sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Compulsão

Nunca em 8 anos que estou com ele, vi ele em compulsão, normalmente o uso era exporádico, o período mais curto que ele ficou limpo, era de 1 semana, normalmente variava entre 1 mês e 3 meses.

Mas agora, o período limpo durou pouco mais que 1 dia, bastou recuperar da ressaca, e voltou ao uso, não foi trabalhar hoje novamente.

Liguei pra ele, ouvi um silêncio no fundo e perguntei: você está na sua casa?
Ele não respondia, disse a ele não precisa ter medo, se você usou eu não vou te largar por causa disso, ele começou a chorar dizendo que não conseguia levantar, que passou muito mau, disse a ele: porque não vai ao médico, ele respondeu que não conseguia.

O meu carro está com problema na bateria e preciso trocar pra ir embora do trabalho, então disse a ele que se fosse de sua vontade amanhã eu o levaria ao hospital o qual ele está se tratando, ele disse que ia ver.

Conversei com ele e deixei as coisas bem claras: não tenho problema em ter um relacionamento com você porque é um adicto, mas eu não consigo conviver com você, vendo que está se matando e fica a se auto-enganar,  então pensa bem, não importa que aconteçam recaídas o que me importa é que você esteja buscando saídas, não vou te pressionar a buscar ajuda, isso é com você.

Estou tranquila, acredito que se isso acontecesse a alguns anos atrás eu já teria saído do trabalho, ido arrumar a bateria pra correr leva-lo ao médico, fiquei triste por ele, pela situação, mas sem crises.

Consegui sentir compaixão, sem sentir dó ou raiva, consegui enxerga-lo como um ser humano com problemas a serem superados, consegui estender a mão sem carregar no colo, consegui viver e deixar viver.

Consegui!!!!

Peço a vocês orações por ele, que Deus e seus anjos lhe iluminem e lhe de força pra pedir ajuda e continuar na luta.

E que Deus continue me dando serenidade, coragem e sabedoria, do qual acredito que ainda tenho dificuldades na coragem de enfrentar o que há por vir caso ele resolva não buscar ajuda.

Fiquem com Deus

5 comentários:

  1. Nossa Kel, que exemplo! Bom exemplo de parceira, companheira!
    Estender a mão pra quem amamos é fácil, o difícil e não sentir raiva pelo acontecimento, ódio, dor ou rancor e vc conseguiu! Parabéns!
    Eu me afundo em brigas com meu marido mesmo ele limpo, pq as marcas que a adcção deixam no adicto, os costumes as manias é fogo de conviver... Acho que na lá em casa quem tem que internar sou eu não meu marido, ele precisa acordar e buscar uma maneira de viver limpo, focar em coisas novas saudáveis... eu - me internar - sair desse caos - dar um tempo pra minha cabeça - sumir!
    Quem sabe um dia eu tenha uma postura mais sensata e menos sofrida como vc em hoje! Obg por compartilhar... bjss

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  2. Obrigada linda...mais olha eu só consigo agir assim, porque não moro mais com ele...eu ainda não consigo visualizar eu ter essa serenidade toda debaixo do mesmo teto e sendo afetada pelas escolhas erradas, seja financeiramente ou emocionalmente...lhe digo com toda certeza se eu morasse junto com ele...essas horas ia ta dando barraco..kkkk...me internei definitivamente longe daquela loucura toda...bjus

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  3. rsrsrs... barraco! isso pra mim já é normal! Logo eu que odiava berros, gritos, era a finesse em pessoa! kkkkkk
    Mas, é verdade, debaixo do mesmo teto, vendo, sentindo... no calor da hora é froids!!
    bjss

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  4. Parabéns querida!!! Que bom te ver assim, veja só isso é fruto de semente que vc plantou entre lágrimas ao decidir não morar mais com ele. A gente sempre colhe o que planta...
    Achei muito bonito e forte vc dizer a ele: 'não precisa ter medo, se vc usou não vou te largar por causa disso...'
    Realmente, não é fácil não, mas também não é impossível. Quando o nosso interior está em paz, está tranquilo, esteja á nossa volta a guerra que for, não somos abalados. Parabéns!
    Estou em oração por ele e por você! Deus sabe de tudo!
    Tamo junto!
    Só por hoje!
    Cris

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  5. Caminhando na recuperação, nega...
    Devagar e sempre.
    Que bom que está serena...

    Paz, serenidade e força na peruca!

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