terça-feira, 3 de setembro de 2013

o Caminho até aqui...



Bom dia galera...

Tudo bem por aqui graças a Deus, pra atualizar os novos leitores que tem aparecido vou dar uma resumida na minha atual situação, vamos lá.

Comecei a namorar o Dú em 06/2006, 3 meses depois descobri que ele era dependente quimico, como ele tinha uma vida normal trabalhava,  achei que meu amor seria o suficiente para liberta-lo das drogas, fiz muita insanidade tentando salva-lo, e nesse período casamos tivemos 2 filhos (5 e 2 anos) até que em 2012 cheguei no meu fundo de poço, não aguentava mais viver aquela situação e não sabia como sair, foi quando encontrei os grupos de apoio no meu caso fui ao Amor Exigente, foi quando conheci minha madrinha pela net, então comecei a subir de volta, mas o Dú ainda não tinha se dado conta que também estava no fundo do poço, quando ele viu que eu comecei a subir, ele se desesperou porque ficar lá sozinho ia doer mais.
Quem serviria de "almofada, luzinha, compania" pra ele na vida ativa das drogas, sem eu ao seu lado para facilitar as consequências do uso se tornariam mais dolorosas, foi quando ele se sentiu medo e em um ato de desespero pediu para ser internado.
Assim foi sua primeira internação, durou de 03/2012 à 08/2012, ele quis sair em todas as visitas que eu ia, e em todas elas nós brigávamos pq eu não permitia que ele saísse.
Chegou 08/2012 e ele saiu, como o pedido desesperado de internação foi mais uma tentativa de fazer com que eu permanecesse ao seu lado do que propriamente um pedido de ajuda, ele durou 1 mês limpo aqui fora, e no dia de aniversário do nosso filho mais velho ele recaiu, antes da recaída ele procurou motivos para justificar a si mesmo a volta ao uso.
E a estratégia usada foi me provocar para que brigássemos e assim ele pudesse ir "aliviar" sem peso na consciência e ainda tendo alguém a quem culpar (a mim).
Porém nessa época eu já frequentava o grupo Amor Exigente há uns 6 meses, havia aprendido muito sobre a dependência química, sobre o comportamento do dependente e sobre como a minha codependência ajudava a perpetuar esse ciclo, levando ele, a mim e aos meus filhos a um buraco de dor e sofrimento pra não dizer a óbito.
Então eu sabia que só tinha um jeito, se ele escolheu voltar pro fundo do poço, eu precisava escolher continuar a subir, por mim, pelos meus filhos e quem sabe por ele também.

Foi o que fiz, em 11/2012 sai de casa, me separei, ele ainda estava na ativa quando no dia 30/12/2012 ele pediu para se internar mais uma vez.
De inicio não me alegrei, até neguei a ajuda-lo, pois na sua última internação ele me acusava de te-lo obrigado a ficar lá, então dessa vez eu havia decidido que se ele quisesse iria sozinho.
Ele insistiu muito, e como infelizmente os familiares dele sempre se recusaram a conhecer sobre o assunto, a única pessoa que sabia que aquilo era uma oportunidade era eu, então mais uma vez o ajudei ele a se internar, com uma condição quem iria pagar desde a passagem de ônibus até a clinica e a mensalidade seria ele e a familia dele, eu apenas arrumaria a clinica e o acompanharia até lá.
E assim fomos, ele passou o ano novo internado.
Em sua primeira visita em 02/2013 quando chegamos ele mais uma vez quis sair e vir embora, o pai dele estava comigo e ambos negamos, a visita foi tensa, teve briga mas ele não pode ir embora.
Voltando da visita com o pai dele, pude ver o quanto o Dú manipulava os familiares, jogando a responsabilidade da recaída dele em cima de mim, e pude ver o quanto ele me manipulava contando situações "tristes" que ele acusava os familiares em relação a ele.
Conversei muito com o pai dele, alguma coisa ele ouviu, mais ainda tem a mente muito fechada, e por comodismo, vergonha e preconceito não busca ajuda.
A segunda visita foi cancelada em 03/2013 e a terceira visita eu já havia decidido não ir, deixei a disposição para que os pais dele levassem nossos filhos, e mandei uma carta ao Dú terminando tudo com ele pedindo que ele nunca mais me procurasse.
Como eu não fui na terceira visita o pai dele ficou com receio de ir sozinho e no final ninguém foi.
Tenho pra mim que ai sim o Dú encontrou seu fundo de poço a "solidão" e com o apoio psicológico, as reuniões que ele assistia na clinica começou a ter um pouco mais de humildade e enxergar que ele estava naquela situação por responsabilidade dele e de mais ninguém.
Em 05/2013 era sua primeira ressocialização, ninguém foi busca-lo ele veio de ônibus, chegando ele me procurou e assim começaram as suas tentativas de reconquistar a familia.
Algumas discussões aconteceram, eu tentando com serenidade dizer as coisas certas nas horas certas, sem que a culpa e o medo de uma possível recaída acontecesse, passei a respeitar os meus limites, sem me preocupar com as escolhas do Dú, ele entendeu o recado.
Depois de uns 3 meses nessa situação, voltamos a nos reaproximar, como um casal, porém ele sabe pois hoje esse é meu limite.
Eu não volto a morar com ele tão cedo, e nem sei se um dia terei coragem, se ele quiser ficar comigo assim a escolha é dele senão ele que siga seu caminho.
No inicio ele estava frequentando grupos de apoio por pressão minha e confesso que estava fazendo bem a ele, mas ele não gosta e não se identifica, parou de ir, hoje vai somente a igreja.
Vejo o quanto ele fica mais fraco sem o grupo, mas a vida é dele e as escolhas também.
Decidi seguir minha vida, me preocupar com meus caminhos eu escolhi continuar subindo o poço e eu uso as ferramentas que o PS nos deixou 12 passos, madrinhas, partilha, grupo, leitura, espiritualidade, pra mim é mais leve e mais fácil e olha que dói raspar a ferida, pra que eu vou negar um anestésico...rs..
Ele ta subindo também mais na unha..rs.. raspando a ferida na carne...fazer o que cada um escolhe seu caminho.

Hoje eu to em paz e só tenho a agradecer a Deus ou (PS) pela minha vida, pela minha saúde e pelo bem estar dos que eu amo.

Uma frase traduz como me sinto hoje: "Não tenho tudo que amo mais amo tudo que tenho"

Uma boa terça pra vcs e fiquem com Deus

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