quinta-feira, 27 de junho de 2013

Amando um Dependente Quimico






Bom Dia Galera!! Alguém quer gripe?..rs

Cada caso é um caso, não existe receita de bolo  mais vai QUE...rs..alguém se identifica pode aprender algo com a história abaixo, afinal nos grupos a partilha além de servir para "desabarmos" serve também para partilhar as "ferramentas" na recuperação, vamos ao causo:

Vou tentar resumir.

Há 7 anos conheci meu ex marido, dependente quimico de cocaína, logo no inicio do relacionamento (3 meses) descobri que ele usava cocaina, porém no meu julgamento erroneo, eu "achei" que seria fácil ele sair dessa vida, já que ele era diferente dos "nóias" que eu conhecia, ele trabalhava e aparentemente tinha uma vida normal.
Durante 6 anos eu lutei para tira-lo do vicio, procurava informações cientificas sobre a dependencia quimica na internet, tentava agrada-lo, chantagea-lo, vigia-lo, agredi-lo, tudo para que ele não usasse drogas em vão.
Cobria todas as despesas de casa quando ele não conseguia me ajudar por gastar dinheiro com drogas, durante 6 anos eu tentei evitar que nosso casamento desmoronasse, o problema ia além do financeiro e do uso de drogas, eu falava a minha sogra, se o problema fosse ele usar eu deixaria aqui em casa um estoque, o problema é a convivência, insuportável, ele fica insuportável, egoista, mentiroso, prepotente, etc, etc..o problema não era a droga em si era o COMPORTAMENTO DELE.

Durante 6 anos eu lutei de tudo que é jeito, lutei sozinha, me machuquei, machuquei a ele, e ia me afundando a cada dia mais, ele cavando o poço e eu atrás segurando a corda pra ele não cair, porém descia e descia cada dia mais junto com ele.
 Em novembro de 2011, cansei, pra mim deu aquela vida, queria desesperadamente sair daquele poço, mais não tinha forças, carregava comigo muito peso, que não era meu, porém na minha cabeça (doente) era.

Eu me sentia culpada, fracassada, com raiva dele, com raiva de mim, impotente, triste, esgotada fisicamente e falida financeiramente.

Como sair daquele poço?
Me sentia imóvel, presa, me desesperava, não via saída, até que de tanto cansar de ser a MULHER FORTE..que eu me julgava ser, a que tudo suporta em nome no amor, do casamento, dos filhos, dos seus sonhos, eu simplesmente me larguei e cai no fundo do poço: DEPRESSÃO, SINDROME DO PÂNICO, etc, etc.

Eu acredito em Deus, (há quem não acredite respeito) nesse ponto eu não tinha mais forças pra nada a não ser para "cumprir minhas tarefas como um robô: trabalho, casa, filhos, marido porém emocionalmente eu era um VAZIO.
Foi quando chorando eu disse em meu quarto sozinha: Por favor Deus me ajuda, pq eu não sei mais o que fazer, apenas me ajuda me direciona, eu não aguento mais!

Em novembro de 2011, comecei a ter contato com familiares de dependentes quimicos, através dos blogs, conheci quem hoje eu considero minha madrinha, realmente um anjo que Deus me mandou, ela me passava a sua experiência via email, me direcionava nas crises as quais eu não tinha idéia de como sair, me lembro como se fosse hoje, quando em um email eu contava que "coitadinho do meu amrido, sofreu, com a ex dele, os pais eram severos, a vida foi muito dura com ele, bla, bla bla"
Então ela me disse: Vejo muito mais como uma "coitadinha" já que assim vc quer dizer, uma menina que tem 2 filhos pequenos e enfrenta chuva e sol, sozinha, trabalha pra sustentar a casa e dar uma vida melhor aos filhos, enquanto o marido adoecido só se preocupa em continuar te sugando, larga a corda, deixa ele bater no fundo do poço, se você não consegue fazer isso por você faça por ele, pq acredite você só está colaborando pra que ele continue a se matar e o pior ta levando seus dois filhos junto pro fundo do poço com você"

Isso abriu minha mente de uma maneira, me deu uma força que eu achava que não existia mais, e nisso continuei pedindo ajuda a minha madrinha e ela me direcionava, eu sofria demais pra colocar as coisas em prática, eu sofria demais em deixar meu ex marido sofrer as consequencias dos proprios atos, era horrivel, eu sentia uma culpa tremenda, eu estava muito adoecida.

Até que consegui dizer a ele, ou eu ou as drogas, consegui dizer e cumprir.

Em dezembro de 2011, viviamos apenas debaixo do mesmo teto e não mais como marido e mulher, eu ainda via impecilios em sair de casa, a nossa vida  havia se tornado um inferno, pq ele não aceitava viver dessa forma como "amigos" então ele me pressionava de todas as formas e eu não cedia, me rasgava pro dentro mais não cedia.

Em março de 2012, ele depois de gastar o dinheiro do aluguel com drogas, pediu pra se internar, corri e sempre com a minha madrinha me orientando consegui  interna-lo, eram 5 meses de internação e só sairia se a familia permitisse.

Todas as visitas exceto a primeira, foram de brigas pq ele queria sair e eu não deixava, ele estava se internando não pq achava que precisava, apenas pra tentar ganhar a familia de volta, pra dar "um tempo".

