sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Repassando - BLOG SÓ POR HOJE



Uma internação que se inicia  mediante resgate é um péssimo aferidor para qualquer "Clínica", ou "Centro".  A incomunicabilidade sob alegação de que o interno vai pedir para sair, bem como as visitas monitoradas, são indicativos ruins. A ausência de médico e equipe multidisciplinar depõe mal contra tais lugares que alardeiam "tratar" dependentes químicos. Muro elevadissimo, cercas eletrificadas, grades, quartos tidos como de "contenção", são indicativos que mostram onde não se deve colocar um familiar. Em relação ao tempo de internação inexiste qualquer ciência na fixação de longo tempo, é ficção. Impor, de imediato, um contrato de seis meses merece muita cautela exatamente por inexistir fundamentação científica, nem embasamento médico e, além do mais, tempo não é terapia. É preciso alertar os incautos que existe uma grande quantidade de pessoas que, após muitos anos de uso, abandonam o vício da noite para o dia, sem nada que sirva como justificativa. Outros, mediante frequência em grupos de auto-ajuda, também cessam o uso e passam a seguir o programa dos doze passos. Há os que encontram na religião uma saída. Então por quê o desespero? pra que medidas extremadas? pra que aceitar que donos de "centros" e "clínicas" ofereçam sequestradores alcunhados como socorristas de equipes de resgate? 

Existem diversos tipos de usuários, com níveis de educação e instrução diferentes, com índoles diversas, existem os que apresentam problemas orgânicos e/ou psiquícos e é sempre bom lembrar que cada caso é um caso.

O desejo e a vontade interior de abandonar as drogas, uma vez manifestado, merece estímulo, pois sem a boa vontade, a mente aberta e a honestidade consigo mesmo, não há recuperação certa. 

Centros involuntários merecem, de  parte da família, acompanhamento crítico, investigativo e jamais se deve confiar na palavra de proprietários de tais locais. Pacientes psiquiátricos, que por sua vez são dependentes químicos, merecem outro tipo de atenção e tratamento. 

Depois é interessante se perguntar em que consiste o tratamento que irão ministrar a um ente querido e se a família será parte integrante do tratamento.

Lugares que funcionam como centros prisionais devem ser evitados. Um modelo de clínica que recomendo seja levado em consideração, como positivo, é das clínicas que norteiam o tratamento no modelo adotado pela Vila Serena. Mas há que se levar em conta o que vai na cabeça do paciente, pois sem o desejo, sem a vontade de se tratar, não haverá tratamento certo. Também existe o modelo aberto que tem funcionado. O importante é a família apoiar, incentivar, ao invés de servir como agentes repressores e opressores, pois, ruim, por ruim, o dependente vai pra rua. 

Aconselhar é complicado quando existem inúmeras variáveis desconhecidas. Mas o importante é que o dependente queira se cuidar. Centros prisionais, resgate, grades e etc só irão agravar o problema. O familiar também precisa entender que necessita de ajuda e deve busca-la. Ficar ouvindo a  opinião de Candinha e Maricotinha, ou dos Candinhos, em nada irá ajudar. Ajuda, só especializada e é sempre bom lembrar que cada caso é um caso.

Hoje existem diversas modalidades de tratamento que não exigem internação. Também existem dependentes diferenciados. A família, no primeiro momento, impactada e sob influência da mídia, tende a tomar medidas extremadas e acabam recorrendo ao sequestro e ao cárcere privado, não importa o que quer que digam: sequestro é sequestro e cárcere privado é cárcere privado.

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