quarta-feira, 23 de outubro de 2013

a Travessia




Depois de atravessar o mar e chegar a terra firme, venho muitas vezes observando o meu próximo que continuando no mar se debatendo ou ancorado em terra onde a insanidade ainda os domina.
Vivi por muitos anos nessa terra insana, tentando salvar quem se afogava.
Agora que atravessei, olho pra essas pessoas e por vezes tenho vontade de entrar no meu barco e ir resgata-las, aprendi que não posso, atravessei o mar a nado, e somente assim que é possivel.

Precisei abandonar tudo que eu imaginava ser seguro, o velho barquinho de resgate, as boias, deixei minha zona de conforto, é assustador se atirar em um mar gelado e perigoso sozinha.

Hoje daqui do outro lado, observo que existem vários instrutores a nos ensinar a nadar, nos ensinando quais melhores ferramentas a usar para essa travessia.

Esses instrutores sempre estiveram lá, existem de todos os tipos, tudo para que nós encontremos o qual melhor se adapta com a nossa realidade.

Esses instrutores são em formas de:

Grupos de apoio
Igrejas
Religiões
Terapias
Médicos
Amigos
Filósofos

Eles sempre existiram sempre estiveram lá, pronto a nos ajudar e todos conectados com um poder superior que lhes dão sabedoria a nos orientar.

Atravessar o mar requer, coragem, requer humildade, requer fé no impossivel.

Atravessar o mar que separa nossa vida até então conhecida do nosso mais intimo EU, é doloroso e assusta.

Assusta saber que pouco sabemos de nós mesmos, que o mundo vive em função do OUTRO sempre.

Mas quando descobrimos o caminho até a nossa paz interior, uma emoção toma conta de nossa alma, nos alegramos e somos eternamente agradecidos por ter enxergado o caminho.

Não importa o instrutor, não importa as  ferramentas.

Um dia eu já desejei que meu marido não usasse mais drogas
Depois desejei que não existissem as drogas no mundo

Hoje eu desejo que cada pessoa desse planeta, tenha a oportunidade de se olhar no espelho sem máscaras e que tenha coragem de mergulhar nas águas profundas de seu interior, que tenha humildade em reconhecer suas falhas e que se alegre em descobrir a luz que brilha dentro de si, ela só precisa permitir que essa luz irradie o mundo.

Fiquem com Deus

2 comentários:

  1. "CORTANDO ONDAS PERIGOSAS"

    Tentei encontrar uma metáfora para descrever como via sua vida usando drogas. Finalmente, veio a imagem de estar sentada à beira do oceano. Agora compreendo que você esteve cortando ondas perigosas!
    Por muito, muito tempo, não o reconheci, nem soube onde você esteve. Eu podia ouvi-lo, mas não vê-lo. Agora tenho esta percepção de onde você esteve, não posso imaginar porque tem a compulsão de voltar àquele comportamento mortal.
    Eu imagino que a pessoa que nadou até a praia e sobreviveu à fúria sugadora dessa onda, poderia avaliar a benção que recebeu e jamais retornaria. Mesmo assim, na sua recuperação, você descreve uma ânsia de tentar outra vez! Minha raiva cresce dentro de minha garganta e sufoca as palavras na minha boca. "Você está louco?" Com certeza está! Essa é a insanidade da adicção, falando mais alto. Sei qual é, apenas não consigo suportar ouvi-la, mas é a sua verdade e eu devo aceitá-la.
    Aqueles que cortaram ondas perigosas são os únicos que podem contar como sobreviveram. Você precisa encontrar um padrinho para ser seu salva-vidas. Tentei resgatá-lo de sua insanidade quase até o ponto da minha própria destruição, mas aprendi através do Nar-Anon que devo esperar por você na praia. Rezarei pela sanidade que preciso, enquanto espero que você pare de cortar ondas perigosas.
    Reflexão para Hoje: Não arriscarei a ser sugada pela onda perigosa da adicção. Irei a uma reunião ou telefonarei para um companheiro do Nar-Anon mas não cortarei ondas perigosas com você.
    "Aceitação do que é, não significa gostar da forma que é"


    Anônimo - Extraído da Literatura Nar-Anon CEFE
    (Compartilhando Experiência, Força e Esperança), Pág.: 272

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  2. Ráááááá não vah embora nãoooo please.......!!!! adoro seu blog :(

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