terça-feira, 1 de outubro de 2013

Afastamento ou Abandono?




" Ex amor gostaria que tu soubeste o quanto eu sofri, por ter que afastar de ti...
Não chorei, como louca até sorri, mas no fundo só eu sei, das angustias que senti..."
(Martinho da Vila)



Bom dia galera..

Esse tema foi abordado em outro blog, eu ia deixar um comentário, mais como ia ficar um tanto longo acabaria virando um post...rs.. resolvi responder por aqui, sobre essa questão o que seria afastamento e o que seria abandono em relação ao dependente quimico.

Coincidência talvez, há exatamente um ano atrás em setembro de 2012, o Dú, recaia após um mês de alta de sua internação de 5 meses, e quando isso aconteceu eu sabia que só tinha uma coisa a ser feita, me afastar.
A outra opção seria afundar junto com ele e nisso eu já tinha dado um basta.
Cara!! Doeu, como doeu esse afastamento, eu amava ele, esse afastamento foi demorado porque ele não queria e eu precisava insistir pra me salvar e a meus filhos, pra nos proteger.
De setembro de 2012 há novembro do mesmo ano, foram 2 meses, de brigas, de sofrimento, de desespero, de angustia de DOR, ele insistia e eu não queria..alias não podia, eu via a droga destruindo a minha familia, e não tinha o que fazer, eu não podia escolher por ele, ele escolhia usar e eu escolhia ir embora.
A situação financeira estava dificil, as coisas eram complicadas de se resolver, não era simplesmente sair de casa, haviam outras questões amarradas que dificultavam mais ainda minha decisão, mais ainda assim eu decidi enfrentar, abrir mão e entregar tudo nas mãos de um PS, com muita fé, eu não sabia como mais sabia que seria feliz.
Em novembro de 2012 voltei a morar na minha mãe, minha vida era o retrato das minhas coisas, tudo bagunçado em sacos plásticos a espera de um guarda-roupa para ser organizado eu meus sentimentos minha vida, de pernas pro ar, por onde recomeçar?
Limpar a bagunça, arrumar um espaço pra ai sim recomeçar.
Em dezembro de 2012 no dia 30 mais espeficicamente, ele se internou mais uma vez, minha esperança renasceu, mais sem expectativas como da outra vez, coloquei meus pés bem no chão pois não queria cair de novo de tão alto.
Primeira visita, e a cena se repete, se internou porque? pra me agradar, pra ter a família de volta, então percebi que realmente não tinha jeito eu teria que me afastar de vez, "sair de cena", "enterrar o defunto".
Foi o que fiz, segunda visita foi cancelada pela clinica, mandei-lhe uma carta, a única carta (CLIQUE AQUI PRA LER), e depois dessa carta, não atendi mais ligações, realmente definitivamente dei um basta, se passaram mais 2 meses, ninguém foi nas visitas.
Ele saiu de ressocialização, e me ligou da rodoviaria "to indo pra são paulo", isso foi no final de abril de 2013.
Meu coração disparou: medo, desespero, traumas....
De abril de 2013 á junho de 2013, eu continuava afastada dele, o via, mais não nos relacionavamos.
Era dificil, o coração pedia, a razão contrariava...doia o peito.
Até que resolvi lhe dar outra chance em junho voltamos a namorar, ele segue limpo há 9 meses.
A convivência só está sendo possivel porque ainda mantenho certo afastamento dele, a personalidade dele é a mesma de quando ele usava drogas, ele apenas está limpo, pra impor meus limites tenho que ser dura, coisa que até pode aparentar mais não é do meu feitio, sou uma mulher chorona, brincalhona que aprendeu a brigar pra se defender, ser briguenta me machuca, porque não sou assim.
É dificil tudo isso, tenho conseguido caminhar com ajuda dos grupos, literatura, autoconhecimento, pois saber aonde é o limite, até aonde ir, não é fácil, tenho conseguido ser assertiva, mais vira e meche do usn escorregão...tudo bem faz parte não me incomodo mais com isso.