Nesses 5 meses eu comecei a frequentar o grupo Amor Exigente, comecei a ler sobre a minha doença a CODEPENDENCIA, comecei a aprender sobre as artimanhas do dependente quimico, as manipulações, as mentiras, a tentativa de a qualquer custo manter as duas vidas estáveis a do uso e a social sugando quem podia pra conseguir permanecer assim.

Ele saiu em agosto de 2012, no principio parecia um anjo, concordava com tudo, super humilde, falando sobre recuperação até que uns 15 dias depois os velhos comportamentos como arroância, prepotencia, começaram a dar as caras, voltaram as brigas, as pressões e ele recaiu um mês depois no dia da festa de aniversário do filho.

Eu ja tinha muito claro q com ele usando drogas eu não viveria, ainda mais que havia descoberto nesses 5 meses o que era viver em paz.

Então nova batalha se formou, de setembro de 2012 há novembro de 2012, outro inferno eu estava vivendo, até que finalmente ele saiu de casa.

Eu estava muito mais fortalecida, minha madrinha e o grupo me ajudaram muito, as leituras, meu contato com o poder superior, o blog que criei em maio de 2012, a troca de experiência com outras companheiras foi em fortalecendo, em dezembro de 2012, voltei a morar com meus pais, pra ficar longe das encrencas do meu ex marido e assim poder refazer minha vida.

Nessa época ele estava usando com uma frequencia muito maior, chorava desesperado pedindo pra eu voltar, que me amava que ia mudar, e eu me mantive firme em não querer voltar, ele me propos novamente que se internaria, mesmo assim eu continuei firme, não aceitei, ele podia se internar, se pintar de ouro, a partir de agora seriamos pai e mãe dos nossos filhos e não mais marido e mulher.

Dia 30/12/2012, ele pediu pra se internar, e foi, no primeiro mês eu ao contrario da outra internação não mandei carta alguma as quais antes eu mandava semanalmente, apenas falava com ele nas ligações a cada 15 dias.

Na primeira visita, me decepcionei demais, ele queria sair e estava exatamente igual, me culpando e me pressionando pra voltar, então decidi depois disso simplesmente entregar  nas mãos de Deus, largar a corda.

Enviei uma carta a ele tem ela escrita no post (enterrando o defunto) terminando tudo, pedindo pra ele não me ligar e não me procurar mais, ele recebeu, tentou me ligar e eu não o atendia.
Ele teve a segudna visita cancelada e na terceira os familiares dele não foram porque não quiseram simplesmente.

Em abril de 2012, ele saiu de ressocialização e não voltou a clinica.

Ele saiu um pouco mais conformado, porém as investidas em me pressionar pra reatarmos o relacionamento persistia, precisei desligar o telefone de casa, precisei deixar o celular no mudo e não atender as mais de 40 ligações diarias.

Toda vez que ele aparecia pra falar comigo, se falasse com serenidade eu o ouvia, se começasse a me pressionar literalmente eu virava as costas e o deixava falando.

Desse jeito depois de 1 ano e meio ele entendeu meu recado, só me me aproximaria mesmo com amiga se ele me respeitasse.

Hoje ele conversa comigo e me respeita com mais frequencia, não que ainda eu não precise ignora-lo de vez em quando, mais tem sido raras as vezes.

Eu não me permito mais, sofrer as consequencias dos atos de outras pessoas.

Hoje convivemos como amigos, passeamos em familia em alguns finais de semana, porém com algumas condições:
Que ele frequente NA e Igreja.
Ele tem mostrado boa vontade, mesmo não se identificando ainda com o NA.
Ontem em uma conversa pelo telefone ele me disse o seguinte:
- Você tem me ajudado muito, você conhece meu comportamento de longe, tenho aprendido muito com nossas conversas, e hoje o que me da forças pra me manter limpo é que mesmo eu tendo dias dificeis, e ontem foi um deles, eu tenho voltado pra casa e tenho acordado mais um dia LIMPO, obrigado.
Minah resposta foi: não tem nada a agradecer a mim, afinal de contas o que te digo hoje venho dizendo a anos, a diferença é que você tem mantido a mente aberta pra ouvir as outras pessoas, e aproveitando que você diz que me ouve porque eu te ajuda bastante, continua indo pra sala e arruma um padrinho isso é pro seu bem.

Depois desse 1 ano e meio, percebo o quanto eu cresci, o quanto tenho aprendido a amar de maneira saudável, eu me amo, não permito mais que me machuquem e tenho aprendido a ama-lo a amar um dependente quimico.

Uma dica que deixo as pessoas que tem um familiar nessas condições, busquem ajuda de grupos, funciona, sozinhos não damos conta não.

Sem todas as pessoas que cruzaram meu caminho, seu Deus eu não teria conseguido chegar onde cheguei, não esperem a situação piorar, parem de tentar salvar, de forma inadequada, existem maneiras acreditem.

Existem maneiras de se obter resultdos melhores, menos sofrido, não é 100% garantia mesmo porque nada nesse mundo é, mais se torna mais fácil, mais leve, nos tornamos habeis a viver e lidar com a nossa doença e com a deles.

Aprendemos a viver a sobreviver no meio da DEPENDENCIA QUIMICA E CODEPENDÊNCIA.

Fiquem com Deus 

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