quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

minha familia me Expulsou de casa



Bom dia

Sabem sempre vejo reportagens sobre a cracolândia onde, os reporteres encontram pessoas que até então não precisavam estar ali, profissionais formados como: professores, artistas, modelos, entre outras, pessoas que tem família e ao serem abordadas, sujas, mau vestidas, em situação de rua, quando questionados: Porque você vive nessa situação? A resposta quase sempre é essa
- Conheci o crack, perdi tudo, emprego, mulher e minha família me colocou na rua.

Estava pensando qual o entendimento das pessoas que não vivem essa situação ao ouvir essa declaração.

Na sociedade onde vivemos, cujo tema drogas é abordado de forma sensacionalista e com pouca informação de qualidade, o que sera que passa na cabeças dessas pessoas?

Alguns vão dizer: Isso mesmo, vagabundo que rouba tem que viver na rua, por que não jogam eles em uma ilha cheia de pedra de crack e deixam eles lá até acabar a droga e se matarem

Outros: Meu Deus como a família teve coragem de abandonar um filho na rua, um prato de comida não se nega nem a um cachorro quem dirá a um filho, desse jeito nunca vão sair dessa situação.

Eu como familiar, quando ouço essas opiniões, penso "Ninguém consegue imaginar o sofrimento que essa doença traz tanto ao dependente quanto ao seu familiar"

Somos rotulados de duas formas, tanto nós quanto os  dependentes químicos, nos consideram monstros ou coitadinhos nas duas situações percebem?

Não, não somos nem coitadinhos e nem monstros.

Somos seres humanos que convivem com a dor de uma doença conhecida como Dependencia Quimica ou Adicção, que é reconhecida pela OMS

E não precisamos de julgamentos ou pena

PRECISAMOS DE AJUDA

É uma situação muito complexa, se não fosse os grandes médicos e estudiosos já haviam encontrado uma maneira de acabar com essa epidêmia, ao contrário ela só aumenta, destruindo SERES HUMANOS...nem santos e nem demônios

Qual o caminho?

Não sei, tenho alguns pontos de vista que acho importantíssimo abordarmos:

1º -  A cracolândia não representa nem 1% dos dependentes quimicos do mundo, isso é apenas a ponta do Iceberg
2º - De que adianta campanhas contra o crack e propaganda que incentivam o consumo de bebidas alcoolicas que também é droga e em segundo lugar no ranking das drogas que mais matam, perdendo apenas pro cigarro
3º - Se querem ajudar, não adianta fazer sensacionalismo em cima de um assunto sério, procurem abordar de maneira mais inteligente esse tema
4º O familiar também sofre, se querem ter mais sucessos na recuperação do dependente quimico olhem pra gente também
5º O maior problema não é cheirar uma carreira ou fumar uma pedra, mais sim o COMPORTAMENTO, do dependente químico em relação a sua autodestruição e como ele afeta psicologicamente a familia toda

Eu te garanto que é uma das maiores dores que eu senti ter que deixar quem eu amo, não poder ter uma familia com ele, não porque ele é um marginal, mais porque ele está aprisionado dentro de sua própria mente, isso o faz ter comportamentos que afetam psicologicamente, fisicamente a ele e aos que o cercam.

Infelizmente ou felizmente eu aprendi que não posso salva-lo, então no meu caso e no caso de muitas familias o que acontece não é o abandono a um marginal ou a um coitadinho doente

ACABA SENDO A NOSSA ÚNICA SAÍDA DE NÃO MORRER JUNTO.

Por favor autoridades, abordem esse tema com mais respeito e menos julgamento, com informação de qualidade.

Fiquem com Deus

3 comentários:

  1. Muito bom, Kel!
    É exatamente isso!
    Adorei os cinco tópicos.

    Bjo!

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  2. o pior sofrimento para a familia e quando descobre que tudo foi feito e ao mesmo tempo nada foi feito, porque somente o usuario e que pode querer de verdade sair ou nao desta vida.
    abraços.

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