Na verdade a única coisa que observo, que um dia me incomodou mais hoje já não mais tanto, é o preconceito dos proprios familiares, que inclusive frequentam grupos há anos e quando lem desabafos de pessoas que dizem: chega quero ir embora, não aguento mais.
Nos julgam como cruéis, eu fui MUITO JULGADA como CRUEL, vcs podem leem no post da carta.
Ainda sou muito julgada como CRUEL, por muitos CODEPENDENTES que dizem se tratar.
Até quando vocês vão parar de colocar o adicto no pedestal do coitadinho e entenderem que não são só eles que sofrem?

NÓS TAMBÉM SOFREMOS....
Ou vocês se esquecem que também são doentes, são CODEPENDENTES.

Eu não posso mudar ao outro, só posso amar.

Só posso ajudar alguém, se essa pessoa quiser ajuda.

ENTÃO PAREM DE JULGAR OS FAMILIARES QUE OPTAM POR SEGUIR SUA VIDA, ENQUANTO O ADICTO ESCOLHE USAR DROGAS.

Eles são pessoas que sofreram e também precisam de AMOR e não de um monte de codependente que acha que ta curado que acha absurdo julgar um adicto, mais na hora de julgar o próximo seja quem for ta la na primeira fila com a pedra na mão.

Desculpem o desabafo, mais infelizmente isso acontece..

Amar ao próximo é o próximo e não somente o próximo adicto...

Bjus e fiquem com Deus

14 comentários:

  1. Bom dia mulher! Que caminhada não? É sempre bom olhar para trás (de vez enquando) e, sem muita pretensão, nos dar os parabéns por ter tomado as rédeas nas nossas vidas!
    E esse momento "julgar" é inevitável, infelizmente ou o adicto é um FDP ou um pobre coitado doente; muito ao extremo como isso é visto por muita gente. Enquanto eles forem rotulados desta forma, as opções da família também serão. Exemplo, se o adicto é rotulado de FDP e você optou por não mais conviver com ele, que beleza, já passou da hora de você dar um pé na bunda daquele marginal... se ele é rotulado como o doente coitadinho, nossa, como você pode deixá-lo assim, tadinho... Se correr o bicho pega se ficar o bicho come, então escute o que vale a pena, você! Beijos

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  2. Excelente post...Identifico muito. Assim como você, sou uma pessoa que tem uma facilidade muito grande para abaixar e deixar os outros subirem em minhas costas. Não sou durona e confesso que essa parte em lidar com o adicto é a mais difícil. Assim como vc já fui e ainda sou muito julgada, principalmente pelos familiares dele, como uma pessoa cruel, afinal ele ainda é visto como coitadinho e com pais mega facilitadores que até cigarro compram pra ele, porque ele não tem dinheiro e porque não querem que ele saia de casa.
    Ontem fui em uma palestra sobre dependência e codependência e um dos pontos abordados foi que nós, familiares, que queremos ver o nosso familiar bem, temos de estar preparados para vê-los sofrer. Arcar com as consequências do uso, sem facilitar a vida deles porque os vemos como seres coitados, é fundamental para que possam crescer na recuperação. Infelizmente muitas vezes precisamos ser duras, se realmente quisermos ajudar, por mais que nos doa e dói, dói muito, precisamos fazer a nossa parte. Quem ama diz não, quem ama impõe limites.
    Ótima dia gatinha...bjs

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  3. Como disse em meu post, homônimo ao seu, só conseguimos nos afastar quando sabemos que não somos responsáveis pela doença, nem pela cura do nosso familiar adicto. Assim, nos sentimos livres para ir, quando necessário. Sabemos o quanto dói partir, mas por vezes isso é necessário, e foi justamente isso que falei, espero que tenha entendido. Entretanto, muitos codependentes se acham ainda "os salvadores" do outro, e por isso consideram um absurdo e falta de amor, deixar o adicto arcar com as consequências do seu uso de drogas. Mas, infelizmente, amor demais é tão prejudicial quanto a falta de amor quando o assunto é dependência química...

