terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Medo e Ansiedade

Bom dia a todos!!

Hoje vou falar de sentimentos que rondam a vida de quem convive com um dependente químico, quando eu aceitei que não podia modificar ele, que ele tinha uma doença e que cabia a ele apenas sair dessa eu consegui me livrar do medo e da ansiedade que me rondavam, sempre quando ficava na expectativa do SERÁ QUE?

Será que agora ele acorda
Será que agora ele leva a sério o tratamento
Será que ele vai morrer
Será que ele vai conseguir

Pois é, quando convivemos com um futuro incerto e que as possibilidades de não acontecerem coisas tão boas são grandes, a gente aprende a olhar mais pro hoje e viver mais o hoje, então o medo e a ansiedade vão sumindo, pois aprendemos a viver cada dia como se fosse o último.

Mas quando acontece algo muito bom e que de certa forma nos da segurança de que agora vai dar certo, como no caso do tratamento com a Ibogaína, aquela sensação de que o pesadelo acabou, nos faz voltar a sentir medo de tudo voltar a ser como era e nos gera ansiedade em tentar controlar e fazer durar o máximo possível aquele momento.

Ontem eu estava em uma luta danada comigo mesma, tentando controlar essa ansiedade, esse medo, tentando viver somente o hoje, tentando não criar expectativas, mais também não sendo pessimista, sabe não voar longe mais também não deixar de viver algo bom.

Pedi ajuda a minha madrinha, conversei com o papai do céu, mudei o foco e controlei aquela explosão de emoções.

Sim a Ibogaína funciona e muito bem, mas é como um paciente com câncer no pulmão, ele vai fazer a quimioterapia, o tumor vai sumir, mais se o cara decide continuar a fumar...não vai resolver muito.

E nós familiares temos que ter a consciência...SOMOS IMPOTENTES...

Aceitação, eu Entrego e eu Confio

Serenidade para aceitar o que eu não posso modificar, coragem para modificar o que posso e sabedoria pra distinguir umas das outras.

Não estamos sozinhos, mas o caminho é solitário ou pra não soar tão triste INDIVIDUAL.

Fiquem com Deus

Namastê


9 comentários:

  1. Como eu digo (pra mim mesma) somos expectadoras. Podemos observar e orar por eles. A estrada está alí, a porta está aberta, as pernas estão fortes outra vez. Mas dar os passos, sair andando, é com eles. Não podemos mais empurrar, não podemos ficar pegando o pé e tentar colocar um à frente do outro, fazer caminhar.... Senta e observa.

    Janete

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    1. É verdade simples assim apenas viver nossa vida e observar...o que devemos controlar?? nossa respiração e as batidas do coração ...hehehe

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  2. Bom dia... com certeza é assim mesmo, mas o pior de tudo é a m... da co-dependência! Viver em função do outro, se está bem, se está mal é f... quando estão em ratamento, se vão seguir firmes, se vai dar certo ou não... é uma luta grande, desgasta muito a ente a ansiedade corrói!
    Só com muita oração, Deus e sabedoria para controlar os sentimentos e focar em nós mesmos para seguir.
    Viver e deixar viver, sendo bom ou ruim, para com nós mesmos e quem amamos não e nada fácil! Mas, totalmente possível.
    bjsss

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  3. Isso mesmo não é tão simples maaaas totalmente possível...um baita aprendizado...hehehe

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  4. Hoje tive um típico acesso de raiva, boa co-dependente pulei no pescoço do meu marido! Me ligaram da clínica, ele saiu de lá e disse que ia embora andou 8 km a pé no sol de 43 graus...
    Consegui sair a empo e resgatá-lo no caminho.
    Levei de vola p a clínica, discuti ouvi merda e pulei literalmente no pescoço... ah se eu fosse homem... essa hora ou eu ou ele estava na UTI de tanta pancada que ia levar...
    Ilusão pura, se discussão, agressão adiantasse, não existiram dependentes na face da terra.
    Chorei me descabelei...
    Mas sai de lá com a certeza de que fiz o correto... " se sair sai e cai no mundo, não apreça em casa e nem na casa do teu pai, ninguém quer mais uma pessoa assim pra acabar com o resto que sobrou nesses anos de loucura pela tua doença... e se ficar, faça o tratamento até o fim com certeza Deus vai e honrar...
    E vim embora.
    Ele jurou que vinha atrás a pé e que não ia mais nem querer me ver pintada de ouro e que se os pais não aceitassem que ele ia morar numa pensão...
    Ai pensei... escolha é dele, não minha!
    Dei oque pude, fiz oque pude, agora é a vez dele mostrar o amor por mim, pelo filho e pelos pais...
    Chega se só doar e não receber...
    Ai o responsável chegou a tarde, ele esperou e está lá... disse que não sabe oque passou na cabeça dele...
    e são 46 dias limpo, recaídas de comportamento dele e incomodação...
    E nós aqui chorando, orando e dando o nosso melhor, o amor...
    Até que ponto vale a pena, não sei, só que ou ele sai ou saio eu da vida dele.
    Cansada... esgotada...
    Mas, com fé e esperança no melhor...
    As vezes tbm recaio, mas Deus vai me dar forças como sempre me deu.

    bjsss

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    1. Eu tbm Sharom, hoje fui uma boa codependente... Quis manipular a vida do meu marido! Kkkkk confesso que loucura da minha parte! Quando estamos em recuperação as vezes tentamos esquecer os momentos tristes que passamos! E quando o dependente acorda num dia ruim, nosso alarme começa a soar! O barulho do alarme me assusta, me dá medo de passar por tudo aquilo que vivi novamente! Como podemos ser dependentes dos sentimentos dos outros! Se estão bem, estamos bem; se estão mal, lá vem nossa mania de achar que podemos resolver tudo!!!!!! Volta todos os sentimentos de antes, as angústias, as paranóias, os medos... E isso me deixou mal! Me fez lembrar que não posso controlar nadaaaaaaaaaa e o único que pode todas as coisas é Deus! Então corri pros braços de Papai e pedi a Ele que cuide de mim e de meu esposo, das nossas loucuras! Me deu um conforto danado mas confesso que lá no fundo, bem no fundo minha doença grita!
      Que tenhamos mais 24 horas de paz e serenidade!!!!

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    2. Parabéns pela sua atitude, por ter levado ele de volta e deixado, apesar das birras. Vc está bem mais forte.

      Janete

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  5. Fogo... Tento me esforço... E até esquecer é difícil... Todos ao meu redor, me criticam, dizem que não há esperança... Que ele não vai mudar... Dói tanto... Tudo hoje tudo junto... Cansada!

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  6. Realmente meninas, lidar com nossos traumas, aprender a respeitar nossos limites, admitir nossa impotência requer um trabalho diário...mas conforme raspamos as feridas quando elas começam a cicatrizar as situações, as emoções aparecem porém menos intensas....força...

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