sexta-feira, 22 de novembro de 2013

é Dificil




Olá Galera

Comigo tudo em paz, graças a Deus.

Ontem vivi duas situações as quais não me chocaram, mais deixaram claro como infelizmente a "problemática drogas" é muito pouco conhecida como de fato ela acontece.
Essas duas situações me remeteram a tantas outras familias que tem um dependente químico na familia e que por falta de informação de qualidade e excesso de orgulho, falta de humildade infelizmente preferem viver no autoengano do que realmente encarar os fatos, não estou julgando pra essas afirmações tenho argumentos e vamos a eles:

Toda quinta tenho ido ao Grupo Amor Exigente, e minha sogra vai pra minha casa pra ficar com os netos, até então ela não sabia que o filho estava recaído, eu não disse nada porque ninguém nunca me perguntou nada, não ia fazer o papel de pombo correio, mas ontem ela me perguntou:
Sogra: E o irmãozinho (filho dela o Dú que mora atualmente com ela) como está?
Eu: Olha dona G. eu não vou mentir pra senhora, só peço que não vá brigar com ele dizendo que eu lhe contei, mais já que a senhora perguntou, não, ele não está bem está recaído.
Sogra: Eu pressenti Deus me amostro, fazer o que ele gosta mesmo, deixa ele fazer o que ele gosta, gente ruim é assim mesmo, não liga pras pessoas e pra mim quem gosta disso é porque tem má indole.
Eu: Olha dona G. ele não é ruim, ele tem uma doença que sim afeta seu carater, e a senhora pode não gostar do que irei lhe dizer, mas essa doença é uma doença da familia e infelizmente se a familia toda não se trata, as chances de recuperação diminuem muito, estatisticamente falando se a cada 10 pessoas q usam drogas apenas 2 se recuperam, os familiares também a cada 10 familias que tem um dependente quimico somente 2 buscam ajuda e se tratam, infelizmente.
Sogra: (ficou pensativa) A mais eu busco ajuda e tenho fé vou na igreja
Ai começou o mesmo blablabla do filho dela, que pra ela o grupo não serve, que o único lugar que realmente se aprende o que Deus quer ensinar é na igreja, então reclamou dos filhos, da vida...e eu escutando, quando ela terminou eu disse:
- Quando a senhora ta doente vai aonde?
Sogra: No médico
Eu: Então, se a senhora procura um médico quando está doente, porque não procura um grupo de ajuda pra familiares que tem um dependente quimico, Deus é tudo na nossa vida e ele que nos direciona, porém quando a senhora está doente não é ele que escreve a receita com o remédio, a senhora precisa ir no médico pra isso, o grupo é a mesma coisa, aonde a senhora vai aprender sobre a doença do seu filho e como a família inteira também é adoecida? Deus abre as portas dona G, agora decidir passar por elas é com a gente.
Ai ela contou mais uma história se justificando pra não ir ao grupo, como aprendi que idéia feita é besteira discutir fiquei ouvindo, e pedi direcionamento ao PS, me lembrando da assertividade que aprendi nos grupos, então ela disse:
- Eu gosto quando as pessoas me corrigem, minha filha esses dias me disse, mãe a senhora ta errada, pq faz isso e aquilo, eu parei pra refletir e vi que ela tinha razão, minha irmã também esses dias me disse que mania que eu tenho disso e daquilo, e parei pra pensar e vi que realmente ela tinha razão, assim que nos aprendemos ouvindo as pessoas.
Eu:- Então se a senhora me permite vou lhe dizer uma coisa, a senhora não vai aos grupos porque tem orgulho sobrando e falta humildade, pois não admite que pode aprender algo em outro lugar a não ser dentro da igreja e o seu filho age da mesma forma, não vai aos grupos e não sai da igreja e ta do jeito que tá, dona G. eu também durante muito tempo achei ser a dona da razão, e hoje eu procuro manter minha humildade e aprender com todas as ferramentas que Deus nos deixou aqui na terra, e isso tem me ajudado muito, inclusive a lidar com seu filho, antes eu era muito estourada com ele e só apontava os defeitos dele, hoje eu consigo me expressar melhor de forma equilibrada, afinal como eu posso cobrar dele que tenha uma postura equilibrada se eu mesma não tinha, hoje eu consigo com que ele me respeite, porque eu aprendi a respeita-lo.