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  4. "Ainda sou muito julgada como CRUEL, por muitos CODEPENDENTES que "dizem se tratar". Até quando vocês vão parar de colocar o adicto no pedestal do coitadinho e entenderem que não são só eles que sofrem?"

    Eles te julgam e vc julga eles. O que vc quer? Um atestado de sofredora? FEz sua escolha e outros fez outras escolhas. Se te acham cruel f***-se ou tu quer que todo mundo te aprove? Não sou marido de dq (e nunca ia ser) mas acho lindo o blog da Polyana pq ela nao se faz de coitada ela reagiu. Tu tb pode guria! Tu é do bem mais ta faltando superar. WLL (lembra?)

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  5. Polly disse a mesma coisa que vc, tu não está errada...aqui apenas defendi as pessoas que se afastam e são julgadas como cruéis, a dona barriga disse uma verdade..quem julga um dq coitadinho...diz que quem segue sua vida é cruel, quem julga ele um fdp, julga quem permanece uma pessoa que se acha a salvadora...Wellington lembro sim....ache o que quiser esse espaço é aberto pra comentários eu não modero e nem excluo posts omitindo fatos..kkk...simples assim...mais conto realmente como as coisas acontecem...a questão é as pessoas se acostumaram a ouvir mentiras e quando ouvem a verdade se chocam...gente no final todos são iguais não sei pq se doem tanto com opiniões contrárias...INFELIZMENTE FAMILIAR QUE NÃO ACEITA CONVIVER COM ADICTO NA ATIVA É ROTULADO SIM DE CRUEL....infelizmente essa é a realidade..FALTA INFORMAÇÃO DE QUALIDADE, falta as pessoas saberem que não existe culpados e somente escolhas as quais sofremos as consequências e que a felicidade de ninguém deve ser colocada como certo ou errado....pq cada um sabe o que precisa pra ser feliz :)

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    1. Pois é, Kel, julgar os outros e muito fácil. Mas, só quem vive ou já viveu ao lado de um dq sabe a barra que eh. Eu acabei caindo fora, pois não suportava mais as humilhações e a crueldade dele. Enfim, concordo com vc

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  6. engraçado nego pra defender adicto e querer mostrar que eles são humanos tem de monte e pessoas que defendam as quais ninguém enxerga, os codependentes KD?...

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  7. Repetindo aqui uma coisa que eu disse hoje por e-mail:
    -"Eu não fico colocando panos quentes....tento dizer a verdade como eu vejo, digo sempre que é a minha opinião, mas tem gente que me acha carrasca, rsrsrsrs. Mas é meu princípio, não vou florear, vou sempre dizer o que eu vi lá no fundo do buraco....não tem flor, não tem sol, é lodo e sapo....quem quer acreditar ótimo, quem não quer, desce pra ver...."

    Janete

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  8. Na minha opinião, todas nós estamos aqui para ajudar aos familiares, para apoiar, para defender nossas vidas e interesses. Cada um tem o seu jeito, sua forma de expor, de sentir, de ajudar, e não julgo ninguém mais ou menos importante nesse papel. Há os que falam mal dos adictos (por estarem machucados), eu particularmente não gosto de falar mal do meu esposo, nem do meu pai, porque penso que a sociedade lá fora já faz isso muito bem, mas, enfim, cada um tem o seu jeito, e seria muito bom se todos nos respeitássemos e aceitássemos como somos. Afinal, estamos todos juntos nessa causa, e nessa luta...

