sexta-feira, 16 de maio de 2014

em Busca

Foi através do sofrimento que precisei tirar algumas vendas dos meus olhos para enxergar a saída.

O sofrimento que me levou a essa busca foi a convivência com um familiar dependente químico.

Como era minha vida antes de conhece-lo?

Bem eu era mais uma pessoa que vivia pra me enquadrar em uma sociedade, todos nós vivemos assim, não sabemos exatamente quem somos, mas procuramos estar no meio de pessoas que nos aceitem
Por afinidade frequentamos esse ou aquele grupo dentre uma diversidade cultural enorme a qual convivemos hoje.
E geralmente o que é considerado "normal" é melhor aceito entre os membros dessa grande sociedade

O que é ser normal?

Bem aqui no ocidente, ser normal atualmente é ser alguém que se enquadre no papel de cidadão, alguém que produza algo, que seja útil no meio em que vive, então considero resumidamente que pra ser aceito como alguém normal sem muitos questionamentos, você deve se enquadrar nesses aspectos:

- Se formar em uma faculdade
- Ter um bom emprego
- Ter uma religião
- Casar e ter filhos
- Comprar uma casa
- Dedicar algumas horas a um trabalho filantrópico
- Garantir uma aposentadoria que lhe de tranquilidade no futuro

Uma pessoa que cumpra muito bem esse roteiro em sua vida, não é questionada, não é rejeitada e tida como exemplo a ser seguido.

Deixo uma pergunta pra que reflitam:

Será somente esse nosso papel no mundo?

Bom final de semana

4 comentários:

  1. Conversa com a pedra.
    Bato à porta da pedra.
    - Sou eu, deixa-me entrar.
    Quero penetrar no teu interior,
    olhar ao redor,
    prender-te como a respiração.

    - Sai - diz a pedra.
    Sou hermeticamente fechada.
    Mesmo quebradas em pedaços
    vamos ficar hermeticamente fechadas.
    Mesmo trituradas em grãos
    não vamos deixar ninguém entrar.

    Bato à porta da pedra.
    - Sou eu, deixa-me entrar.
    Venho por curiosidade pura.
    A vida é a única ocasião para ela.
    Pretendo passear pelo teu palácio,
    e depois visitar a folha e a gota d"água.
    Não tenho muito tempo para tanto.
    Minha mortalidade deveria te comover.

    - Sou de pedra - diz a pedra -
    e sou obrigada a manter a seriedade.
    Sai daqui.
    Não tenho os músculos do riso.

    Bato à porta da pedra.
    - Sou eu, deixa-me entrar.
    Ouvi dizer que em ti há grandes salas vazias,
    nunca vistas, inutilmente lindas,
    surdas, sem eco de passos de quem quer que seja.
    Reconhece, tu mesma não sabes muito sobre isto.

    - Salas grandes e vazias - diz a pedra -
    mas nelas lugar não há.
    Lindas, talvez, mas além do gosto
    de teus pobres sentidos.
    Podes me conhecer, mas me provar nunca.
    Com toda a minha superfície me volto para ti,

    mas com todo o meu interior te dou as costas.

    Bato à porta da pedra.
    - Sou eu, deixa-me entrar.
    Não busco em ti um refúgio para a eternidade.
    Não sou infeliz.
    Não estou desabrigada.
    Meu mundo é digno de retorno.
    Vou entrar e sair com as mãos vazias.
    E como prova de que realmente estive presente,
    não vou mostrar nada além de palavras
    às quais ninguém dará fé.

    - Não vais entrar - diz a pedra -
    Falta a ti o sentido da participação.
    Nenhum sentido substitui o sentido da participação.
    Mesmo a visão elevada até à clarividência
    não serve para nada sem o sentido da participação.
    Não vais entrar, tens apenas uma noção deste sentido,
    apenas o seu germe, sua imagem.

    Bato à porta da pedra.
    - Sou eu, deixa-me entrar.
    Não posso esperar dois mil séculos
    para entrar debaixo do teu teto.

    Se não crês em mim - diz a pedra -
    Dirige-te à folha, ela te dirá o mesmo que eu,
    e à gota d"água, que te dirá o mesmo que a folha.
    Por fim pergunta aos fios de teu próprio cabelo.
    Um riso se alarga em mim, um riso, um riso enorme,

    que eu não sei rir.

    Bato à porta da pedra.
    - Sou eu, deixa-me entrar.
    - Não tenho porta - diz a pedra.
    Wisława Szymborska

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  2. Não é esse o nosso único papel no mundo, porém é um dos nossos papéis. Podemos não nos enquadrar 100%, mas sempre buscamos pelo menos. Dentro de qualquer grupo que vivemos, temos regras e temos direitos, nos enquadramos ou deixamos o grupo: igreja, clube, escola, grupo de apoio....quem não aceita e não se enquadra tem a liberdade de não mais pertencer àquele grupo especifico. Uma pessoa que fizer tudo ao contrário do que o grupo espera acaba naturalmente ficando à margem e isolada no grupo. Coisas do ser humano, e na verdade se não houvessem regras viveriamos uma bagunça sem fim, talvez o ser humano não tivesse progredido até onde estamos.

    Janete

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  3. é muito bom expor o que pensamos, assim conseguimos ter a dimensão do caminho do meio...nem tanto a loucura e nem tanto o realismo...observar é aprender... :)

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  4. Oi, Kel. Bacana fazer essas reflexões... Sabe, com muito esforço já consegui 5 dos 7 itens que você citou, não para ser aceita, mas porque me sinto realizada... Mas, o engraçado é que mesmo assim, não me considero "alguém normal". haha
    Bjos!

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