Enfim, ela parou algumas vezes pra refletir, mais toda hora se justificava, eu tentava compreende-la e até a compreendo e o que acontece com ela é exatamente o que descrevi nesse post DESABAFO DA SOGRA

Outra situação, ao chegar no grupo a porta estava fechada, enquanto eu esperava chegaram duas moças a mãe e a irmã de um adicto, a mãe e a irmã estavam nervosas e diziam:

- Quanto tempo dura esse falatório?
Eu: - Duas horas
Elas: Afff, ainda obrigam a gente a vir aqui que absurdo, meu filho é diferente não tem nada haver com isso
Eu: - Esse grupo mudou minha vida, posso dizer que foi a melhor coisas que vcs fizeram
Elas: - Hahaha todos nos falam isso, até parece, eu to é cansada, meu filho foi internado pq é esquisofrenico, por isso precisei internar ele
Eu: -  Ele não é dependente quimico?
Elas: Não mais, já ficou um tempão preso, e já usou muito, mais hoje o problema dele é a esquizofrenia e ainda arrumou uma mulher que usa droga ai foi e recaiu
Eu: -  Mais ele usa droga, ou apenas é esquizofrênico
A mãe: - Não ele não usa foi só uma recaída
A irmã: -  Mãe ele usa sim, ele voltou a usar
A mãe: - Foi por causa daquela mulher que ele arrumou.
Eu: -  Calma gente não é bem assim, não da pra culpar ninguém pelo uso de drogas dele
A mãe: Eu já to de saco cheio, ainda sou obrigada a vir aqui, perder meu tempo e ouvir falatório, por que não abrem mais cedo? Tem que ser esse horário
Eu: - Essas pessoas são voluntárias, fazem isso de graça, elas trabalham, por isso os horários não são assim tão flexiveis
A mãe: - Ha por que eu to de saco cheio, eu fiz tratamento com ele no Caps, eles ficavam em uma sala e as mães na outra, e lá a gente fazia perguntas sobre o nosso filho.
Eu: - Então, além de conhecer a doença deles, precisamos conhecer a nossa, e nesse grupo é isso que fazemos, conhecemos a nossa doença pra saber lidar com eles e cuidar de nós
Então elas foram se acalmando e acabou que entramos eu disse a elas o importante é vcs aprenderem a se cuidar e a lidar com seu parente.

Com esses fatos só reforça infelizmente o que hoje eu já enxergo.

Pouco ou quase nada se sabe sobre a "problemática drogas".

E o maior problema não é somente falta de informação, isso também é um problema, mais ao meu ver o maior problema está em:

As pessoas querem mesmo se olhar no espelho e se modificar?

Porque a recuperação requer isso, se olhar no espelho e se modificar, tanto pra nós familiares quanto pros dependentes quimicos.

Hoje enxergo que a dependência química é uma doença da sociedade, e não apenas de alguns grupos, é o reflexo da sociedade em que vivemos totalmente ADOECIDA.

Um bom dia e ótimo feriado


4 comentários:

  1. Sabe, Kel, inicialmente eu pensava que o 12º passo, nós fazíamos para os outros, mas descobri que não. O papel que você tem feito (12º) com sua sogra, e com essas duas mulheres, não terá resultado somente se elas aceitarem, já teve resultado em você mesma. Percebi que cada vez que levo a mensagem, a primeira a ouví-la sou eu mesma. Se o outro receber, seremos dois beneficiados. E se não ouvir, ainda assim serei beneficiada. O negócio é continuar levando o que aprendemos, afinal existem muitas famílias ansiosas pela oportunidade de mudança, e não sabem como mudar... Bjão, querida! TMJ!

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    1. eu sei disso Poly, sei q aprendo com isso, apenas enxergo a realidade...e é triste saber que infelizmente as pessoas não se recuperam porque simplesmente não querem, entendo q cada um tem seu tempo...e o q nos resta é aceitar e ter compaixão com os q ainda não despertaram..bjus

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  2. KEl e Poly, vcs já leram o livro “Por Trás da Aparência Singela de Mãe” do Raphael Mestres? eu acabei de ler e aborda exatamente esse assunto que vc escrever. As mães que infantilizam os filhos e não entendem da doença, encobrem , acobertam , não largam para o mundo como deve ser feito e a figura do pai que não coloca limites! é excelente.. principalmente para vcs que são mamães ;) bjoss

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  3. Nao conhecia Vic. Obrigada pela dica. Beijos! :)

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