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  9. Belo Post, tanto você como a Polly falam a mesma coisa em linguagem diferente, uma carrega a filosofia do super poder do amor "o que é muito bom", outra que a razão é a mais sabia decisão, "o que é muito inteligente", enfim quem carrega o adicto no colo não é culpado e nem inocente, pois escolheu isto, quem larga ele de lado, também não pode ser culpado pois esta foi a escolha pensando em seu bem....se existe um culpado na história é o viciado, que não consegue forças suficiente para larga, e que por uma atitude errada entrou neste barco, repito não era doente, quando entrou poderia escolher cheira o primeiro tiro de cocaína ou não, poderia ter pensado 5 minutos antes de colocar a seringa na sua veia que entraria neste barco e que teria que arcar com as consequências, não vou pensar como muitos coitadinho ele nasceu doente e sera sempre doente, Queridas eles adquiriram uma insanidade depois de estarem totalmente viciado, mas quando ele experimentou pela primeira vez tinha plena consciência do que fazia...palavras de quem viveu isto na pelo...

    Sou Wellington o Original, rsrs o que não aceita quer um adicto seja um doente eterno, mas sim um viciado, vicio só existe enquanto a pessoa usa, deixando de usar "claro que exige forças, equilíbrio, superação e etc" não sera mais viciado. ...e estara livre disto para sempre
    vi que voce chamou o anonio WLL de Wellington, caso pense que foi eu, esta errada, sou paulista caiçara e não chamo ninguem de guria..caso esteja se referindo a outro Wellington favor desconsiderar meus comentários....

    Felicidades..

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    1. Ola Wellington...realmente pensei que fosse tu...pelo" WLL (lembra)?" obrigada pelo comentário...e sabe que meu pai pensa como tu no sentido de "e existe um culpado na história é o viciado, que não consegue forças suficiente para larga, e que por uma atitude errada entrou neste barco, repito não era doente, quando entrou poderia escolher cheira o primeiro tiro de cocaína ou não, poderia ter pensado 5 minutos antes de colocar a seringa na sua veia que entraria neste barco e que teria que arcar com as consequências "..em partes tb concordo, mais deixa pro o tema pro próximo post..senão o comentário vai ficar enorme...amanhã falo sobre o q penso a respeito..bjus

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  10. Oi Kel,andei escrevendo no seu blog logo no início da minha separação com o "meu ex" adicto. E olha que já se passaram alguns meses, tenho convivido em minha "Co-dependência", às vezes mais..ás vezes menos...! Enfim! Minha história assim como de tantas outras é triste, pois até não conhecer sobre a doença e a co-dependência vivia me perguntando: "Porque me sujeito a essa situação? Porque não termino esse relacionamento que tanto me machuca?", mas sabia que estava doente e essa doença era causada pela pessoa doente que convivia. Namoramos por 7 anos e sofri muito com humilhações, com ataques de nervos dele, com falta de educação, com impaciência no trânsito, no mercado, no bar, no meio dos amigos...ou em qualquer lugar que estivessemos. Era manipulada,chantageda,traída e enganada.dia 11/02/2013 resolvi separar definitivamente e na semana seguinte fui levada por un ANJO para o Amor Exigente! Que alegria! Comecei a entender o que se passava comigo e vi inúmeras pessoas com os mesmos problemas que eu! Dia 11/10 fará 8 meses...e eu continuo firme e forte! Não cedi..não sucumbi a chantagens ou manipulações. Ele continua na mesma com as mesmas atitudes e age como se nada tivesse acontecido, me liga de madrugada(47 chamadas da ultima vez), manda mensagens, manda e-mail,whatsapp como se nada tivesse ocorrido nesses 8 meses( parece que para eles o tempo não passa, as coisas não acontecem ou então sofrem de amnésia..só pode!). Ele está em outro relacionamento já, e pelas redes sociais vejo o "apelo silencioso" da atual namorada, vejo ela passando pelo sofrimento e as humilhações que já vivi...mas escolhas são escolhas..e ela com certeza fez a dela! Fui convidada para ajudar como no Amor Exigente e hoje amo estar lá e poder compartilhar minha experiência em prol de alguém que esteja sofrendo. Quando fui pra lá fui pela DOR..mas hoje permaneço por AMOR!!! Amo meu grupo de AE que se chama SERENIDADE!! Desculpe Kel pelo desabafo!!! beijos

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    1. Não tem o q se desculpar...feliz por vc ir em busca da sua felicidade....bjus

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