terça-feira, 10 de junho de 2014

somos Pequenos

Para se falar sobre um Anjo toma-se necessário ser um Anjo também condição da qual
estamos muito longe. Vamos dar leves traços sobre este livro que retrata a personalidade
de Francisco de Assis, há oito séculos atrás.
O nosso companheiro Miramez escolheu alguns acontecimentos ocorridos com o Poverello
de Assis, em uma sequência de quarenta e quatro anos e que foram quarenta e quatro
anos de caridade, vividos no seio da humanidade, esta humanidade que ignorou a
grandeza desta alma de esferas distantes, Espírito destinado a deixar um traço de união
entre todos os seres que vivem e todas as organizações políticas e religiosas. O nosso
amigo espiritual nos diz que este livro é uma simples anotação sobre a vida desse grande
santo, que faz parte do colégio apostolar de Jesus Cristo.
Francisco de Assis viveu a mensagem do Evangelho de modo a consolidar a palavra
Amor, fazendo-a sair da teoria e avançar para a prática do dia-a-dia. Não há jeito na Terra
de se pensar e escrever sobre a Caridade, sem se lembrar do Homem da Úmbria: todos os
caminhos por onde passou falam dele. Deixou impregnado no tempo e no espaço, nas
coisas e na própria natureza, algo de divino, que somente o tempo poderá revelar no
futuro, para a grandeza da fé. Não se pode lembrar dos hansenianos sem encontrar a
figura extraordinária de Francisco; não se pode falar da assistência social, sem que ele
esteja no meio; não se pode referir ao amor, sem a sua benfeitora irradiação.
O Cristo operava no mundo pelas mãos desse Anjo de Deus, confortando os doentes,
curando os enfermos, instruindo os ignorantes, fartando os famintos e vestindo os nus.

Dava sem receber e recebia distribuindo.
Amava sem exigências e, quando ofendido, amava o ofensor.
Abençoava a todos, e, quando apedrejado, servia mais.
Falava sem ferir, e, quando ferido, compreendia o revoltado.
Nunca se indignava e, quando em meio à revolta, orava em favor de todos.
Trabalhava e amava o trabalho.
Defrontando-se com a inércia, estimulava o labor.
Tinha como base da felicidade, a alegria.
Quando encontrava a tristeza, alegrava-se mais.
Não falava em doenças.

Quando encontrava enfermos, enfatizava a saúde, sem esquecer a fé. Ouvia em silêncio
os que sofriam e falava quando a sua palavra fosse consolo ou paz.
Desejava o bem de todos, sem cogitar de onde procediam, para onde iam, a qual escola
ou partido político pertenciam.
Não era dado a examinar procedências para servir, pois via a todos como filhos de Deus.

Este livro é uma bandeira de simplicidade, é um conjunto de regras fundamentadas nos
preceitos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele abre uma compreensão mais vasta nos
cambiantes da fraternidade pura, colocando os dois mundos em completa sintonia, para
que a Caridade se saliente em todos os contornos da harmonia celestial. Mostra a
natureza, enfocando o Criador em variadas operações, fazendo-0 expressar-se nos
inúmeros reinos, nos quais tudo vive e busca o Belo, em demanda à perfeição.
Francisco de Assis mostra o quanto vale o Amor e faz a humanidade conhecer aquele
Cristo de há dois mil anos, fundindo e refundindo todas as virtudes, na expressão que a
Sua vida nos oferta. Francisco venceu a morte porque venceu as imperfeições, lutou
contra os instintos inferiores e alcançou a vitória sobre os inimigos internos, consolidou
os dons espirituais no coração e irradiou o Bem em todas as direções.

Foi bom, foi justo e honesto.
Foi feliz, trabalhador e irmão.
Foi perdão.
Foi manso, enérgico e compreensivo.
Foi caridoso, foi carinhoso e foi pai.
Foi tolerante, humilde e pastor.
Foi santo.
Foi místico e foi homem.
Foi Anjo,

porque cultivou um jardim de virtudes dentro do coração, na presença do Cristo e na
lavoura de Deus.
Este livro ser-te-á alimento para o espírito e saúde para todos os corpos que o Senhor te
emprestou.

Bezerra de Menezez

Belo Horizonte, 19 de julho de 1982

Nenhum comentário:

Postar um comentário