogas", tomaram uns poucos comprimidos de ecstasy, entraram numa paranóia louca, um pulou da janela e o outro ficou 2 dias (!) sob efeito da droga em paranóia total. Aham, tá... Até meu d.q. na ativa inventava histórias mais convincentes que isso!

O negócio agora é jogar a culpa na russa que tava usando com eles, nas baladas de lá que rola droga a vontade... Como se no Brasil fosse diferente! Ah, e claro, dar uma de doido, de paranóico pra se safar...

Fantástico: Você acredita que sofreu algum tipo de perseguição?
Fernando: Não, de forma alguma. De forma alguma. A queda do meu irmão, com certeza, foi acidental, com certeza, acidental. Consumi alguma coisa que eu acreditava que seria o ecstasy. Em toda a minha vida, eu posso contar nos dedos quantas vezes eu usei este tipo de coisa.
Fantástico: Quantas vezes?
Fernando: Eu acredito que cinco, seis, no máximo. Nunca fui uma pessoa de estar envolvida com drogas. Eu senti medo, eu senti pavor, eu senti que tudo que eu fazia as pessoas estavam me olhando, as pessoas estavam tentando me ferir de alguma coisa.

Ai meu saco gente! É muita hipocrisia e desinformação... Eu dei foi risada quando vi isso. Um diz que é esquizofrênico, outro tem paranoia de 2 dias devido a ecstasy... tsc tsc tsc... Esse é o Brasil, país do jeitinho...

Tirando as drogas, o que sobrou?

Bom dia!

Continuando o post anterior:

Eu estava apreensiva pois não sabia quem iria encontrar depois que meu marido tomasse a ibogaína. O homem amoroso que por vezes aparecia (quando a droga deixava, dava uma trégua) ou alguém que só estava comigo pois precisava de mim e que no fundo não me amava. Na verdade não encontrei nem um nem outro. Encontrei sim um homem que me amava, mas não deixou de ter os defeitos que tinha. O vício nas drogas parece não existir mais, mas os vícios de comportamento, esses não somem de uma hora pra outra, nem com ibogaína. Por um tempo ele ficou meio encantado com tudo, com a vida em sí, com a natureza... Vivia repetindo que viver sem drogas é muito mais louco que viver com drogas. Ficou meio abobalhado mesmo rs. Mas passou. Ele voltou a ser quem era.

Saímos da clínicas já brigados. Apesar da maioria relatar ter visões durante as sessões, ele diz que não viu nada. Também tomou ayhuasca um dia depois do reset, mas disse que apagou, dormiu profundamente. Pelo fato de que estava a mais de 24h acordado (depois do reset eles geralmente não conseguem dormir), não duvido. Eu fiquei chateada com isso, queria que ele tivesse um despertar espiritual, uma viagem de auto conhecimento como eu tive, ou pelo menos algo parecido... O terapeuta me aconselhou a frequentarmos lugares que fazem uso da ayhuasca de vez em quando. Mas o R. adquiriu um preconceito muito grande em relação a isso. Após ouvir relatos de outras pessoas que tomaram e disseram ter visto um monte de coisa (pássaro gigante, origami gigante, etc...) ele se convenceu que o chá não passa de uma droga alucinógena e disse que não quer tomar nada que mexa com seu psicológico. Eu só queria que ele tomasse ao menos mais uma vez, para que visse alguma coisa, sentisse os efeitos e depois então decidisse. Até concordo em partes, viver sem nenhuma substância é o ideal, sempre que possível, mas ele ainda é tão imaturo, por vezes tão egoísta... A ayhuasca faria muito bem pra ele dar uma acordada, mas fazer o que, botou na cabeça que é contra...

O motivo da briga foi esse e o fato de, segundo ele, eu ter exagerado na onda do chá. Eu confesso que empolguei um pouquinho rs... Queria mudar de profissão, trabalhar ajudando pessoas, como fazem naquela clínica, que isso me faria mais feliz. Sempre gostei mais de humanas, mas escolhi trabalhar com exatas para poder conseguir trabalho mais fácil, ganhar bem e poder sair de casa (cidadezinha do interior, sem nada), ter independência financeira... Consegui isso, mas não estou realizada. Então, precipitadamente concluí que deveria sair de lá e já começar a dar um jeito de mudar de vida, fazer o que eu gosto, foda-se o lado financeiro. E ele ficou puto, achou que eu tava viajando. Como ele nunca chega pra conversar de forma clara e objetiva, expondo os reais motivos para ele estar bravo, ele simplesmente disse que ia dar um tempo na casa da mãe dele, que não queria ir pra casa comigo, pegou uma carona e foi embora. Eu peguei um ônibus e fui pra casa, convencida de que esse era o fim, que realmente ele nunca gostou de mim, que agora que não tinha mais o vício não precisava mais da besta aqui e esse foi o jeito de se livrar. E que eu tive que passar por tudo isso pois enquanto o vício não saísse eu nunca saberia com certeza quem era ele, e se eu terminasse antes acharia que tudo que ele fazia de ruim era por causa da droga, e que aquilo era um sinal de que não era só a droga, é ele que não gostava de mim mesmo.

Imaginem como fiquei, voltei sozinha, péssima, destruída por dentro... A mãe dele me ligou, disse que ele ligou pra ela chorando arrependido. Mas pra mim ele não deu o braço a torcer. Chegou em casa no mesmo dia que eu, só que a tarde, segundo ele só ia buscar suas coisas. Ele estava sem graça, mas sem coragem de admitir o erro preferiu se esconder atrás de uma máscara e fingir que estava ótimo. Aquilo me deu um ódio, não aguentei, explodi! Xinguei ele de tudo quanto é nome, disse que ele só me usou esse tempo todo, que agora que estava bem não precisava mais de mim e por isso fez essa cena toda, chamei de covarde, ingrato, monstro, aproveitador, bati nele, chorei, gritei, pirei... Ele começou a chorar desesperadamente, como eu nunca tinha visto antes... Disse que não era nada disso, que me amava, mas que ficou com raiva e não sabia como agir, agiu como de costume, mas que acabou estragando tudo, não queria estragar tudo, só queria que eu acordasse... que isso devia ser uma sequela deixada pela droga, que ele se sentia um idiota, que não sabe direito porque fez tudo isso... Falou que ficou assustado, que eu tava pirando pensando em largar tudo assim. Pensou que eu ia até ficar lá na clínica de vez. Que o povo lá só pensa em dinheiro, não tá nem aí pra ajudar ninguém, que eu fui muito facilmente enganada e ele ficou com raiva disso.

Então eu entendi que: 1) Ele de fato me ama e se importa comigo sim; 2) Ele é uma pessoa imatura, por vezes egoísta e até cruel. Por não saber lidar com o que sente acaba descontando no outro que no caso sou eu. Não sabe lidar com problemas, acha que devemos concordar em tudo e se não concordamos é motivo de brigar e até separar; 3) É impulsivo, não pensa antes de agir, só vai ver a burrada depois que já fez, é orgulhoso, desconfiado, incrédulo, cabeça dura; 4) Nada disso ia mudar milagrosamente após a ibogaína, isso é a personalidade dele, ou o que sobrou dela depois de 10 anos de drogas. 

Provavelmente essa personalidade conflituosa pode ter o levado a se perder nas drogas e também o uso pode ter ajudado a piorar as coisas. Mas o que eu mais acredito é que ele chegou à fase adulta pulando etapas. Enquanto se entupia de drogas não foi só seus estudos e sua vida profissional que ficaram estagnas, sua personalidade também. Enquanto ele deveria estar amadurecendo, evoluindo, aprendendo a lidar com problemas e frustrações, ele tava estagnado se drogando, sem aprender a lidar com nada. Se estava feliz usava pra comemorar, se tava triste usava pra esquecer, se algum problema aparecia invés de correr atrás de resolver o problema, jogava tudo pro alto e corria atrás de algo para se anestesiar, e por aí vai... Durante todo nosso relacionamento qualquer coisinha era motivo pra querer terminar. Era uma maneira de chamar atenção, de me manipular, me desestabilizar. Se as coisas não iam exatamente como ele queria, ele podia pular fora a qualquer momento. Se mantinha no controle da situação dessa maneira. Uma hora dizia que me amava, na outra dizia que não. Eu sempre corria atrás dele, mas por não aguentar mais comecei a desistir de fazer isso. Isso fez com que terminássemos algumas vezes, ele chegou até a ir embora de casa. Mas quando via a merda que fez voltava atrás, se arrependia e começava a correr atrás de mim. Quanto mais eu evitava mais ele procurava. Sabia que eu o amava e não ia conseguir ser firme por muito tempo, então a gente voltava.

Essa era a maneira dele lidar com tudo na vida: fazendo pirraça, agindo por impulso, fazendo merda e se arrependendo. Percebi que ele não fazia isso só por crueldade, mas por não sabe agir de outro jeito. Gosta de mim mas não sabe como lidar com a situação se ela sai do seu controle. O medo de perder é tão grande que as vezes ele mesmo põe tudo a perder. Além disso acredito muito no lado espiritual. Acho que deve haver uma luta espiritual muito grande pela vida dele. De um lado as forças do bem lutando pra salvá-lo (não sei como ele tá vivo até hoje e praticamente sem sequelas, pela quantidade que usava), do outro as forças do mal não querendo perdê-lo. É incrível como tudo colaborava pra ele usar droga, até quando tava sem dinheiro aparecia gente pra bancar (como eu disse no primeiro texto). Quando fomos fazer o tratamento com ibogaína também tudo contribuía para dar errado (texto anterior). 

Depois, daquela briga toda tive um estalo e percebi tudo isso. Comecei a conversar com calma. Falei que ele não precisava ir embora, iríamos resolver isso. Depois ele me disse que ainda bem que não deixei ele ir embora, pois ele ia acabar parando na biqueira de novo. Mais uma vez o mal quase o levou de volta...

E o que fazer então? Bom, penso que se cheguei até aqui não vou desistir logo agora. Depois desse furacão estamos começando a nos entender. Sei que ele precisa melhorar muito ainda e que eu terei que ter paciência. Mais que isso, precisarei ser firme e não alimentar mais os seus comportamentos ruins. Se antes a minha posição era de aguentar qualquer coisa para evitar briga (agindo assim eu achava que podia evitar que ele fosse usar), agora tenho que mostrar pra ele que não vou aceitar desrespeito. Não é fácil. Muitas vezes eu só queria paz, mas ele se ofende com qualquer coisa. As vezes dá vontade de abaixar a cabeça só pra acabar com uma discussão, mas não posso. Ele tem que entender que eu tenho o direito de discordar dele, de corrigi-lo de vez em quando (porque ele adora fazer isso comigo mas odeia quando eu faço com ele), de me chatear, etc... E se ele for dar piti por causa disso paciência. Não vou deixar de ser eu mesma ou de falar o que quero só pra agradar. Tenho que me melhorar também, mas não por ele, e sim por mim.